"Este Ministério"
por T. Austin-Sparks

Leitura: 2Cor. 4:1-7

O primeiro versículo contém a cláusula sobre a qual tudo nesta carta pende, “Por isso, visto que temos este ministério”, “este ministério”. - Reconhecemos que esta carta é escrita para os crentes em Corinto, e uma das características desta carta, e das cartas de Paulo em geral, é a maneira na qual ele une aqueles a quem ele escreve consigo mesmo, e ele mesmo com eles, e o faz um só assunto. Ele não está dizendo, “Por isso, visto que tenho este ministério”. Ele está dizendo, nós temos este ministério, e se olharmos para trás e para frente veremos como ele traz eles em unidade com ele próprio. É um dos seus grandes princípios. É básico para o que o Apóstolo esta procurando fazer, porque estes Coríntios desafiaram ele muito seriamente e levantaram muitas questões acerca dele, alguns disputando seu apostolado, e ele se encontrou com bastante suspeita e duvida e oposição. Ele é um homem na presença de pessoas na igreja que não gostam dele, e não querem ele, e que excluiriam ele e prefeririam outros à ele, e ele tem que enfrentar uma dificuldade como essa. A dificuldade que muitos ministros tiveram que enfrentar. Como você vai lidar com pessoas na igreja que realmente não gostam de você, e não querem você, e estão dizendo todo tipo de coisas acerca de você que são indignas? Uma expressão da sabedoria do Espírito Santo é que Ele se une a Si próprio com eles e os envolve em sua própria posição e envolve a si mesmo na deles e lida com isso como algo em comum. Paulo desce diretamente até eles e fala a eles como se eles todos estivessem enfrentando dificuldades em comum.

E assim ele diz, “Nós temos este ministério”. A razão pela que menciono isto é para que todos nós reconheçamos que nós temos este ministério. Isto não pertence a um certo círculo chamados “ministros” ou “missionários” em algum sentido oficial. É o ministério de cada filho de Deus. Tem suas formas intensificadas naqueles que são separados para o evangelho numa maneira especial, mas todos nós o temos. Não estamos pensando do “ministério” como uma coisa separada e cercada em volta pertencendo a uma determinada classe de pessoas, mas é a casa inteira de Deus e o corpo inteiro de Cristo. É o ministério de cada membro, e cada um de nós no ministério, e portanto estas palavras aplicam-se a você numa maneira muito definitiva. Nós temos este ministério.

Aqui você tem o ministério revelado de acordo à mente de Deus. É tremendamente importante reconhecer como o ministério e o ministro são um. Essa é uma das fundações aqui nesta carta. Você não pode separá-los. O ministério nunca será mais do que o ministro, e o ministro, no que ele é, faz o ministério. E assim esta carta, que tem a tratar muito com este ministério está mesmo muito cheio do que é autobiografia. É a vida interior do servo do Senhor. A história espiritual interior do servo de Deus está aqui, e ele não hesita em apresentar a história espiritual, pessoal, interior dele neste mesmo principio do que o ministério é, afinal de contas, somente a expressão do que o homem é em sua história espiritual interior – o que o servo do Senhor é com o Senhor mesmo. O ministério e o ministro estão entrelaçados, e o ministério é a exteriorização do que tem acontecido em secreto com o Senhor na parte do servo do Senhor.

Isso nos livra totalmente de uma esfera profissional e nos tira da esfera onde falamos em “aceitar” uma obra cristã, ou “entrar no ministério”. Não há nada no Novo Testamento que sugeriria uma entrada mecânica no que é chamado a obra do Senhor. Você não pode aceitá-la. Você não pode entrar nela. É a expressão espontânea de sua história interior com Deus. E, depois de tudo, o ministério é principalmente uma questão de pessoalidade. Mas isso precisa de proteção. O que é a pessoalidade? Estou falando disso no sentido mais alto, espiritual. A pessoalidade é o caráter formado em secreto com Deus. Se você conseguir expressar para fora o interior disso, você terá percorrido um longo caminho no entendimento do “ministério”. É a expressão entre os homens do que tem acontecido à parte dos homens, onde os homens não têm visto e não sabem, onde eles são incapazes de traçar o que está acontecendo. A história profunda, interior, secreta onde o Senhor somente sabe o que está acontecendo. E às vezes até o próprio indivíduo não sabe o que está acontecendo.

Deus levou ele para uma esfera além das suas próprias profundezas e onde certamente ninguém mais entende ele, e é lá que a pessoalidade espiritual está sendo formada. E então por fim, desses profundos tratos de Deus com ele, do lugar secreto surge com uma mensagem, e não é algo que ele arranjou e preparou e colocou num papel. É a expressão de algo que Deus tem feito nele, não apenas algo mostrado a ele, mas feito nele, pois o mostrar vem após o fazer. Ele mostra o significado do que Ele tem feito, e isso faz a mensagem.

Logo, quando você chega ao final, Deus começa a interpretar o que Ele esteve fazendo e você sai com um testemunho. O Senhor Jesus mesmo teve esta experiência. Nós indicamos o outro dia que quando Ele saiu e ficou publicamente diante do céu e homem e inferno, duas coisas aconteceram. Por um lado o Pai disse, “Tu és Meu Filho Amado”. Por outro lado, “Este é o Meu Filho Amado”, chamando a atenção dos homens a Ele como aprovado de Deus. Estas duas coisas foram o resultado de trinta anos de história secreta com Deus. Não foi que Ele aceitou esse ministério e obteve um tipo de ordenação Divina. Ele esteve vivendo um longo tempo diante de Deus em secreto. Possivelmente uma das razões pelas que há uma parada à idade de doze anos é porque o Senhor Jesus estava realmente tendo uma concepção da obra de Sua vida - “Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai?” Ele está repudiando José ali mesmo, e Ele está ligando a Si próprio com Seu Pai, assim realmente, como moço, Ele teve a concepção do Seu relacionamento celestial. E pense, isso crescendo numa jovem masculinidade, Ele só pode crer que durante um período de anos Ele estava todo o tempo vivendo em vista de um dia que parecia nunca chegar, quando Ele entraria na obra da Sua vida, e Ele teve que viver pelo tempo de aparente inação espiritual, não alcançando a Sua real obra da vida, não entrando na Sua obra, mas vivendo a Sua vida diante de Deus, bem agradável a Deus, de modo que quando o dia chegou e Ele foi capaz de discernir, Ele apareceu com as palavras, “O tempo está cumprido”. Se, durante este tempo anteriormente, tivesse havido aquilo que não era agradável ao Pai, os céus não teriam sido abertos. A pessoalidade e caráter desenvolvidos no lugar secreto com Deus. Seus irmãos não acreditaram Nele, Sua mãe não falava sobre isso, assim Ele teve que simplesmente viver em secreto com Deus.

Isso é um principio básico do ministério. É uma coisa trágica receber um jovem ou uma jovem e dar a eles um tempo curto de escola Bíblia e empurrar eles para a plena responsabilidade da obra de Deus. Eles não têm a profunda história forjada em secreto com Deus, a qual faz a eles capazes de enfrentar a força total da oposição Satânica. Ou eles irão ficar em pedaços ou a comprometer-se e descer a um nível mais baixo. Não há perda de tempo em ficar afastado. Deus nos levaria pelas profundezas. Nós achamos que tudo parece ficar atrasado, mas logo saberemos. Algo está acontecendo para nos fazer ministros capazes da Nova Aliança. Não é preparação colegial, não é treinamento nas escolas; é uma história secreta com Deus.

Paulo ficou mais de doze anos na igreja em Antioquia, porém os santos estão levando em consideração. Saulo sabe por meio de Deus qual é a obra de sua vida, e me pergunto se ele se irritou durante esse tempo. Mas ele ficou lá, e em secreto ele estava aprovando-se diante de Deus, e quando o Espírito Santo diz aos anciãos “Separai-me a Saulo” não há duvidas na mente deles de que este homem demonstrou ser mesmo. Eles estão prontos para atuar imediatamente porque Deus nesse período de tempo chamou a atenção deles para este homem e fez eles levarem ele em consideração. E assim eles sabem, e quando o tempo do Senhor chega eles o fazem. Eles impuseram as mãos sobre eles e os deixaram ir.

E portanto, este ministério não é um ministério profissional, não segundo o sistema de nosso dia. Porém, este ministério sai de uma história secreta com Deus, e este ministério demanda isso, e não pode ser efetivo além da medida do que tem sido forjado no lugar secreto com Deus. Não fuga de Deus para entrar no seu ministério.

O caráter deste servo tem sido formado. Cristo está entrelaçado com o ministério dele. “Paulo, servo de Deus pela vontade de Deus”. A segunda característica deste ministério é “pela vontade de Deus”. A maneira na que Paulo começa suas cartas dará a você a chave para o que ele vai dizer. Ele está aqui estabelecendo de uma vez a autoridade do seu ministério. É “pela vontade de Deus”. Ele vai dizer a você o que o ministério é pela designação de Deus. E somente o ministério que tem este respaldo tem a autoridade de Deus. É algo tremendo ter o selo Divino. Como conseguimos entrar no serviço do Senhor? Ficamos de repente interessados na obra cristã e a aceitamos? Como foi que entramos? Como é que temos ficado? Estamos aqui porque sabemos que é a vontade de Deus?

Este ministério deve ter a autoridade de Deus nele, e a autoridade de Deus é a atestação desde o céu que entra no seu próprio coração quando Deus vê em você o desenvolvimento em secreto do que Ele estava procurando realizar. Você nunca terá a ordenação Divina até que você tenha sido “aprovado para Deus”. Deve ser quando Suas mãos são impostas por meio de um céu aberto. E por isso não podemos ser demasiado fortes na nossa ênfase sobre a necessidade e a importância de uma vida secreta com Deus respaldada de todo ministério. “Ele deu uns para apóstolos, outros para profetas,e outros para evangelistas; e outros pastores e mestres”. O dom sofrerá e ficará puramente profissional a menos que a história secreta espiritual seja mantida em plena força. Um dos perigos da atividade cristã é que você fica tão ocupado que você negligencia a história secreta. Você perde a base e logo você começa a descobrir que você não tem aquilo que satisfaz a demanda. Você está perdendo o controle e poder, na estrada para o colapso. É a perda do lugar secreto e história secreta com Deus, e uma das coisas que qualquer servo de Deus tem que fazer é refutar essa medida de atividade que vai além da possibilidade de manter uma adequada história secreta com Deus. Temos que resolver isto, tão difícil como seja. Aqui há um chamado para o ministério; não é para nós o aceitar simplesmente porque é uma inauguração para fazer algum bem. Devemos ir ao Senhor em secreto. Nós nunca devemos ser chamados porque é uma oportunidade para fazer o bem. O inimigo nos manteria tremendamente ocupados. Um dos perigos nestes dias é estar sempre ativo nas coisas exteriores, e seu tempo com Deus ficando menor e menor. Este ministério é fundado numa vida profunda com Deus em secreto.

Deus deve ser capaz de nos manter constantemente verificados em secreto. Devemos voltar para Deus e ter esses momentos calmos onde o Senhor pode constantemente dizer para nós, “você lembra disso e aquilo. Isso não estava certo. Você tem que corrigir isso”. Talvez temos dito algo errado ou falhado em dizer algo que devíamos ter dito. Deus nunca o negligencia, e se nos dermos a Deus o momento calmo Ele traria essas coisas e seriamos lembrados delas. Mas se passamos por cima dessas coisas, afinal o Senhor nos deixará mergulhar. É o que um homem é diante de Deus, e não o que ele é diante dos homens.

“Este ministério”. O que é este ministério? É o único ministério que Deus aprova. Pregar o evangelho não é a primeira coisa neste ministério. “Porque Deus, que disse: Das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo”. A luz do glorioso evangelho de Jesus Cristo brilhou em nossos corações. Que é o que cerca isto? O capítulo anterior nos leva de volta para Êxodo 24. Moisés tinha estado com o Senhor. Ele não sabia que a pele do seu rosto resplandecia, mas o povo o viu e não podiam olhar ele. E ele estava, depois de tudo, somente lendo a lei. Era legalismo, era a lei da morte.

Mas aqui está a lei da vida em Cristo. O Deus, cuja glória estava na face de Moisés, naquela ocasião sob um véu, brilhou sem um véu em nossos corações. Não há véu na face de Jesus Cristo, e a face desvendada de Jesus Cristo é revelada em nossos corações pelo Espírito Santo. “Deus brilhou em nossos corações”. Para quê? Para o mesmo propósito como com Moisés – para dar a conhecer a mente de Deus para outros. Como os outros vêm a conhecer a mente de Deus? Pela glória de Deus na face de Jesus Cristo sendo manifestada partindo de nossas vidas interiores. A partir disso, outros são capazes de ver o Senhor; que nós tenhamos um conhecimento interior radiante de Deus. “Cristo em você a esperança da glória”. Deus brilhou e nos fez, não meramente no que dizemos, mas no que somos, uma expressão de Cristo como a revelação de Deus. Isso é o ministério.

Se isso fosse aplicado para todo ministério hoje, me pergunto quanto sobreviveria. Quanto de ministério hoje é a emersão do que é conhecido da glória de Deus no coração? Isso é o que devemos ter – uma história secreta com Deus. Se todo nosso ministério fosse assim, quanto mais seria efetuado para Deus.

“Temos este tesouro (este desvendar do Senhor Jesus em nossos corações) em vasos de barro frágil”. Ele nos impede de tomar alguma da glória para nós mesmos”. Que reflexão da revelação de Jesus Cristo! A excelente grandeza do poder de Deus revelado em nossos corações! Você ora por poder no seu ministério? Obtenha a excelente grandeza do poder de Jesus Cristo em seu coração e você não poderá ter poder maior.

Portanto, você vê como o diabo está aí para cegar a mente. Pois, uma vez que a luz do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo sucede, seu governo chega ao fim. É a revelação de Jesus Cristo que vai espalhar o inimigo. Quando Ele for revelado, o dia do inimigo acabou. E a sobre-excelente grandeza do poder neste ministério é para que tenhamos o brilhar interior de Deus revelando Sua glória na face de Jesus Cristo nos nossos corações. Pode que não seja ministério na plataforma. É no ministério do Senhor que estamos, e é para haver uma expressão do poder de Deus em cada pedaço dele.

O ministério é a apresentação de Jesus Cristo. “Aprouve Deus revelar o Seu Filho em mim, para anunciar Ele entre as nações”. Foi o brilhar interior de Jesus Cristo que fez de Paulo um missionário. É expor Cristo. Isso é o ministério, e devemos fazer disso a nossa oração para que o que conhecemos do ministério por nós seja uma apresentação de Jesus Cristo. É a glória do Pai, e nada pode ficar diante disso. A fim de que assim seja, o vaso deve ser de tal modo que não subtraia nenhuma glória Dele. Ele o manterá fraco para que tudo seja para Sua glória. Devemos reconhecer a natureza do ministério diante dos quais principados e potestades não podem suportar. Não é o que dizemos. É a medida na qual o Senhor Jesus é mediado como a glória de Deus que conta.

O Ministério é o ministério de Cristo e é constituído unicamente sobre a base do que Cristo é no nosso interior. Esse é o exame para o ministério. Esse é o certificado do ministério. Paulo lhes diz literalmente, “você são nossas epístolas, lidas e conhecidas por todos os homens”, - vocês são nosso certificado do ministério. Pelo qual ele quer dizer que eles são o resultado do que o Senhor Jesus tem sido em nós. A verdadeira credencial do ministério é o que o Senhor Jesus é em nossos corações. Vendo que é Cristo no interior que constitui o ministério; essa é a ministração de Jesus Cristo, somos capazes de tomar este passo a mais e ver que Cristo revelado no interior representa uma posição para a qual temos chegado. Representa que temos chegado a um grande lugar. Significa que temos chegado além do Jordão.

Você está familiarizado com a diferença na herança sob Moisés e sob Josué, e você lembrará que sob Moisés haviam duas tribos e meia que obtiveram suas heranças no outro lado do Jordão. Moisés permitiu eles o fazer embora não fosse a primeira vontade de Deus. Sob Moisés Ele deu a eles uma herança no outro lado do Jordão, mas todo o resto tiveram suas heranças além do Jordão na terra e para eles foi uma questão de plenitude. Para os outros, foi parcial e suas heranças foram possuídas sem chegarem na terra pelo caminho do Jordão. E contudo Moisés deu este mandamento para que eles vissem seus irmãos além do Jordão, assim eles tiveram um tipo de relacionamento com aqueles que foram além do Jordão, mas não de uma maneira experimental. Foi de uma maneira formal. Não foi de uma forma subjetiva, foi de uma forma objetiva. De modo que o significado do Jordão para eles foi objetivo e não subjetivo.

O Jordão, como temos ouvido, representa toda a obra do Senhor Jesus na Sua Cruz – tudo que foi ligado na morte e sepultura e ressurreição do Senhor Jesus. Você pode tê-la objetivamente e ter uma herança, porém, se você tê-la subjetivamente, você tem uma herança muito maior. As duas tribos e meia tiveram os benefícios do objetivo somente – aquilo que Cristo fez por eles. Os outros foram além e tiveram o que Cristo tinha feito por eles e também o que Cristo fez neles. Não é pela coisa exterior somente que nos regozijamos. Os outros foram além numa maneira interior e eles tiveram a plena herança da terra. É sempre melhor ter o Jordão, com tudo o que significa, entre você e seus inimigos. Essa é a ilustração do Velho Testamento para isto.

No Novo Testamento a carta aos Romanos ilustra isto novamente. Romanos 7 é a posição das duas tribos e meia. Um dia você se sente seguro, mas no seguinte dia você não se sente nem um pouco seguro. Este assunto não está estabelecido interiormente. Você se regozija no que o Senhor tem feito por você, mas você está tão consciente que você precisa de algo mais do que isso. Você precisa de tudo isso ser feito em você. Mas quando você passa para o capítulo 8 você chega logo na terra, e o capítulo 9 leva você até Efésios e Colossenses, e você descobre que você está na plena herança, diretamente na terra, sua plena herança em Cristo.

E é dai que você vem a ter seu ministério pleno. Este ministério particular do qual estamos falando é fundado primeiramente sobre que você está além do Jordão e Cristo em Sua plenitude é sua possessão, pois Colossenses é Cristo em plenitude e essa plenitude em nós - “Cristo em você a esperança da glória”. Assim que o que 2 Corintios 3 e 4 representa é que você tem chegado ao lugar onde “Cristo é tudo”. Em primeira de Corintios Cristo não é tudo. É o homem e coisas – Paulo, Apolo, dons. Paulo estava trabalhando na primeira carta para conduzir eles a Cristo. Agora a obra tem sido feita, e segunda de Corintios traz Cristo em Sua plenitude, e então você obtém de fato o ministério de Cristo. Claro, quando você obtém esta revelação de Jesus Cristo no interior, você obtém uma adição, e espiritualmente representa o principio de Deus acrescentando, e assim os Corintios chegam a uma posição avançada. Você não consegue falhar em notar uma mudança. A primeira carta deixa você numa aflição acerca deste povo, mas a segunda carta vê uma tremenda mudança. Eles têm avançado, e agora o Apóstolo é capaz, logo no começo, de falar sobre “Deus, que disse: Das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo”.

O ministério segundo Deus tem poder, como Josué, para expulsar o inimigo e terem que fugir. O ministério que é assim, que espalha o inimigo, é inteiramente baseado na medida em que Cristo está interiormente pleno em nós. Se apenas pudêssemos voltar a esta base de ministério! O ministério de Jesus Cristo não é nada mais nem menos do que a revelação de Jesus Cristo no coração do filho de Deus, e você vai ministrar mais ou menos eficazmente segundo a medida do que Cristo é em você interiormente. Deus não pode ir além disso. Todos os outros ministérios sobre os quais falamos não fazem parte do pensamento Divino. O ministério é algo muito simples, mas muito perscrutador. Não é qualificação como falantes. Não é nenhum equipamento escolástico. Graças a Deus por qualquer coisa que possa ser útil, mas se você começar a contar com isso você está cometendo um erro. Não é que somos capazes de falar. Não é que temos dons acadêmicos ou equipamento, mas é só o que o Senhor Jesus é em nós e para nós, sendo mostrado através de nós. Você pode ser o mais pobre falante, mas Cristo pode brilhar, e o impacto de Jesus Cristo dentro de sua vida pode ser tal que o inimigo começa a agitar-se. “Jesus eu conheço” - esse é o ministério – onde as forças do mal são forçadas a ter em conta a presença de Cristo antes que você fale, onde outros ao redor estão conscientes de que há algo aqui que torna difícil para eles pecarem sem saber que eles estão pecando. Alguns podem pecar e não saberem que estão pecando até que Cristo entra em cena num dos Seus servos, e então eles são feridos. É a presença de Cristo. “Deus fez brilhar em nossos corações”.

Podemos pregar todos os sermões que o homem jamais poderia pregar e efetuar nada se Cristo não é o registro de nossa presença. É a consciência de Cristo produzida através do homem e a mulher em quem Ele reina. É a medida da herança.

E o ministério é aberto para todos. “Temos este ministério”, e temos este tesouro em vasos de frágil barro. Por que Deus escolhe vasos desses? Por que é que se Ele obtiver um vaso altamente polido em si mesmo, Ele tem que trazer tal vaso ao lugar onde todas essas coisas são lixo. Por que um vaso quebrado? Para dar lugar ao Senhor Jesus. Dar a Ele todo o lugar. A medida de Cristo é a medida do ministério, não a medida do vaso. E, embora custe, penso que estamos preparados para ser quebrados só se Cristo é comensuravelmente revelado.

E, claro, quando entramos no ministério dessa maneira, esperamos certas coisas. Temos o impacto total do diabo. “somos pressionados por todos lados”. O ministério de Cristo traz imediatamente a você em contato direto com as forças do diabo, mas nessas condições o ministério é vindicado porque, sob pressão, perseguição, provação, você não é destruído; você não é deixado para trás. “Para que também a vida de Jesus seja manifestada”. Aqui está um vaso frágil. Em si mesmo você não daria nada por isso. Em si mesmo é algo muito pobre, e todavia o inferno foi soltado sobre essa coisa frágil e o inferno foi derrotado. Qual é o segredo disso? É Cristo no vaso, a vida pela que Jesus conquistou a morte, num vaso como esse. Esse é o ministério. Que o Senhor Jesus que conquistou a morte num vaso está simplesmente demonstrando o inferno ser impotente. Isso é quando o Senhor tem Seu pleno lugar. Temos este ministério, e assim como temos recebido este ministério, não desfalecemos. “mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia”. “a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória; não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; O que o Senhor quer realizar é fazer um grande lugar para Cristo em nós.

Primeiramente publicado na revista “Uma Testemunha e Um Testemunho” Nov-Dez 1931, Vol. 9-6

Origem: "This Ministry"