Mental ou Espiritual
por T. Austin-Sparks

Existe uma vasta quantidade de compreensão intelectual da verdade e doutrina que não está afetando a situação, não está suprindo a necessidade... Uma pessoa pode conhecer a Escritura bem minuciosamente e no entanto, ser uma pessoa estranha, rabugenta e impertinente na vida diária; ou ao entrar em relações comerciais, ser durão numa barganha e colocar outro homem contra a parede em seu próprio benefício. Você pode ter todo conhecimento e contudo não lucrar nada. É o homem natural recebendo no plano do homem natural. É apreensão natural de verdade divina, não vivificante, não é a “água da Vida, clara como o cristal”.

O servir pode ser algo muito bonito, mas morto... você pode ter grandes ideais, pensamentos sublimes, e contudo pode haver algo que torna tudo ineficiente, sem levar você a nenhum lugar. O púlpito moderno vai tão longe quanto pode, com seu próprio equipamento mental humano. Se acontecer que um homem é mais erudito e melhor educado do que outro, sua interpretação é pensada estar mais perto da verdade do que da de qualquer outro. Se ele puder colocar uma construção sobre a Palavra de Deus que é fresca, interessante, e fascinante, que satisfaz as mentes inquisitivas de seus ouvidores, eles vão com a ideia de que essa é a verdade. Isso não é nenhum argumento em absoluto – nenhum critério qualquer. Fazer da coisa toda um assunto de erudição é sair-se da rua.

Moisés era aprendido em todo o conhecimento dos egípcios, e no entanto ele teve que ter quarenta anos de isolação e disciplina. No fim, Moisés tinha que dizer, “não posso”, e então Deus pôde dizer “agora te tenho no nível onde Posso dizer, “Eu posso”. Antes de Saulo de Tarso puder ir a qualquer lugar para Deus, ele teve que falar assim: “pecadores, dos quais eu sou o principal”; sou o menor dos apóstolos e não sou digno de ser chamado apóstolo”; as coisas que tinha como lucro agora as tenho como perda”; não o recebi de homem algum, foi me dado a conhecer por revelação”; aprouve Deus revelar Seu Filho em mim”. Essa não foi uma conquista objetiva; isso é uma experiência subjetiva, e entre as duas existe toda a diferença que existe entre vida e morte...

O homem que se vangloria de conhecimentos e argumenta que porque ele tem uma maior aprovação do que qualquer outro e está portanto mais perto da verdade é provavelmente o mais cego de todos os homens... No momento em que você introduz o elemento do homem natural no ministério, você o mata. O rio da água da Vida clara como o cristal não fluirá através do canal da carne.

O que você ministra deve nascer do Espírito de Deus em seu espírito, e não deve ser interferido pela carne. Deus não deixará o fluxo do ministério vivente fluir até que a carne seja deitada para sempre na morte e nunca for mais eu, mas Cristo.

Primeiramente publicado na revista “Um Testemunho e Uma Testemunha”, Mayo-Junio 1926, Vol 4-3

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