O Carneiro da Consagração
por T. Austin-Sparks

LEITURA: Levítico 8:6,10-15,22-24,30.

Conetado com a separação da companhia sacerdotal, haviam dois carneiros, o carneiro do holocausto (versículo 8) e o carneiro da consagração (versículo 22). É sobre o carneiro da consagração que uma breve palavra será dita neste momento.

O carneiro da consagração, com o qual Arão e seus filhos eram identificados pela imposição de suas mãos sobre sua cabeça, representa Cristo nesse aspecto especial de Sua vida para com o Pai, a saber, Sua devoção para com a vontade de Deus – um Carneiro da Consagração. “Eis-me aqui... para fazer, ó Deus, a tua vontade”; “sempre faço o que é do Seu agrado”; “Minha comida é fazer a vontade Daquele que me enviou, e completar a Sua obra”. Essas são palavras que nos mostram o relacionamento interior entre o Filho e o Pai, e nos dão o motivo da Sua vida, aquilo que completamente governou Ele. Um fogo consumiu Ele, mesmo o realizar da vontade de Deus; uma completa devoção para com a vontade do Pai, de modo que pudesse dizer, “E por eles me santifico”.

Os que estavam formando a companhia sacerdotal punham suas mãos sobre o carneiro da consagração, e então era degolado, e, como resultado, o sangue desse carneiro era tomado e colocado na orelha direita, no polegar direito, e no pé direito, significando, como é evidente, que esta companhia sacerdotal era entregue inteiramente para o Senhor, para ser governada por Ele somente. Em primeiro lugar, eles eram para ser governados somente pelo que o Senhor dizia. Em segundo lugar, tudo que devia ser feito era para ser governado pela direção do Senhor – a mão, o simbolo do serviço; uma obra para vir totalmente sob o governo da vontade do Senhor. Em terceiro lugar, o pé, o grande pé, falava de movimento, idas e vindas, tudo para ser na vontade de Deus. O sangue do carneiro da consagração controlava tudo.

Tudo isto é bem conhecido e entendido, mas tem sua própria aplicação especial para nós numa hora como esta, na qual vivemos. O Senhor tem falado muitas coisas para nós nestas meditações e a questão para nós está no que se entende por este carneiro da consagração; que devemos dar ouvidos à expressa e revelada vontade de Deus; que devemos entregar a mão para fazer dessa vontade de Deus nosso assunto da vida, e que devemos entregar nosso caminhar, nossas saídas, doravante diretamente para o caminho dessa vontade conforme tem se tornado conhecida por nós. Assim é a companhia que o Senhor procura ter; o homem todo, a vida toda na vontade de Deus.

O padrão é Cristo. Ele é a medida. Aqui está um carneiro inteiramente entregue ao Senhor, falando de Cristo e a entrega total da Sua devoção ao Pai. A palavra governante é, “como também Cristo”. União com Cristo em vida, em comunhão, significa que a devoção de Cristo ao Pai é para ser o padrão e medida de nossa devoção. Certamente isso nos leva até o fim. Temos no coração estender nossas mãos e colocá-las, como se fosse, sobre Sua cabeça, e tornarmos um, identificados com Ele na Sua devoção para com a vontade de Deus. “Ele morreu por todos”, diz o Apóstolo, “para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que morreu por eles, e ressuscitou”. Falamos muito acerca da identificação com Cristo, mas precisamos perceber que quando vemos isso, sem a menor reserva, Ele se abandonou para a vontade de Deus até a última medida do maior custo possível, estamos olhando para a medida verdadeira da consagração; porque “qual ele é, somos nós também nesta terra”.

Aqui você tem algo mais do que identificação com Cristo como o Portador de pecados. Isso aconteceu previamente no holocausto e na oferta pelo pecado. Temos talvez, muito alegremente, colocado nossas mãos sobre Sua cabeça nessa capacidade. Temos muito alegremente aceito a identificação com Cristo como nosso Portador de pecados. Isso é uma coisa, mas está é outra. Nos regozijamos de que Ele carregou nossos pecados no Seu corpo no madeiro, e agora no que se segue, chegamos até um outro aspecto, para o lado vivo da identificação com Cristo. É aqui onde a vontade de Deus em sua plenitude e totalidade é avistada; Cristo, o Carneiro da Consagração, Seu sangue sobre nós, nossas mãos sobre Ele.

Você repara como em tudo esta companhia consagrada e sacerdotal eram um com o que se fala de Cristo, um com o altar. O mesmo sangue, como era colocado sobre o altar era colocado sobre eles (versículo 30). Eles eram um com o altar, um com a Cruz. Moisés aspergia o tabernáculo e o povo. Eles eram um com o tabernáculo, um com a casa de Deus. Eles eram um com a unção do Espírito, pela qual tudo é feito um. O azeite da unção e o sangue eram aspergidos sobre tudo, incluindo eles mesmos, e esse azeite e esse sangue faz uma unidade de tudo – altar, casa, vestiduras, pessoas.

É tudo por motivo de um sangue, um Espírito. Tudo isso é chamado consagração; isto é, fazer completamente do Senhor.

Devemos reconhecer isso, se em algum sentido entendemos que temos nos entregado a Cristo, somos unidos com Cristo. Envolve e carrega consigo isto, que toda a vontade do Pai é para governar cada parte de nossas vidas; não apenas que sejamos salvos do pecado, mas que sejamos consagrados para o Senhor.

Primeiramente publicado na revista “Uma Testemunha e Um Testemunho” Jul-Ag 1939, Vol. 17-4

Origem: "The Ram of Consecration"