Eu Edificarei Minha Igreja
por T. Austin-Sparks

Leitura: 1 Pedro 2:1-12; Mateus 16:16-18.

Tornemos para a Palavra do Senhor em Mateus 16:16-18; o fragmento dessa passagem, a qual é básica para nossas meditações, está no versículo dezoito: “Eu edificarei minha igreja”, e procuraremos explicar o que temos em vista. E é, aquilo que surge da morte e ressurreição de Cristo, e sua real natureza. É aqui chamado por Ele: “Minha igreja”, e isso abrange assuntos nada mais e nada menos importantes do que a Pessoa de Cristo, a morte e ressurreição de Cristo, a posição celestial e atividade de Cristo, o advento e vocação do Espírito Santo, a volta do Senhor Jesus, o novo nascimento, a guerra contra Satanás, e a vocação dos crentes nos séculos vindouros. Aí você tem o catálogo das magnitudes da Palavra de Deus, e tudo isso está incluso nessa frase: “Minha igreja”. De modo que será visto logo que ficar ocupado com o que o Senhor Jesus chama de “Minha igreja” é ficar ocupado com uma coisa nada pequena – não que seja a minha intenção lidar com todos estes assuntos, mas simplesmente quero impressionar você no início com a grande importância deste assunto.

Nosso objetivo específico nesta hora é a natureza do que Cristo efetua e traz à existência na Sua ressurreição; e consideraremos isto em duas maneiras. Primeiramente, o que chamamos de contemplativo ou objetivo, e em segundo lugar, o introspectivo ou subjetivo. Isto é, por um lado olharemos para a sua natureza como está apresentada para nós, e então pelo outro lado olharemos nela e veremos sua mais profunda natureza e conteúdo.

A Explicação de Pedro do Que Cristo Lhe Disse

Para começar, então, com a contemplação de “Minha Igreja”. Temos lido uma passagem que define para nós o que Pedro – a quem a declaração foi especificamente feita – entendeu significar: “...sobre esta pedra edificarei minha igreja”; ele não o entendeu naquela hora. Isso é bem evidente pelo que ele disse uns minutos mais tarde, mas ele veio a entender o que O Senhor tinha dito a ele, e nos dá o que ele entendeu ser o significado dessa frase: “Eu edificarei minha igreja”, ou: “...sobre esta pedra edificarei minha igreja”. Ouça novamente sua própria definição e explicação dessas palavras: “E, chegando-vos para ele” (ou seja, é claro, o Senhor Jesus) “pedra viva...” qual era a pedra viva? “E, chegando-vos para ele, reprovada, na verdade, pelos homens...” Olhe novamente em Mateus 16 e você achará imediatamente depois de que o Senhor Jesus disse essas palavras a Pedro: “Desde então começou Jesus a mostrar a seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas...” e ser morto...” “E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual...” “Edificarei minha igreja”. “...edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo. Por isso também na Escritura se contém: eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido”. Aí você tem o que Pedro entendeu ser o significado das palavras do Senhor em Mateus 16:16-18.

Quando tornamos para a carta aos Efésios temos o que o Apóstolo Paulo chegou pelo Espírito Santo a entender ser o significado de tais palavras. Deixaremos isso por enquanto, voltaremos a isso mais tarde, tendo em mente enquanto avançamos, que o que está diante de nós é a natureza, não só o objetivo, mas a natureza daquilo que Cristo traz à existência na Sua ressurreição.

Cristo é o Construtor

Estudemos esta passagem em Mateus um pouco mais de perto, e vejamos o que está implícito na declaração. Começamos com a declaração pessoal do Senhor Jesus: “Eu edificarei minha igreja”. “Eu”; isso carrega consigo duas coisas bastante claras. Uma é que Cristo edifica a Igreja. Isso é discriminativo e importante. Cristo edifica a Igreja. Nenhum homem pode edificar a Igreja. Cristo é o Construtor. “E o Senhor acrescentava a eles dia após dia aqueles que iam sendo salvos”. Nenhum homem acrescenta à Igreja. Nenhum homem pode constituir a Igreja, nenhuma companhia de homens, nenhum comité de homens. Isto é algo que é o realizar do Senhor, e se a Igreja é eterna, somente o Senhor pode edificá-la. O que o homem pode fazer será senão por um tempo. A segunda coisa em conexão com esse “Eu” é isto; que em vista da cruz iminente, a declaração - “Eu edificarei minha Igreja” - significa que o Cristo ressuscitado edificará Sua Igreja. Ele olha bem através da graça, Ele olha bem através da morte, Ele olha para o outro lado de Jerusalém, Sua crucificação e tudo que estava prestes a acontecer lá, Ele olha através disso, além disso, e diz: “Eu edificarei minha Igreja”. É a confiança absoluta e certeza de que Ele atravessará, de que Ele sairá do outro lado; e Ele estará tão verdadeiramente no outro lado do Calvário e da morte e de tudo que isso significa quanto Ele está aqui e agora deste lado; e agora como Alguém que já em fé, garantia e certeza atravessou por isso, Ele diz: “Eu edificarei”. Essa é a fé com a qual o Senhor Jesus encara a cruz. É um desafio. É como se Ele estivesse dizendo: “Deixem que os Anciãos, Escribas, Fariseus, Governadores, homens e demônios, e todo o poder da morte espiritual façam seu trabalho, e o melhor deles. Eu edificarei Minha igreja; Eu encaro os Escribas, Fariseus, Anciãos, Governadores, pessoas, diabo e morte, e edificarei Minha Igreja a despeito de todos eles!” esse “Eu” é um tremendo “Eu” enquanto chega lá com a cruz claramente em vista, iminente.

O Essencial da Cruz para a Igreja

Agora, isso nos leva até outras três coisas. A cruz e a ressurreição significam, primeiramente, que a cruz efetua algo. Observe-o dessa maneira e você verá o que quero dizer. Aqui está o Senhor Jesus posicionado com tudo isso em vista, e contudo com um objetivo que é o objetivo para o qual Ele veio, o objetivo que tem estado no coração do Pai, o pensamento e intenção do Pai desde a eternidade; o objetivo que é o objetivo dominante de Seu próprio Ser: “Minha Igreja”; “Eu edificarei”, e contudo antes de que Ele possa edificar essa Igreja deve haver esta coisa, esta morte, esta cruz, e esta ressurreição. Não é apenas algum incidente em Sua vida, não é apenas algo que veio na ordem e progresso, e programa das coisas; é algo que é básico para esse objetivo, sem o qual esse objetivo não pode existir, porque esta cruz e esta ressurreição é para ser a cena e a ocasião da realização de algo, Igreja que à parte dessa realização não pode existir. De forma que a cruz e a ressurreição do Senhor Jesus efetuaram algo. São parte de um esquema; uma definitiva ordem arranjada de coisas as quais tomam um lugar muito vital e importante.

Tenho que lembrar a você de que estamos trabalhando para ver a natureza da coisa que resulta de Sua ressurreição, e portanto é importante ver que esse caráter, essa natureza é resultante de Sua morte e ressurreição: que a morte e ressurreição, a cruz do Senhor Jesus, dá o caráter à Igreja. E é por isso que cumprem um propósito e são parte do desenho inteiro, porque a Igreja não pode existir sem elas. Você vê o Senhor Jesus, embora Ele tinha se fixado sobre esse objetivo, nunca o poderia ter realizado saltando por cima desde Cesareia de Filipe para a ressurreição; ou seja, deixando a cruz fora. Era essencial para Seu fim, porque tinha que produzir certas características que constituiriam a Igreja. Veremos essas coisas mais tarde.

Em segundo lugar, a ressurreição do Senhor Jesus significa um novo terreno a causa de um novo estado. Algo tem sido deixado para trás na morte. Alguma esfera inteira e ordem de coisas tem sido dispensado, posto de lado, e um terreno inteiramente novo é tomado na ressurreição, e esse novo terreno representa um novo estado, um estado totalmente novo; e é nesse terreno que a Igreja é edificada.

A seguir, em terceiro lugar, o mundo é deixado de lado. Na cruz, a morte e ressurreição do Senhor Jesus, o mundo é deixado de lado, é deixado para trás. Oh, a ênfase que o Senhor mesmo colocou sobre essa verdade como a temos apresentada diante de nós por João no seu Evangelho 16:16-18,20-23. “Naquele dia” - agora continue para o capítulo 17:6 e Ele bate nessa nota continuamente no capítulo décimo sétimo: “Eu já não estou mais no mundo... e Eu vou para ti”. “Eles não são do mundo, assim como Eu não sou do mundo”. O mundo é deixado para trás. O mundo é excluído, um novo terreno é tomado, e nesse terreno a Igreja é edificada. O Apóstolo Paulo, escrevendo para os Gálatas explica o significado disso no que à experiência espiritual diz respeito: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”. E quando você e eu testemunhamos a nossa união com o Senhor Jesus na Sua morte e sepultamento e ressurreição nas águas do batismo, espiritualmente aceitamos a posição onde o mundo é excluído e deixado para trás, e tomamos um novo terreno; e esse é o terreno sobre o qual a Igreja é edificada. Numa palavra, a Igreja é edificada sobre o terreno onde o mundo não tem lugar. Está fora do mundo. Ao dizer isso, estamos, é claro, dizendo algo que é muito familiar para a maioria, mas algo que é crescentemente importante no nosso tempo. A natureza disso que aparece na ressurreição do Senhor Jesus é que tem deixado o mundo para trás, e que está fora do mundo, nesse sentido no qual o Senhor Jesus usou as palavras na Sua oração: “Eles não são do mundo, assim como Eu não sou do mundo”. “...assim como Eu...” Você não pode agora associar o Senhor Jesus com este mundo: você não pode! E exatamente da mesma forma você não pode associar Sua Igreja com o mundo, e a igreja que é associada com o mundo, não é Sua Igreja.

Propósito Eterno

Em segundo lugar, “...edificarei”. Temos visto um pouco das implicações desse pronome pessoal “Eu”. Agora, em segundo lugar, “...edificarei”, e para o nosso presente propósito notamos duas coisas. Isto significa que o Cristo Ressuscitado será marcado pelo propósito. “Eu vou edificar...”; marcado pelo propósito. Não quero dizer meramente, determinação para fazer alguma coisa; mas, caracterizado por um espírito, um poder de propósito. Me pergunto se você tem reconhecido essa característica que surge espontaneamente na vida de todos os que são vitalmente unidos ao Senhor Ressuscitado, que essa vida imediatamente assume um espírito de propósito. Se nunca teve um senso de propósito anteriormente, agora o tem. Se antes era uma coisa errante, indefinida, sem objetivo ou alvo, ou direção, a coisa que marca essa vida agora é um senso de propósito, um senso de objetivo, uma direção definida, uma estabilidade; e embora ainda tudo o que isso significa não tenha rompido no nosso entendimento, há um senso que veio, e esse senso surgiu da eternidade, essa vida tem entrado no eterno, e pela sua união com Ele tem voltado diretamente para antes dos tempos eternos, nos conselhos da Cabeça Triuna, e tem recebido agora seu caráter desses conselhos eternos do propósito eterno de Deus. À medida que essa vida continua com Deus, se moverá mais e mais ao lugar e estado representado pelas palavras do Apóstolo Paulo: “mas uma coisa faço...” É um senso de propósito. É o propósito do Senhor Ressuscitado. Esta declaração Dele diz para mim, enquanto medito sobre isso: “Eu estou sobre a Minha Igreja e Me entrego totalmente para a sua realização; a edificação dela e a consumação dela dominam e governam todos os Meus pensamentos”. E você sabe que quando você chega até a carta aos Efésios isso é ao que você chega de uma vez, “...nos vivificou juntamente com Cristo... e nos ressuscitou juntamente com Ele, e nos fez assentar com Ele...” Você está na esfera do propósito de Deus concernindo Cristo, desde a eternidade. “Eu edificarei Minha Igreja”. Uma atmosfera, um espírito, um senso de propósito.

E, amados amigos, há, penso, muito espaço em muitos dos filhos de Deus, para esse espírito, esse senso, essa dominante consciência de propósito, para que eles sejam absorvidos, prendidos, dominados por uma coisa, o fim que Cristo tem em vista, e ser queimados com Seu objetivo, o qual deixa espaço para muito da dispersão, fraqueza destrutiva, obra paralisante do Diabo. Não há maior defesa contra o Diabo do que todo seu ser estar dominado por um objetivo. Nós deixamos muito espaço para ele entrar ao sermos como Davi, na sua cama, quando o tempo voltou para os reis saírem para a batalha. O Diabo fez estragos com Davi aquela noite, Davi foi enfraquecido até o fim dos seus dias, e nunca se recuperou, porque naquele momento ele não se ocupou com seu real assunto da vida. O Senhor nos terá em união com Ele neste senso, de que temos esta característica marcando claramente nossas vidas: “Mas uma coisa faço”; um senso de propósito Divino nos devorando; o zelo pela Sua Casa. “Eu edificarei Minha Igreja” é uma declaração que carrega consigo o espírito Daquele que tem um todo-inclusivo e governante objeto em vista, e quando você chega ao seu Novo Testamento mais à frente, você descobre que essa é a coisa que marca apóstolos e crentes.

Leia as cartas aos Tessalonicenses de novo e você verá que esse é o espírito dos crentes lá em geral. E leia as cartas dos Apóstolos mesmos do ponto de vista dos Apóstolos, e você descobre que seus corações são devorados com este único objeto. Ouça Paulo: “... para que apresentemos todo homem perfeito em Jesus Cristo”. Isso é algo que tinha atraído todo seu ser. Oh, que estejamos cem por cento no propósito Divino, nos derramando para ele sem nenhuma reserva. Isso é união com o Senhor Ressuscitado. Isso é para ser a natureza daquilo que surge em Sua ressurreição. É algo governado pelo único objetivo – propósito e ação, “Eu edificarei Minha Igreja”. Devemos lembrar que o Senhor Jesus, do dia da Sua ressurreição até agora está em ação. Há um senso no qual Ele se assentou. Esse senso é que Ele tem realizado toda a obra necessária para assegurar a consumação da obra realizada. Ele está agora a trabalhar pelo Espírito Santo na operação da obra realizada. Ele ainda está trabalhando. “Vivendo sempre para interceder por eles...” é uma imagem Dele em ação. “Eu edificarei...” Ele está edificando, Ele está em ação, e Ele terá todos os que estão em união com Ele, não apenas caracterizados por um senso de propósito, mas definitivamente em ação sob esse senso. É possível ter um senso de propósito, e jazer no amanhã que nunca chega. Quando estivermos um pouco mais qualificados, quando certas coisas tomarem certas formas, ou aconteçam – existe sempre esse “fogo-fátuo” futuro ao qual nunca chegamos, mas que faremos o que nos propomos fazer; porém não o estamos fazendo.

O Senhor Jesus não só tem um objetivo, mas Ele está ativamente envolvido no Seu objetivo, e nós somos a prova disso. União com Ele significa que estamos em ação, definitivamente esticados na ação sob um propósito dominante desde a eternidade; pois o elemento eterno surge com o Senhor Ressuscitado. Elementos temporais tem passado na Sua morte. “Eu edificarei Minha Igreja...” Então, temos que estar governados por um senso de propósito neste regime do Espírito Santo ativo. É claro, a natureza da Igreja que Ele edificará tem sido vista nas palavras de Pedro: “Uma casa espiritual”. É algo espiritual.

A Igreja é de Cristo

“Minha Igreja”. Aí você tem a implicação do relacionamento e propriedade. O Senhor Jesus edifica Sua igreja, aquilo que é peculiarmente Seu no sentido de que Ele a tem comprado. Ele a fez Dele mesmo, por direito de escolha eterna, criação e redenção. É Sua. Pertence a Ele. E lá novamente temos a importância de termos em consideração o fato de que os direitos soberanos em e sobre a Igreja pertencem ao Senhor Jesus, e são adquiridos em ninguém mais. Ao homem ou homens não lhes são dado o senhorio sobre a herança de Deus; ter o supremo governo da Igreja. É a Sua Igreja, e Ele é Senhor da Igreja, e a Igreja que Ele edifica é aquela que representa o absoluto Encabeçamento Soberano do Senhor Jesus, para ordenar, governar, direcionar, controlar, ter a primeira e a última palavra, e cada palavra entre meio. É onde Cristo é Senhor. Isso é simples; possivelmente demasiado simples e demasiado familiar, porém estamos trabalhando em direção ao nosso objetivo.

A Vitória da Igreja sobre a Morte

“... e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Essa frase é explicada no Velho Testamento como significando “a casa da morte”. “A casa da morte não prevalecerá contra ela”. Em Atos 2 você tem uma explicação disso: “Pois não deixarás a minha alma em Hades, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção”, a primeira declaração. A segunda, “ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse detido por ela”. “Detido”, no controle, a superioridade, o domínio da morte; a casa da morte. As palavras: “não prevalecerão” mais literalmente são: “Não terão poder sobre o controle”. “A casa da morte não terá poder de controle”. Isso foi relacionado ao Senhor Jesus, e isso se relaciona a todos em essa união com Ele como parte de Sua Igreja. Ele foi até a casa da morte; a casa da morte cercou Ele. Devemos lembrar que a morte é sempre algo de positivo antagonismo. Existe muito do romancear e sentimentalismo sobre a afabilidade da morte. A morte é sempre uma Inimiga na Palavra de Deu e sempre está em positiva oposição às intenções de Deus, aos propósitos de Deus. É o oposto, e isso é ativamente assim, do que Deus eternamente pretendeu, e no final a morte como a última Inimiga será destruída.

Foi necessário para o Senhor Jesus ir na casa da morte, representando todos aqueles que, por causa da queda, tinham sido fechados na casa da morte. Mas Ele foi no poder de algo que nenhum outro que já entrou lá possuía, e enquanto a morte cercava Ele como representando o homem no pecado, ela achou que tinha cercado algo mais também, o qual era mais do que seu mestre, e: “Jesus arrancou os grilhões”, e “Da cova Ele se levantou”, e a morte, a casa da morte, não podia mais O segurar. “Sou o primeiro e o último e o que Vivo; e fui morto, mas eis que estou vivo para todo sempre, e tenho as chaves da morte e do Hades”. Em virtude disso, embora a casa da morte cerque a mim e a você, se o Senhor demorar, essas portas da casa da morte não terão poder para impedir de estarmos lá na Igreja aperfeiçoada, no edifício consumado de Cristo. A casa da morte não terá poder para reter você e eu quando essa trombeta tocar. Ele tem as chaves, isto é, a autoridade, sobre a casa da morte, e a morte não será capaz de frustrar a realização da Sua intenção, Seu propósito. As portas do Hades, a casa da morte, não prevalecerá, não terá poder de impedir. Isso se aplicou ao Senhor Jesus, e isso se aplica aos santos.

E agora para encerrar, pelo momento; a implicação desta declaração do Senhor Jesus revela a unicidade de Cristo e Sua Igreja. “Eu edificarei Minha Igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela” significa, se significa alguma coisa, que a ressurreição do Senhor Jesus é essencial para a própria vida e ser da Igreja. Impedir Ele de ressuscitar seria impedir Ela de ter uma existência. Se Cristo ressuscita então é para a realização da Sua Igreja, para que Ele e Ela sejam um por motivo de uma poderosa vitória sobre a morte. E isso, creio, é porquê, sobre todas as outras coisas, tem havido esse ataque determinado através das épocas contra o testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Porque, imediatamente que você chega no testemunho da vida Ressuscitada de Cristo você se torna o objeto e alvo de todos os assaltos do inferno; e da coisa que você fica mais agudamente consciente do que qualquer outra coisa é do espírito e poder da morte, morte operando como uma força contra espírito, alma, mente, corpo. Por quê? Porque a ressurreição do Senhor Jesus é a maior coisa na Bíblia, e sobre a ressurreição do Senhor Jesus tudo na Bíblia pende.

Os propósitos de Deus desde a eternidade, antes mesmo de que uma pagina da Bíblia fosse escrita, pende sobre a ressurreição do Senhor Jesus. É a coisa central e suprema na história dos séculos desde que o homem caiu. E esse testemunho para ter uma expressão em vidas individuais, e mais, numa companhia, a Igreja, é portanto, a coisa suprema que incita o inferno nas suas profundezas. O inferno não se importa com os nossos sistemas de ensino, se eles são verdade ou se eles são falsos; mas o inferno sim se preocupa em nós vivermos no poder da Sua ressurreição. Ao Inimigo não lhe importa quão maravilhosamente acurados sejamos na nossa interpretação Bíblica, mas o Inimigo sim, com toda sua força, resiste à nossa expressão Bíblica numa vida triunfante sobre a morte. É para isso que a Igreja tem sido trazida à existência. É isso que é o objetivo da Igreja na terra, manifestar Cristo em vida Ressurreta e em poder Ressurreto. Muitas vezes o ensino pode se tornar precisamente aquilo que encobre e abafa, e amortece e entorpece essa vida.

Você e eu, amado, temos de ter muito cuidado de nós nunca ficarmos tão interessados na doutrina e verdade cristã que se torna a coisa que nos ocupa preeminentemente. Do que você e eu temos que nos ocupar mais do que com qualquer outra coisa é com viver uma vida que é triunfante sobre a morte. Isso é muito mais difícil do que estudar doutrina cristã; é a batalha dos séculos. A natureza daquilo que surge com o Senhor Ressuscitado é que é uma expressão viva do fato de que Nele plenamente, e Nele inicialmente e progressivamente, as portas do Hades, a casa da morte não prevaleceram e não podem prevalecer. Somos chamados para isso. O Senhor nos conduza na natureza do que Ele chama “Minha Igreja”.

Primeiramente publicado na revista “Uma Testemunha e Um Testemunho” Jan-Fev 1934, Vol. 12-1

Origem: "I Will Build My Church"