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A Unção do Espírito Santo

por T. Austin-Sparks

Capítulo 6 – Contrariando a Unção

Davi e os Filisteus; ou o Espiritual e o Carnal

Leitura: 1 Samuel 16:13; 17:11.

“Ora, os Filisteus...” Que isso apareça precisamente lá carrega consigo um significado muito grande. A palavra “Ora” é uma palavra muito importante. É a cavilha na qual pendura muita coisa. Que logo neste ponto em que a unção de Davi foi levada a cabo, quase imediatamente, em tão pouco tempo depois, o registro tome esta direção, “Ora, os Filisteus...”; e com a introdução dos Filisteus lá nesse ponto, somos conduzidos face a face com um das maiores fases da unção, o significado da unção.

Os Filisteus eram os principais inimigos do testemunho do Senhor. Temos visto que a vida de Davi foi marcada pelo propósito Divino de levar o testemunho do Senhor à plenitude e finalidade; propósito o qual é visto cumprido quando a arca do testemunho é finalmente depositada no santuário do templo, e a glória do Senhor enche a Casa de Deus. Esse é o propósito da vida de Davi. Foi para isso que ele foi levantado, para isso ele foi ungido. Agora somos conduzidos face a face com a principal oposição e antagonismo dessa unção, representada pelos Filisteus. À medida que você vai pelos livros que contém o registro da vida de Davi, você ficará tremendamente impressionado com o grande número de vezes de contato que ele tinha com os Filisteus; com o grande lugar que os Filisteus tinham em sua vida. É algo muito impressionante, e, sendo consciente disso, a medida que você vai por estes livros você não pode falhar em ver quanta importância os Filisteus tomaram na vida de Davi e na vida de Israel nos dias de Davi.

Você será também impressionado, se você se importar em fazer uma pesquisa dos livros da vida de Davi, com o tremendo lugar que os Filisteus tinham no Velho Testamento. No livro dos Juízes e nos livros de Samuel, os Filisteus são mencionados ao menos duzentas e quatro vezes. Depois em Josué, Gênesis e Êxodo juntos, você tem eles mencionados outras onze vezes; duzentas e quinze vezes até o final de Samuel. Isso certamente significa algo. Isso é uma cifra redonda; não é menos do que isso. Queremos permitir o peso disso para nós reconhecer e ver a proporção que contém nos livros a vida de Davi. Confirma o que estamos dizendo, que se Davi foi levantado especialmente em conexão com o testemunho chegando à plenitude e finalidade, e se ele foi ungido para esse propósito particular, então o próprio espaço que os Filisteus têm lá em sua vida representa algo que deve ser tomado em consideração e devemos olhar e ver o significado disso.

Quem eram os Filisteus?

Os Filisteus; quem eram? Eles não eram nativos dessa parte do mundo. Eles eram, em primeiro lugar, um povo errante de natureza guerreira e bem treinados na guerra. Eles eram, portanto, realmente uma ameaça para os povos na terra. Eles eram treinados e eram lutadores muito eficientes, e alguns dos outros povos grandes da terra achavam os Filisteus um real quebra-cabeças, e achavam eles serem mais do que compatíveis para eles. Agora eles vieram em direção à terra prometida, a terra determinada por Deus para ser a terra de Israel, eles ameaçaram essa terra antes que Israel chegasse a ela e ganharam uma base forte nessa terra. Eventualmente eles dominaram uma ampla área dela, e tão grande era a influencia, poder e dominação deles, que deram o nome deles a toda a terra, e o nome Palestina é simplesmente a terra dos Filisteus. Palestina significa a terra dos Filisteus. É o nome deles. Isso tem ficado na terra desde que eles pisaram nela.

Agora o Senhor leva Israel à terra. Às vezes é chamada a terra de Israel, porém contra esse título, contra essa designação Divina, contra isso que representa o propósito de Deus, pensamento e intenção, está preso a esse mesmo território o nome dos Filisteus, para assim disputarem o título desta terra com Israel, e é realmente um conflito de título, um conflito de um nome.

A Natureza da Ameça dos Filisteus

Paralelo a isso você tem o fato de que os Filisteus eram os principais inimigos de Israel, e que a natureza da oposição deles era esta, que eles estavam sempre procurando impor suas mãos e interferir com as coisas do povo de Deus. Você sabe como nos dias de Sansão eles ameaçaram o povo, a terra, os Juízes, e estavam sempre procurando tomar posse daquele que em sua pessoa coletivamente representava o povo do Senhor. Só colocar suas mãos sobre Sansão, só descobrir o segredo de sua ascendência, o segredo do seu poder. Eles estavam investigando os segredos do poder e autoridade espiritual, para tomar posse desse segredo a fim de destruir a ascendência do povo do Senhor. Então, ao final achando um aliado em Dalila, eles conseguiram o segredo do poder de Sansão, o qual era o poder de Israel, como representado pelo Juiz deles; e obtendo o segredo eles logo destruíram Sansão e colocaram as coisas novamente em sujeição. A coisa que era central a tudo isso era que eles podiam ser capazes de colocar o deus deles contra o Deus de Israel, e humilhar o Deus de Israel.

Assim, no grande dia em que o cego Sansão é levado fora da prisão, e feito um espetáculo diante dos anfitriões dos Filisteus, os gritos e o gloriar dos Filisteus era que Dagon era maior do que Jeová, porque, olhe, aqui está o representativo de Jeová, aqui esta aquele em quem o povo de Jeová está reunido; olhe o pobre espécime que ele é, derrotado, quebrado, cegado! Ele representa o poder de Jeová. Eram os deuses dos Filisteus. Existe um pano de fundo espiritual disto, e como o inimigo exaltava. O inimigo, o Diabo é exaltado e glorificado quando o homem natural, o incircunciso, a carne não crucificada toma posse dos segredos espirituais e usa eles. Acompanhe esse princípio por todo o caminho. Mais tarde você saberá que é a arca, a arca do testemunho como a personificação do poder e glória de Israel, representativamente; e os Filisteus capturam a arca e a colocam na casa de Dagon, com a intenção de novamente humilhar Jeová na presença de Dagon. Sabemos que Dagon veio abaixo.

O Senhor é capaz de cuidar de Seus próprios interesses mesmo quando Seu povo está falhando Ele. Mas o objetivo é o mesmo, as duas coisas vão juntas. Os Filisteus apanhando as coisas santas e usando elas, com o resultado de que a glória do Senhor é velada e a glória do Adversário é manifesta. Depois os Filisteus ainda procurando esta busca profana de conhecer segredos Divinos, possuir segredos espirituais a fim de ganhar poder, ascendência, olharam para a arca, abriram a arca, investigaram esta coisa para possuir segredos a fim de estar em poder. Você sabe do resultado. Eles foram feridos pelo Senhor, e de cidade em cidade, nas cinco cidades dos Filisteus, esse juízo se espalhou; mas as duas coisas estão continuando todo tempo; o querer possuir segredos Divinos, ter esses segredos em mão a fim de ter poder, poder pessoal, e isso sempre resulta na desonra a Deus e a glorificação do Adversário.

O Paralelo Espiritual dos Filisteus

Agora você pode ver a partir disso, sem irmos mais longe e tirar mais dados, o que está diante de nós. “Ora, os Filisteus”. Eles são conhecidos nas Escrituras como os Filisteus incircuncisos; e isso dá a pista para toda a questão. Sabemos pelo Novo testamento qual é o significado da circuncisão. Olhemos isso. Colossenses 2:9-13 “...no qual também fostes circuncidados... no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo”. Que é a circuncisão de Cristo espiritualmente? É o despojar do corpo da carne. É dito aqui ser algo no qual temos sido trazidos. Temos sido trazidos para a circuncisão de Cristo, isto é, no despojar do corpo da carne, e isso foi representativamente exposto no nosso batismo. A Palavra diz que quando fomos batizados, sendo sepultados com Ele no batismo, tomamos nossa posição na circuncisão de Cristo; isto é, no despojar do corpo da carne. Nosso batismo foi uma declaração de que nós no corpo da carne foi despojada na morte e sepultamento de Cristo. Isso é circuncisão espiritualmente interpretado. Esse é o significado espiritual disto que corre pelas Escrituras. Deus nunca teve intenção de que fosse meramente uma coisa externa e objetiva. Ele sempre teve um princípio espiritual trás tudo, e o princípio espiritual trás a circuncisão histórica era justamente isto, o despojar do corpo da carne.

Bem agora os Filisteus são chamados de Filisteus incircuncisos. O que isso significa? A carne não crucificada. O corpo da carne não despojado. É a carne, o homem natural, o princípio carnal entrando e lançando mão das coisas espirituais. Tais são os Filisteus. Quando você obtém esse tipo de coisa não demora muito em você obter monstruosidades, anomalias, pois você percebe com Davi, “ora, os Filisteus” é seguido imediatamente por Golias de Gate, um filho numa família de gigantes. Este gigante é o representativo dos Filisteus, e os Filisteus estão reunidos representativamente nele. Ele dá um passo em frente como o campeão e representativo deles, e em nome do resto dos Filisteus ele pessoalmente desafia todo Israel. Ele é uma monstruosidade, ele é uma anomalia, o qual significa que os Filisteus são um povo anormal neste sentido. E quando você pega um homem ou mulher carnal lançando mão de coisas espirituais, você terá uma situação que é muito, muito difícil; é uma situação anormal.

Você pode lidar com o homem natural sozinho, mas o que você pode fazer com um homem natural que têm lançado mão de coisas espirituais? Você nunca poderá superar essa situação pelo argumento. Ele como um homem natural, sabe tudo o que você sabe espiritualmente. Existem muitas pessoas que têm se apossado de toda a doutrina e princípios cristãos; você não pode lhes ensinar nada, mas eles são tão carnais quanto podem ser. Você não pode lhes ensinar nenhuma coisa. Eles são incorrigíveis. Este fato prova eles serem carnais. Você não pode lhes falar nada, eles o sabem tudo. Que é para ser feito com eles? Nada, senão lhes cortar a cabeça!! Isso é tipologicamente falando. Eles têm que ser abatidos. Eles são anomalias e não há nada para eles, senão morrerem. A única coisa é morrer, e não é algo muito prazeroso para um homem carnal morrer em possessão de doutrina cristã. Um homem que sabe que ele é completamente pecaminoso e cego, e morto espiritualmente, bem, ele estará preparado para aceitar a anulação dele mesmo; mas o homem que pensa que ele sabe tudo sobre as coisas, que tem se apossado das coisas do Senhor e está na obra do Senhor, e contudo não é um homem crucificado, sua morte vai ser a coisa mais humilhante, e não há nada mais humilhante do que ver esse gigante abatido, e ver de que forma Deus abate esse gigante. Ele o abate, não por alguma grande força da natureza de modo algum. Davi põe de lado a armadura da carne proposta por Saul, o equipamento do homem oferecida pela mente carnal de Saul. O põe tudo de lado e o recusa, e toma o mais simples dos meios, e não disse: venho a ti com a minha funda e pedras, mas, no Nome do Senhor. E o gigante, a anormalidade menospreza ele, desdenha dele: “sou um cachorro para que venhas a mim com paus?” quando aquilo que em si mesmo não é nada é o meio ungido de Deus para lidar com este gigante, a humilhação é terrível.

É muito mais difícil para alguém que está total e ativamente bem na obra do Senhor, e pregando, e tudo o resto disso, descer para a morte em Cristo do que é para alguém que nunca tocou as coisas do Senhor. Os Filisteus incircuncisos; aquilo que procura entrar e tomar posse na esfera das coisas do Senhor, e não é crucificado. É o homem natural, o homem carnal tomando posse das coisas do Senhor, tomando posse de princípios espirituais, procurando possuir segredos a fim de que possa ser algo. Ora, isso pode ser aplicado em numerosas maneiras. O Senhor deve fazer uma aplicação pelo que nos diz respeito.

Separação – o Que é

Podemos colocar os Filisteus numa palavra; é esta. Eles representam o princípio de uma vida separada; e separação no caso não é só separação do mundo como falamos de separação do mundo, seus divertimentos, e assim por diante. Neste caso é separação da carne, do eu, da velha vida e natureza mesmo na obra do Senhor, as coisas do Senhor; separação de tudo o que somos por natureza. Defronte a isso você tem Davi, e você descobrirá que os tratos do Senhor com Davi em todo o caminho era a fim de obter e manter ele livre de meios carnais. O esforço do Diabo por todo o caminho da vida de Davi era ter ele misturado com coisas carnais a fim de destruir o propósito de sua unção.

Saul é o primeiro que procura lhe armar uma cilada. Aqui está o jovem que em si mesmo não é nada, como vemos no começo: “não olhes para sua aparência”, aqui está o jovem que não foi escolhido ou aceito, mas que é deixado fora da contagem quando os filhos de Jessé passam diante de Samuel para a unção. O jovem que em si mesmo não é tomado em consideração pelos homens, mas que é trazido sob a unção; e depois em tão pouco tempo, o propósito de sua unção começa a se desenvolver, ele tem que enfrentar o principal inimigo e antagonista desse propósito.

Imediatamente ele sai para isso – oh quão astuto é o Diabo – imediatamente que ele sai para dar o primeiro passo para destruir essa oposição ao testemunho, há uma cilada para ele através de Saul, um homem carnal, com sua proposta para que Davi use as armaduras. Saul oferece as armaduras e as traz e coloca nele, e se Davi tivesse experimentado ir com isso ele teria caído. Mas a unção contribui para a sensibilidade espiritual, e Davi diz: “não posso ir com isto” e assim ele rejeita o natural, o equipamento carnal, e vai no Nome do Senhor, cingido só à fé no Nome do Senhor; essa é sua arma. Esse é o seu equipamento espiritual. Esse é o poder da unção; o Nome do Senhor.

A unção sempre implica que o Nome do Senhor repousa sobre nós. Mas observe que havia um truque carnal lá, uma armadilha para levar ele ao terreno carnal, e como pode a carne matar a carne? Como pode um homem não crucificado matar um homem não crucificado? Se nossas carnes se levantarem para enfrentar a carne em alguém, não haverá vitória espiritual. A vitória é apenas quando enfrentamos a carne no espírito, e não reagimos à carne com a carne, carnal enfrentando carnal. Assim Davi tinha que enfrentar a carne incircuncisa e não crucificada, não com equipamento carnal, mas no poder da unção somente. Uma e outra vez estas ciladas aguardaram ele.

Vimos uma ou duas delas mais cedo. Perdendo sua fé no Nome em grande medida, ele se refugiu na cidade Filisteia. Ele foi para o terreno Filisteu. Qual é o resultado? Ele ficou inútil, absolutamente impotente, ele foi feito uma vergonha. Como pode ele salvar Israel em terreno Filisteu? O Senhor o libertou. Observe, se ele não pode ser abertamente derrotado pelos Filisteus, ele será sutilmente apanhado pelos Filisteus se possível. Se a carne em conflito aberto não pode obter a vantagem, a carne virá pela porta traseira, e na base de um compromisso tentará baixar nosso padrão, e nos enfraquecer, e fazer impossível levar o testemunho até sua plenitude. Mas o objetivo do Senhor com Davi era sempre levar ele a ficar livre de qualquer elemento Filisteu. Sabemos de uma instância marcante. Quando a arca do testemunho foi trazida novamente, Davi fez um carro novo, e colocou bois no carro, e colocou a arca sobre o carro; sabemos o que aconteceu. A tragédia, a detenção e meses de atraso enquanto Davi tinha que passar por disciplina na qual descobrisse a maneira de Deus carregar o testemunho – não num carro Filisteu.

Eles tinham feito um carro e colocado a arca acima até que quiseram se livrar dela. A ideia de Deus era que os Levitas consagrados carregassem a arca, não um artifício mecânico de fabricação humana. Uma ideia Filisteia introduzido em relação ao testemunho sempre traz desastre. Davi foi pego. Ele aprendeu sua lição. Davi, após uns meses de demora disse: “os Levitas devem carregar a arca”. O Senhor mostrou a ele seu erro e revelou Seu caminho a ele. O Senhor faz isso. Você observa que da parte do inimigo existe um esquema, um plano, um complô estabelecido, se possível para derrotar o propósito de Deus no levar o testemunho à plenitude e finalidade, levando esse instrumento para esse propósito a um terreno carnal. Uma e outra vez Davi ficava em perigo de deixar o terreno da unção e de por conseguinte ser privado de sua própria obra da vida, simplesmente por adotar algum método carnal. Os tratos do Senhor com Davi em todo o caminho era para levar ele para a posição onde ele pessoalmente representava o princípio do testemunho, o qual é a morte, sepultamento, ressurreição em Cristo; separação total da carne na circuncisão de Cristo. “Ora, os Filisteus!”

O Que o Testemunho É

Não sei que mais dizer nesta conexão agora. Talvez será se também tento reuni-lo em dois ou três maneiras simples. Primeiramente, lembremos o que o testemunho é. O testemunho é, numa palavra, o Senhor Jesus. É representado, como sabemos, pela arca. A arca é o representativo do testemunho. Por causa daqueles que podem não estar tão familiarizados, lembremos o que a arca é. Bem, para começar, era uma arca de madeira de acácia cobrida com ouro; essas duas coisas. Essas duas coisas são tipos da pessoa do Senhor Jesus, a acácia, Sua verdadeira humanidade; o ouro puro, Sua Deidade. Deus e homem ligados numa Pessoa. A verdadeira humanidade do Senhor Jesus e a verdadeira Deidade e natureza Divina do Senhor Jesus trazidas juntas numa pessoa.
Depois, na tampa da arca estava o propiciatório, sangue aspergido, onde Deus disse que Ele encontraria Seu povo no seu representativo, o Sumo Sacerdote, e falaria lá. “Entre o querubim e o propiciatório Eu falarei”. O propiciatório é o lugar de encontro entre Deus e o homem, onde Deus é ouvido, escutado, e onde Ele em Sua Palavra governa. Nos é dito no Novo Testamento que o Senhor Jesus é estabelecido para ser uma propiciação; a palavra literal é que Ele é estabelecido para ser um assento de Misericórdia. O Senhor Jesus é o propiciatório. Ele é o lugar, Aquele em quem Deus fala ao homem. Esse é o começo da carta aos Hebreus: “Deus...nos falou nestes últimos dias pelo Filho...” Deus fala em Cristo e Deus encontra o homem em Cristo. A própria forma de Deus dizer isso foi: “Sou o caminho, a verdade, e a vida: ninguém vem ao Pai, senão por mim”. Deus encontra o homem e o homem encontra Deus em Cristo, porém somente em virtude do Sangue derramado e aspergido. Pelo Sangue do Senhor Jesus Deus falou e, sendo isso o princípio governante de nossa vida, Deus fala em nós.

Deus governa a vida do Seu povo pelo que Ele diz em Cristo o propiciatório. Dentro da arca existem três coisas. As tábuas da lei, o vaso de ouro do maná, e a vara de Arão que brotou. As tábuas da lei, a mente revelada de Deus para Seu povo. 2 Corintios 3 e 4 explicarão a você o que é isso espiritualmente no terreno do Novo Testamento. O Apóstolo toma lá a leitura da lei por Moisés como uma ilustração. Quando Moisés lia a lei ao povo das tábuas de pedra, ele descia da montanha e colocava um véu na sua face para que o povo não olhasse ele. O Apóstolo diz: “quando alguém se converte ao Senhor o véu lhe é tirado”. Pois “Deus brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, a fim de que a excelência do poder seja de Deus, e não venha de nós”. Que são as tábuas da lei no terreno do Novo Testamento quanto à Nova Aliança? É Deus em Cristo, revelado em nós. A mente de Deus em Cristo, revelado em nossos corações. O Apóstolo diz em 2 Corintios 2 e 3 que não é escrita agora em tábuas de pedra mas em tábuas de carne de nosso coração, não com tinta mas com o Espírito Santo. Observe que é o Espírito Santo revelando a mente de Deus em Cristo nos nossos corações. De forma que Cristo é a mente revelada de Deus tomando o lugar das tábuas de pedra.

A arca é Cristo com a mente revelada de Deus nela, e agora é Cristo em você a esperança da glória. O vaso de ouro do maná, o sustento celestial, espiritual, miraculoso do povo do Senhor aqui num deserto em que a natureza não pode fornecer nada, onde os recursos essências do homem não existem, onde todos os labores do homem para produzir uma colheita são em vão. Tome um arado num deserto e veja se você pode desenvolver uma colheita lá. No deserto onde todos os recursos do homem da natureza falham, Deus do céu miraculosamente fornece sustento para Seu povo. João 6:4, “Nossos pais comeram o maná no deserto”. “Sou o pão da vida”. Cristo é o Maná para Seu povo. Este é o testemunho, que onde a natureza não pode fazer nada para nos ajudar espiritualmente, Cristo é tudo para nós. Cristo é nossa vida, esse é o testemunho.

Isto é algo muito prático, amado, que Cristo pelo Espírito Santo é revelado nos nossos corações para nos mostrar o caminho do Senhor para nossas vidas; e Cristo pelo Espírito ministrou a nosso homem interior para nos sustentar e nos levar a viver uma vida celestial no mundo. Esse é o testemunho. A vara de Arão colocada dentro da arca significava o sacerdócio que Deus tinha escolhido. As outras onze varas não brotaram, a duodécima sim, e se tornou o simbolo do sacerdócio vivente; e o sacerdócio é recolhido no Senhor Jesus. A carta aos Hebreus deixa isso claro. O sacerdócio vivente. “Ele vive sempre para fazer intercessão por nós”. Você observa que a arca do testemunho com seus conteúdos é tudo Cristo, e tem o lugar mais cêntrico na vida do povo de Deus. É o próprio simbolo da presença de Deus no meio, e Cristo em nós fala de Deus conosco. Não me atrevo a entrar em mais detalhes.
Você vê que Cristo é o Propiciatório, a Arca, o Maná, o Sacerdote Vivente, a Lei, o Sangue; isto é – é o Sangue de Cristo, o Sangue da aspersão. É dito “Me encontrarei com você entre o querubim”. O querubim onde o Nome é chamado. É o Nome de Jesus. Cristo é o Nome e Cristo é a glória. É tudo Cristo, essa arca. Agora o testemunho de Jesus é justamente tudo isso, e tudo isso tem que ser levado ao seu lugar de plenitude e manifestação e estabelecimento final neste universo no meio do Seu povo. Do que o Senhor está à procura é de trazer esse testemunho à sua plenitude e finalidade, e Ele o faz pela unção. Nossa unção é para isso. Somos ungidos pelo Espírito Santo por causa do testemunho, para que Deus possa finalmente ter esse testemunho em sua plenitude manifestada ao universo. Esse é o objetivo da unção.

Contrariando a Unção

Agora a segunda coisa, a coisa que irá frustrar, isto é se ousarmos tocar essas coisas santas com a carne; se existe homem natural não crucificado a nosso respeito que está tomando posse das coisas do Senhor; se numa forma não crucificada procurarmos indagar nos secretos do Senhor e usar os secretos do Senhor em nossa própria sabedoria, força, própria glória, para obter posição e reconhecimento e reputação para nós mesmos. Somente homens crucificados podem levar o testemunho à plenitude. Somente o realmente circunciso na circuncisão de Cristo pode operar no poder da unção. Nenhum elemento Filisteu entrará aqui. O esforço do Inimigo durante todo o tempo conosco será para conseguir alguma conexão carnal, algum terreno carnal, a fim de que ele possa destruir o propósito de nossa unção e derrotar o fim de Deus no conduzir Seu testemunho à plenitude e finalidade. Lembre disso! Oh, não devemos ter lugar.
Não existe nenhum de nós que não tomaria muito prontamente o terreno de “Não eu mas Cristo” em declaração, e no entanto podemos ter uma vontade de nós mesmos, de que desejamos isto ou aquilo; pois nós temos um gosto próprio nosso, gostamos disto e não gostamos daquilo; podemos ter um desejo próprio nosso, desejaríamos isto e não aquilo, iriamos por este caminho mas não por aquele caminho. Temos que chegar à posição em que ficamos perfeitamente abertos ao Senhor para a Sua vontade, seja qual for, por mais que possa ir contra nossos gostos ou contradiga nossas ideias, ou subverta nossas aceitações. Temos que estar na posição em que ficamos abaixados diante de Deus, este homem carnal absolutamente traspassado, e ficarmos abertos para o Senhor espiritualmente, para ir pelo caminho do Senhor. De outra maneira a unção não pode operar, o propósito da unção não pode ser realizado. Os tratos de Deus conosco são todos para se livrar da carne; não simplesmente porque o Senhor quer nos traspassar.

Ele trata conosco como Ele faz a fim de nos levar ao lugar onde a plenitude do poder da unção pode operar e onde Sua glória pode entrar, e onde Seu testemunho pode ser levado adiante através de nós para sua plena expressão. Isso é somente possível conforme abandonamos a cena e o Senhor Jesus a ocupar, e nós podemos verdadeiramente dizer não mais eu, mas Cristo.
Isto então é um sumário da história espiritual. Davi ungido em relação ao testemunho em plenitude; imediatamente a entrada de propósitos súteis do Diabo para operar nele o princípio que pode derrotar o fim de sua unção, e esse princípio é o princípio do “eu”, a força do eu, a força da natureza, da carne, o elemento carnal. É assim como o inimigo faz seu prejuízo, rouba o Senhor da glória, e toma a glória para si mesmo. O Senhor nos liberte dos Filisteus. O Senhor nos faça poderosos contra os Filisteus. O Senhor nos dê ter nenhum compromisso com os Filisteus. A natureza Filisteia está em nós por natureza, e devemos tomar a atitude descomprometida para com o Filisteu em nós, pois o Filisteu está determinado a ocupar o território de Deus e dar seu nome à aquilo que deveria levar o nome do Senhor.

Me parece algo tremendamente significante que a própria terra de Deus pretendida ser chamada pelo Seu próprio Nome e ser a terra de Israel, deva até este dia levar o nome dos Filisteus. Por quê? Simplesmente porque Israel nunca abandonou inteiramente o terreno da carne. O problema com Israel por todo o tempo é que eles não se posicionariam na separação deles para Deus. Toda a história deles era de ligações com a natureza proibida, a natureza não crucificada, e o Filisteu ter a vantagem e fixar seu nome sobre aquilo que devia ter o Nome do Senhor. Que isso não seja verdade no nosso caso. Nós levaremos o Nome do Senhor e não o dos Filisteus.

Apenas uma coisa antes de encerrarmos este capítulo. Quando finalmente o Senhor chegou até Davi e lhe mostrou a Casa de Deus, Ele tinha estado preparando ele para isso durante todo o tempo. Davi não tinha tido a revelação do propósito da Sua vida por todo o caminho, Deus tinha estado deixando ele pronto para isso, e finalmente quando ele ficou pronto o Senhor abriu caminho e revelou a ele a Casa de Deus, o Templo; e Davi obteve a visão e modelo dela e o propósito para isso plenamente em seu coração. A próxima coisa é que Davi saiu e lidou com cada um desses inimigos mencionados no livro dos Juízes. O livro dos Juízes é um livro de povos diferentes que ameaçavam Israel nos dias dos Juízes, e enfraqueciam, derrotavam, e sujeitavam Israel à escravidão. É a longa história dos anos e anos de enfraquecimento nas mãos dos diferentes povos. O livro dos Juízes é um livro de reprovação e vergonha e desgraça. O Israel de Deus estava nas mãos destes tantos povos em redor. Você percebe que imediatamente que Davi obteve a visão e propósito da Casa de Deus em plenitude, ele saiu e lidou com eles finalmente. Diz para nós que a Casa de Deus somente pode vir plenamente à existência conforme todas estas coisas que são uma ameaça para o povo de Deus forem lidadas um por um e finalmente for resolvido; todos esses elementos que são elementos carnais infringindo nas coisas de Deus são para serem colocados absolutamente fora de ação. É uma coisa gloriosa, é uma inspiração! Seja que ele entendeu tudo ou não, ele obteve uma visão da Casa de Deus em plenitude e imediatamente saiu para lidar com todos esses povos – um por um você vai contra eles no livro dos Juízes – que tinham sido a força enfraquecedora.

A Casa de Deus deve ser construída sobre o terreno de que nada da carne de qualquer tipo quer que seja possa ter uma coexistência com a Casa de Deus. É por isso que Salomão foi um homem de paz, de descanso; porque Davi o tinha feito possível. A Casa de Deus é sempre a casa do descanso; sobre este princípio, que os inimigos têm sido lidados e resolvidos, derrubados. É por isso que a Igreja veio à existência sobre a base da Vitória do Calvário. Porque no Calvário Cristo enfrentou cada inimigo para a Igreja, e lidou com isso. É uma Casa de descanso. Você e eu como membros do Corpo de Cristo somos Seu templo espiritual no princípio de que temos entrado no descanso que Ele assegurou tendo derrotado todos nossos inimigos.

A coisa básica para o testemunho é que os Filisteus têm que ser lidados, cada elemento incircunciso tem que ser excluído, e a unção é para isso. O inimigo quer destruir a unção colocando de alguma forma um elemento na nossa caminhada, relacionamentos, atitudes, julgamentos; em qualquer lugar. Sejamos salvos para uma total e completa vitória sobre os Filisteus.

Em consonância com o desejo de T. Austin-Sparks de que aquilo que foi recebido de graça seja dado de graça, seus escritos não possuem copirraite. Portanto, você está livre para usá-los como desejar. Contudo, nós solicitamos que, se você desejar compartilhar escritos deste site com outros, por favor ofereça-os livremente - livres de mudanças, livres de custos e livres de direitos autorais.