A Sentença de Morte
por T. Austin-Sparks

Mas já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos... Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos;(2 Corintios 1:9, 4:10).

O peso da palavra do Senhor é principalmente para Seu próprio povo, mas pode haver no inicio, uma simples palavra, a qual pode nos levar de volta para o começo das coisas e alcançar qualquer um que não esteja certo de que eles são do Senhor, ou estão bastante certos de que não o são, mas que podem, não obstante, estar chegando a encontrá-Lo; e a estes gostaria de dizer novamente, com ênfase renovado, que pertencer ao Senhor, conhecer o segredo de Sua comunhão, e ter a compreensão de que você tem passado da morte para a vida, ser um filho de Deus, não é entrar num sistema religioso, embora você o chame de “Cristianismo”; e não é aderir-se a uma companhia de pessoas religiosas ou cristãos que você pode chamar do povo do Senhor, ou “a igreja”, seja onde forem achados ou sob qualquer nome que estejam levando. Ser do Senhor é receber no centro do seu mais intimo ser uma dádiva de Deus que é chamada VIDA: uma VIDA que nós por natureza não possuímos: uma VIDA que é a própria VIDA de Deus, e que somente pode nos trazer até um lugar onde o pecado não tem mais domínio sobre nós, onde somos salvos do pecado, e onde temos a garantia dessa salvação.

Existem muitos que estão lutando para serem cristãos, para serem bons, para serem melhores, ou o melhor que eles puderem ser; lutando para ser do Senhor e viver como pertencendo ao Senhor; lutando para andar com o Senhor e fazer essas coisas que são agradáveis a Ele; lutando e esforçando-se e no entanto, todo o tempo em desespero. E digo a você porquê; Satanás não pode expulsar Satanás! Satanás é o Senhor da Morte, e ele tem ganho uma base firme na própria raça desde seus começos, e a morte passou para todos, e está em todos. A natureza dessa morte é separação de Deus, e assim é com cada filho de Adão. A morte reina pela obra de Satanás, e por meio disso ele tem esta base, esta posição, este lugar estabelecido na raça, e todos nessa raça estão nesse sentido, mortos. Ora, qual é o proveito de algo morto tentar expulsar a morte? Qual é o proveito de algo que é nada mais que o fruto da morte tentando vencer a própria fonte da morte? Satanás não pode expulsar Satanás, e por isso você pode lutar ainda até o fim e cair no desespero. Você precisa de VIDA - VIDA TRIUNFANTE – VIDA PERSONIFICADA – pois se a morte é personificada em Satanás, A VIDA é personificada no Senhor Jesus que diz: -

“EU SOU A VIDA”, E “EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA”.

E você precisa dEle como a Vida residindo em seu próprio ser interior para expulsar a morte, e “para vencer aquele que tem o poder da morte, ou seja, o diabo”. Portanto, ser do Senhor é ter o Senhor, ser um cristão é ter Ele como a VIDA residindo no seu espirito, poderoso, triunfante, capaz de resistir os poderes da morte, e fazer você vencer por Sua VIDA. “a VIDA” - como este servo de Deus, Paulo, colocou: -

“A VIDA pela qual Jesus conquistou a morte”.

Ora, essa é a base de toda a experiência cristã, e, como podemos ver, do serviço cristão, e quero urgir a você, pois sei que é necessário, que seja enfatizado que não é aderir-se a uma comunhão, não é chegar numa companhia de pessoas religiosas e você associar-se com eles; não é aceitar algum sistema de ensino; não é meramente decidir por Cristo, é algo infinitamente mais do que isso, e tudo isso pode apenas provar o instrumento de sua ruína e desespero. Você pode ser infeliz até na presença da alegria celestial, você pode ser miserável até no lugar onde a luz celestial está, você pode ser envergonhado onde a glória de Deus está, você pode estar desesperado na própria presença da “Esperança que não confunde”, se você não tem a única Vida do Filho de Deus com todos Seus filhos. A única Vida! O que você precisa é a dádiva de Deus, a qual é Vida Eterna em e através de Jesus Cristo nosso Senhor. Essa é a essência do evangelho, o começo do evangelho, o fim do evangelho: é o evangelho em soma total. QUE VOCÊ TENHA ESTA VIDA.

Agora, amados, tenho dito isso, um vai continuar a falar principalmente para o povo do Senhor, embora, os outros que estão escutando podem pelo auxilio do Espírito Santo ver algo mais por eles mesmos, e o peso é isto -

MORTE COMPLEMENTARIA E MORTE ANTAGONÍSTICA.

Você verá por um olhar pela palavra de Deus, com duplo pensamento na sua mente, que a morte pode ser qualquer uma destas. A morte pode ser uma vantagem, ou pode ser uma desvantagem; pode ser complementaria, ou pode ser antagonística; pode fazer possível o propósito maior e bençãos em Deus, ou pode ser absolutamente paralisante ou nulificante para toda frutificação Nele. Agora você se pergunta como a morte pode ser complementaria ou vantajosa, o próprio terreno de frutificação, porque muitas vezes você ouve dizer que a morte é morte, e isso é desolador e árido e não há nada que possa vir disso; mas você deve lembrar que isto prepara o caminho para tudo o demais, traz você ao ponto onde tudo o demais é possível, e até que você não tenha chegado à morte não há de nenhum modo outra possibilidade. Note as passagens que lemos -

“Mas já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós”.

Essa é a própria base de tudo na frutificação e efetividade real espiritual. “A sentença de morte em nós”. É claro, aqui Paulo está indubitavelmente falando em primeiro lugar sobre algo muito serio que tinha atingido ele. No começo do capítulo, ele fala deste algo que tinha aparecido no caminho de aflição terrível, e ele disse que até da vida desesperou e tinha a sentença mesma de morte em si mesmo para que não tivesse nenhuma esperança para ele desde qualquer perspectiva humana, não havia esperança segundo todo juízo e veredicto humano. Ele devia ter morrido – a própria sentença de morte estava nele – e gosto da forma em que ele o coloca, é tão ricamente significante: ele usa apenas esta palavra PARA QUE, e lhe dá uma complexão inteiramente diferente a toda a situação. Ele podia ter colocado: “nós tínhamos a sentença de morte em nós e não podemos confiar em nós mesmos”, mas ele não o colocou dessa forma. É claro, isso seria bem lógico de se dizer, “nós tínhamos a sentença de morte em nós, estava lá; e claro, sendo esse o caso, não servíamos para nada em absoluto, não havia nenhuma esperança, e portanto, não podemos confiar em nós mesmos”.

Mas ele não o colocou dessa maneira. “nós tínhamos a sentença de morte em nós, PARA QUE”. Existe um propósito nisso – há um objetivo nisso – existe algo nisso como base e principio fundamental. Ele percebeu que não era o fim mas o começo, com um projeto de que não confiássemos em nós mas em Deus que ressuscita os mortos. Logo assim, a sentença de morte não era o fim de tudo, era o começo de tudo. Havia um propósito real neste assunto, e se você tomar o ensino do Espírito Santo no Novo Testamento, você encontra que isto tem se tornado o principio fundamental de todas as atividades e operações Divinas. A sentença de morte passou sobre nós e registrou em nós e operou em nós, e todo o tempo outra coisa está fazendo a obra de Deus, triunfando sobre esta sentença de morte em nós – a outra coisa que está em nós, operando através de nós, dando-nos ascendência sobre a morte em Cristo: para que as coisas maravilhosas de Deus sejam manifestas por nós, quando não há responsabilidade para elas em nós. O Senhor lançou fora de uma vez a inteira base da confiança em nós mesmos – lançou fora para sempre qualquer esperança nossa, não para nos destruir, não para fazer tudo impossível, mas PARA QUE Ele que ressuscita os mortos possa mostrar as poderosas obras por esta Vida de Ressurreição, a qual é frutífera em nós.

Tem você notado isto, não sei de onde saiu, se foi satânico ou inspiração divina, que ainda Herodes, “essa velha raposa”, quando foi lhe reportado que o Senhor Jesus estava fazendo Suas muitas obras poderosas, disse, este é João o Batista, ressuscitado dentre os mortos, portanto, estas poderosas obras são mostradas!” Ressuscitado dentre os mortos – obras poderosas! Como ele obteve essa alusão, não sei, mas tem este principio, que a ressurreição dentre os mortos implica obras poderosas – obras mais poderosas daquelas dantes da morte.

Tem isto lá, e este é o principio por todo o percurso da Palavra, que na base de uma Vida forjada em nós por meio da cruz pela ressurreição de Jesus Cristo, Deus é capaz de realizar e atingir Seu propósito supremo. Mas a fim de fazê-lo, a sentença de morte deve estar firmada bem no centro de nossa antiga vida para descartá-la, para que onde desesperemos da vida em nós e não tenhamos confiança em nós, saibamos que não podemos de nós mesmos conseguir nada, está esta poderosa Vida de Deus para tudo. Isto que é “Cristo em você”, a Vida de Deus, a esperança da glória.

Deus nos trouce até este mesmo ponto, a fim de que possamos não confiar em nós mesmos, mas em Deus “que ressuscita os mortos”. Você nota que Paulo coloca o tríplice resgate da obra de Deus imediatamente defronte a isso – e nós sim confiamos Nele que nos resgatou e nos resgata, e cremos que Ele ainda nos resgatará, que não seremos completamente engolidos pela morte, mas na morte, mantidos em Vida.

Ora, este é apenas o principio das coisas, a base. Este é o assunto que está com um, com força tremenda nestes dias, que se você vai ser efetivo na esfera onde o príncipe, o Senhor da Morte reina, você não poderá ser efetivo pelos meios e recursos da nossa vida natural, por mais excelentes e esplendidos que eles sejam desde a perspectiva natural. A única coisa que pode ser efetiva nessa esfera é a Vida por meio da qual Jesus conquistou a morte, e para que essa Vida tenha pleno domínio e livre curso, e a máxima e mais plena frutificação dessa Vida como triunfante sobre onde a morte abunde, tudo pelo qual o inimigo tem qualquer posse (nossa vida natural), tem que ser colocado para fora, e não devemos ter nenhuma confiança em nós mesmos para esta obra.

Isso imediatamente define e delimita a medida da efetividade espiritual. É a medida de Sua Vida aparecendo através da sentença de morte estando em nós. Estes clamores do apóstolo no quarto e sexto capítulo desta segunda carta, em relação às oposições, adversidades, provas, aflições – ele vê em tudo isto uma grande vantagem para a Vida de Deus, e que esta morte é realmente complementaria para o propósito de Deus, que está auxiliando o propósito de Deus. Paulo sempre olhou a estas coisas dessa maneira. Ele via que essas coisas as quais poderiam ser tidas como impossíveis de frutificação para Deus, eram essenciais para fazer essa frutificação possível. A morte mesma não é o fim de todas as coisas, mas é o principio das coisas no que tange a Deus, e portanto ele dirá, “uma porta grande e efetiva está aberta para mim”, e sem murmuração ou reclamação, “mas há muitos adversários”, antes com o complementário “E há muitos adversários”. Isto é, que estas coisas são incluídas na grande e efetiva porta para torná-lo ainda mais efetivo. O fato de que existem adversidades não dá nenhum motivo para sentarmos e recusarmos a entrar pela porta, mas é o próprio motivo pelo qual devemos entrar nessa mesma porta para provar como de efetivo é. Coisas que homens considerariam ser contra são justamente as coisas que são para Deus, e a morte torna-se Seu cativo e o Senhor da Morte Seu escravo para servir Seus maiores fins, por isso que a morte deve ser registrada em nós a fim de que Sua Vida possa mostrar o tipo de Vida triunfante que é. Estes paradoxos de Paulo são muito bonitos.
Agora, amados, estamos bem acima do encontro com toda esta situação, a situação em relação com o sistema do mal espiritual e morte espiritual. Temos dito muitas vezes recentemente que temos passado, e estamos passando mais completamente da era e tempo de certas ordens da obra cristã. Acho que é reconhecido pela maioria da gente com mentalidade espiritual que as velhas formas de empreendimento cristão – atividades religiosas organizadas – estão quebrando, estão falhando por todo lado. Parece que o coisa tem sido rejeitada e não pode mais suprir a necessidade.

Temos passado a um novo tempo, uma nova fase na qual acreditamos ser a fase culminante na época em que entraremos mais diretamente em conflito com as forças das trevas – com o poder de Satanás. A igreja tem por muito tempo enfrentado ele por meio de coisas, e agora vai enfrentá-lo face a face; e esse é o tempo e condição no qual estamos movendo-nos agora. Estamos encontrando que meios e antigas formas e instituições e organizações não podem enfrentar o mais direto confronto com o inimigo. Estamos sendo forçados a reconhecer a necessidade de algo mais, e esse algo mais é simplesmente a Vida nua de Deus como manifestada na ressurreição do Senhor Jesus Cristo entrando em tremendo contato com o sistema inteiro da morte e trevas. Essa é a nossa posição.

Quantos de vocês são capazes de apreciar isto, não sei, mas sei que existem alguns que podem apreciá-lo. Deus sincroniza Suas provisões com necessidades reconhecidas e percebidas. Agora, o movimento é para ser junto desta linha, onde a Vida de Deus, sem mistura com os recursos dos homens, com maquinaria humana e direção e iniciativa humana – a mesma Vida de Deus tem que ser diretamente, imediatamente, nuamente manifesta na igreja na última fase da batalha para o último triunfo. A fim de que isto possa ser assim, deve haver este tremenda ênfase de Deus sobre a necessidade da aniquilação de tudo o que permanece no caminho de uma pura e clara manifestação de Sua Vida, e do entrelaçamento dessas coisas nas quais há morte, isto é, a vida natural do homem. Toda essa mistura tem que ser removida, e Deus está vindo na hora, tem vindo na hora, em que Ele vai ter tratos muito estreitos com Seu povo, para que você não toque a terra, não toque a carne, não toque o mundo, você não pode tocar nada em que haja morte, sem ao mesmo tempo ter um controle e detenção registrada sobre sua efetividade espiritual; você tem que permanecer absolutamente desimpedido.

É por isso que Paulo neste quarto capítulo, falando sobre a Vida de Deus sendo manifesta em nós porque “sempre levamos a mortificação do Senhor Jesus” imediatamente continua a dizer, “não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; e que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?” Que comunhão, que concórdia? Estes dois são polos à parte, e absolutamente antagonísticos, “por isso, saí do meio deles, e apartai-vos”. E na medida em que houver esta saída e separação, sendo cortado de tudo onde está a morte, e uma entrada naquilo onde está a Vida, pode haver uma manifestação da Vida triunfante e efetiva do Senhor ressuscitado em nós. Sempre há um grande propósito, tão grande como a eternidade e tão grande como Deus mesmo, em cada injunção na escritura, não apenas um pouco de conselho espiritual; é tão grande e excelente como Deus mesmo, e tão vasto como Seu Eterno propósito, e quando Ele diz, “não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis”, Ele não está apenas dando você um pouco de conselho espiritual que poupará você de problemas em seus afazeres domésticos. Ele está estabelecendo um vasto principio, de que efetividade espiritual até o máximo depende de você estando fora do âmbito do tormento da morte no que diz respeito a seu espirito e sua vida voluntariamente vivida.

Quero ficar um momento aqui – o Senhor pode ajudar alguns. Amados, o principio da Vida em seu espirito é para ser o principio orientador de tudo seu serviço no Senhor Jesus Cristo. Não me refiro à Vida em seus arredores. O Senhor pode levar você a um lugar onde a morte reine, mas se a morte reina em você, você pode também desistir de todo o assunto de uma vez. Você pode estar lá, e a Vida de Deus pode estar em você para suprir essa situação, para triunfar sobre ela; mas note bem, se você começar a tocar o que você chama, pedaços da obra de Deus, e não haver Vida em seu espirito, e a coisa está morta em seu espirito, você não tem direito lá até que você obtenha em seu espirito a Vida de Deus relativa a essa questão. Não a toque, ou você se encontrará em obras mortas, tentando fazer alguma coisa onde não existe principio vital nenhum.

Agora note, está tudo bem ter uma visão ampla e dizer, sim, mas o Senhor Jesus Cristo, como a Vida, veio ao mundo onde há morte a fim de salvar o mundo, e essa Vida pode ser tomada como a base ampla sobre a qual devemos entrar em qualquer obra para o Senhor que parece oferecer-se a si mesma ou é apresentada a nós. Mas isso não é critério nenhum. Houve um tempo em que o Senhor Jesus reconheceu em Seu espirito que o propósito vivo de Deus foi preso com relação a certas situações, e Ele não teve testemunho da Vida lá e saiu. Nós cremos que esse foi o caso de Israel como uma nação. Ele reuniu toda a situação no incidente da figueira. Lhes ministrou, lhes testemunhou por um longo tempo, mas o momento da maldição de Deus teve que cair sobre ela (que é a maldição de Deus? É morte), a partir desse momento Ele terminou com Israel. Ele não tinha nenhum ministério para Israel como tal; Ele reconheceu em Seu espírito que havia morte lá, e não adiantava ser sentimental sobre o pobre Israel, não adiantava tentar agir sobre a base de simpatia humana e compaixão, tendo imaginações e imagens mentais do que poderia ser feito e o que pode ser feito; aquilo foi um fim. Estou apenas usando isto como ilustração, pois efetividade espiritual demanda que tenhamos o testemunho da Vida em nossos espíritos. Muita gente persiste e continua em certos âmbitos, certas esferas, certas companhias, certas conexões, e eles estão lá meramente desde o ponto de vista do razonamento e argumento natural, sentimentalmente, tradicionalmente, ou pensando de alguma forma que por ficar em alguma coisa, vai ser feito; e em seus espíritos eles sabem que a coisa está morta, e eles não têm Vida lá. Não é esse o testemunho da Vida para eles, que eles sirvam Ele onde eles tenham Vida, onde o testemunho da Vida está neles, e um espírito de promessa? Se tudo em volta está morto e eles não têm Vida em seus ministérios, certamente algo está errado, a porta está fechada. É importante que para efetividade espiritual até o remate, o testemunho da Vida em nós deve nascer.

Claro, temos deixado de lado em nós mesmos aquilo que pode trazer a morte – temos ficado junto à cruz e visto que a sentença de morte deve estar em nós como tal, a fim de tornar a Vida possível; mas se isso já foi lidado e temos a sentença de morte, e não confiamos mais em nós mesmos, mas colocado nossa fé Nele que ressuscita os mortos, então temos o direito de reivindicar e receber o testemunho da Vida de Ressurreição em nós para o ministério como o Senhor designe, e no dia em que o Senhor trazer morte sobre algum espirito em qualquer esfera ou tipo de ministério, esse é o dia quando alguém começará olhar para ver aonde o Senhor vai dar o testemunho da Vida para o ministério. Isso é importante.

Não sei por que o Senhor dará a alguém tal ênfase sobre isto, mas não adianta você continuar a realizar a obra de Deus quando você tem morte no seu espírito. Nada sairá disso; soltá-lo, e peça ao Senhor para trazer você até um lugar onde você possa em seu espírito dar testemunho pela Vida – a Vida pela qual Jesus conquistou a morte, para enfrentar a situação como está em votla de você.

Agora veja uma coisa que Paulo diz nesta mesma conexão, neste capítulo de abertura na sua segunda carta: “as aflições de Cristo que viram sobre nós, mais do que podíamos suportar. Desesperamos da vida, a sentença de morte estava em nós”. Como o apóstolo considerava as aflições de Cristo? Você lê qualquer coisa que o Espírito Santo diz sobre este assunto, e você encontrará que está sempre relacionado a um testemunho, ou para colocá-lo desta maneira, as aflições de Cristo, os sofrimentos de Cristo estão intimamente relacionados a, e, de fato, inseparáveis de, quem Cristo é, e que Ele vai realizar. O impacto de Cristo com o propósito de Deus sobre o sistema ao qual ele tinha chegado, imediatamente precipitou todo este assunto da aflição. Você pode sair e realizar obra cristã, e você pode fazê-lo de tal forma e por meios como para reduzir sofrimento a um minimo, ter um tempo comparativamente calmo e fácil. Você pode parecer ter nessa esfera uma tremenda quantia de sucesso, a coisa está começando a ficar grande e prospera. Amados, não pense nem por um momento que isso é sempre um testemunho para vitalidade espiritual.

Por outro lado, você pode sair no serviço do que você chama o Reino de Deus, e sofrer muito por se contrapor às tradições dos homens, ou ao sistema aceitado do dia, ou à mente popular pública, e, como um reformador, morrer uma morte de reformador. Sendo rejeitado e recusado, e talvez assassinado. Isso não precisa também ser um critério para efetividade espiritual. Quantos há que foram enganados ao longo destas duas linhas, e oh, tragedia das tragedias, quantos dos queridos do Senhor estão sofrendo por aquilo que eles chamam Sua obra, sem real valor espiritual e resultado, sem avanço, sem firmar o padrão da vitória de Sua cruz no território inimigo! Eles saíram pelo Senhor, e estão sofrendo, tendo um tempo difícil, um mau momento, mas nada está vindo de tudo isso. Eles têm se contraposto a um sistema, tradições, contrapõem-se a preferencias pessoais e gostos da humanidade. Você pode assumir que nunca, em união corporativa com o Senhor Jesus Cristo está se movendo para o cumprimento de Sua missão sem que traga Seus sofrimentos sobre você. Quanto a isto, se você está em união corporativa com o Senhor Jesus e você está com Ele, e Ele está em você para a realização de Seu propósito, não precisará haver nenhum sofrimento infrutífero, todos os sofrimentos serão frutíferos. A explicação, é claro, é que o mundo, não sendo um fim em si mesmo, mas sendo abraçado, circulado por todo este sistema de antagonismo espiritual, sabe quem Jesus é e sabe o destino de Jesus segundo a vontade e determinação de Deus, e por isso, todo seu antagonismo e ira é suscitada desde o fundo contra Ele e contra Ele em Sua apresentação corporativa, assim como também em Sua Pessoa, contra Ele na forma de Seu Corpo, o único Corpo o qual é Cristo, tanto quanto contra Ele como entidade separada.

Bem, estes são os sofrimentos de Cristo relativos à obra e pessoa de Cristo, mas eles são sofrimentos poderosamente eficazes, e o apóstolo reconheceu isso e o assinalou. Os sofrimentos são sofrimentos frutíferos, são poderosos sofrimentos porque eles representam o desafio do Cristo de Deus, e implicam não Sua derrota, mas Seu triunfo. Satanás não se incomodaria se soubesse que Cristo poderia e seria derrotado; Ele se agita porque sabe o fim deste assunto, o que significa, a vinda do Cristo de Deus a seu domínio. Agora, a fim de que isso seja assim, essa mortificação do Senhor Jesus para tudo aquilo ao que Ele morreu, é a coisa que tem que ser excluída para que os fatos de Sua Vida possam ser realizados e manifestados, e oh, que o povo de Deus tenha discernimento, discernimento espiritual!

O único clamor em nosso espírito é que Seu povo possa ser mais discernente, ser capaz de discernir em seus espíritos onde há Vida e onde há morte. Sabe, aceleraria e expediria todo o assunto se tivéssemos mais deste discernimento quanto a questões de vida e morte. Você sabe quão frequentemente temos tentado fazer algo para o Senhor, fazer algo com o melhor motivo para o Senhor e tem havido morte dentro. Morte! E contudo, temos tentado fazê-lo, forçá-lo, e não há nada, mas desperdiço de energia e tempo. Temos que entrar ao que Deus está realizando, pois somente nisto podemos ter o testemunho da Vida que é de Deus e passaremos. De modo que Ele possa ser capaz de consumir Seu propósito, reunir Seu plano e trazê-lo a uma poderosa, vitoriosa questão na vinda do Senhor, nossa necessidade é ter a Vida mais abundante, e o discernimento espiritual pela Vida para saber onde há Vida e onde há morte.

Você pode estar realizando o que você chama da obra de Deus e ter morte em seu espírito; e realizando isso mesmo que você chama a obra de Deus, porque há morte em seu espírito, é antagonístico ao propósito de Deus. Você pode ter Vida em seu espírito e morte por toda volta, mas o fato de que você tem o testemunho da Vida é tanto a chave e a garantia de que algo é para ser completado.

Creio, amados, que não ousemos fazer nada a menos que tenhamos testemunho definido em nosso espírito de que é a coisa de Deus a ser feita através de nós. Não podemos tomar estes cursos, e devemos ter o testemunho da Vida, e não tomar a concepção geral de que o mundo é para ser salvo, e por isso devemos sair ao mundo para salvá-lo. Não cometa esse erro, o mundo não será salvo. Você pode dizer “o mundo inteiro para Jesus”, mas Deus está querendo tirar um povo das nações, e esta parte da dispensação não verá o mundo inteiro para Jesus. Está Deus nisto? Está Deus naquilo? Tem Deus o empreendido? A resposta a essa pergunta em seu espírito não será uma voz audível. Deve sempre ser a liberdade e independência, e a elevação de Sua Vida em você que dá a você um caminho livre no seu espírito.

O Senhor portanto nos ensina como sermos guiados, em nossos espíritos pelo Espírito Santo, para que Ele possa trazer-nos ao lugar onde o máximo de efetividade espiritual é obtida, e para que isso seja desse modo, amados, “devemos ter a sentença de morte em nós mesmos (nossa carne), para que não confiemos em nós” e “sempre tendo a mortificação do Senhor Jesus, para que Sua Vida possa ser manifestada”.

Deus somente opera agora em terreno de ressurreição, pela Vida de Ressurreição, e esta vida em nós é a base de operações do Espírito Santo em revelação e serviço.

A lei do Espírito é Vida. Romanos 8:2.

Primeiramente publicado na revista “Um Testemunho e Uma Testemunha”, Nov- Dic 1927, Vol. 5-6.

"The Sentence of Death"