O Vencedor no Tempo do Fim
por T. Austin-Sparks


Leitura: Apocalipse 12.

“E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do testemunho que deram; diante da morte, não amaram a própria vida”.

Quanto a estas palavras no versículo onze, lembramos novamente que são parte de um enunciado por uma grande voz no céu num tempo em que as hostes celestiais observavam um conflito colossal que estava ocorrendo na parte inferior dos céus, um conflito entre forças celestiais e diabólicas; Miguel e seus anjos de um lado, Satanás e seus anjos do outro. A ocasião do conflito era um objetivo, um objetivo corporativo aqui referido como um filho-homem, ou um filho; qual filho, ou filho-homem, tendo sido arrebatado para o trono, precipita esta tremenda batalha e seu resultado com Satanás e seus anjos sendo expulsos dos céus - “nem mais o seu lugar se achou nos céus” - precipitado na terra. Então uma grande voz é ouvida no céu (uma “grande voz” a versão revisada tem isso) dizendo: “Agora é chegada a salvação, e o poder, e o reino do nosso Deus, e a autoridade do Seu Cristo; porque já foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, o qual diante de nosso Deus os acusava dia e noite”. E eles (nossos irmãos) o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra dos seus testemunhos; e não amaram as suas vidas até a morte. Pelo que alegrai-vos, ó céus, e vós que nele habitais. Mas ai da terra e do mar! Porque o Diabo desceu a vós com grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta”. Há muitos detalhes nisso com os que não vamos ficar pelo momento, porém notaremos a ocasião desse enunciado como também de sua substância, pois isso, e tudo que é conetado a isso, é o que está diante de nós nesta hora.

Agora, é necessário para nós só olhar ao livro em si pelo momento, e fazer uma pesquisa apressada.

Percebemos que esse capítulo 11 nos leva para o tempo do fim. A sétima trombeta encerra esse período; é a conclusão das coisas, dessa fase ou parte da dispensação. O capítulo 12 trata do tempo do fim, mas é muito importante para nós vermos que do capítulo 12 ao 14 é um parêntesis. Isto é, eles não estão na linha direta da narrativa; eles são – como a palavra parêntesis significa – uma seção ou cláusula insertada, para a explicação ou confirmação do que tem sido dito. A narrativa está completa em si mesma, mas algo é introduzido entre parêntesis para aclarar e explicar certas coisas nela, portanto, dos capítulos inclusivos 12 ao 14, é um parêntesis, uma explicação do que tem já sido dito. Reconhecendo isso, se assim formos capazes de ver, o capítulo 12 corresponde com o capítulo 2 e 3, e a palavra que é a chave, ou a ligação, entre o capítulo 12 e capítulo 2 e 3, é a palavra “vencedor”. Sabemos como todas essas mensagens nos capítulos 2 e 3 chegam para o Vencedor, isto é, elas concluem com “para o que vencer”. A ligação entre essa seção e o capítulo 12 é justamente essa palavra: “E eles venceram”, o vencedor é a chave e a ligação. No capítulo 12 o filho-homem, o filho, é o grupo dos vencedores no tempo do fim. Suponho que devo ficar aqui, e dizer que isso pode não ser concordado por uns. Sei bastante bem que é assim, e se digo isso com ênfase, por favor, não pense que quero impor sobre você minha própria convicção, ou que estou tentando fazer com que você aceite essa interpretação. Minha ênfase é a força da minha convicção, isso é tudo. Você ainda é para ir ao Senhor em relação a isto, e obter Dele Seu testemunho. Para mim isto é um assunto de importância sem precedentes, e acho que veremos algo da importância disto a medida que avançarmos. Agora, isso é também por meio de um parêntesis. Me deixe repetir a respeito do que eu mesmo sinto, que o filho-homem no capítulo 12 é o grupo dos vencedores no tempo do fim. Percebo duas coisas; que este filho-homem é referido como “eles”. Versículo 5, “E deu à luz um filho, um varão”, versículo 11, “E eles o venceram...” Isso não é uma única entidade, isso é um corpo corporativo. É verdade que a palavra “filho” (v. 5, R.V.) é a palavra grega huios, frequentemente usada de Cristo; mas a combinação neste capítulo de teknon (duas vezes), não tão usada, e huios (uma vez), apenas o reforça, se não for que prova nosso ponto, ex: o “Vencedor” - “filho- Homem” - é Cristo e uma companhia da igreja arrebatada para o Trono antes da tribulação (Ap. 3:10,21). Alguns dentre vós podem não ver, é claro, o valor ou força disso; outros sim, por causa de uma grande escola de interpretação que pensava que este filho-homem era o Senhor Jesus e que tudo isto ocorreu quando Ele nasceu. Mas o contexto precisa de uma boa parte com a que lutar para concluir que isso é assim. * (veja Apêndice)

Agora, então, se nossa interpretação é correta, seremos capazes de nos abrir para uma esfera maior e ver a grande coisa que está em vista aqui. Qual é a coisa que ocupa o lugar central e supremo nesta revelação? É uma companhia associada a Cristo no Seu trono como tendo vencido o grande dragão, a antiga serpente, o diabo, Satanás, o enganador de todo o mundo, o acusador dos irmãos. Isso é o que está aqui – uma companhia nessa posição do trono e em união com o Senhor Jesus, o primeiro e inclusivo Vencedor. Agora, amado, alcança toda a história desta terra ou deste mundo. Representa o primeiro e o último pensamento de Deus concernindo o homem em união com Seu Filho, Jesus Cristo. Representa o pensamento original de Deus concernindo Seu Filho, e depois Seu pensamento concernindo aqueles que Ele escolheu em Cristo antes da fundação do mundo; e Seu pensamento concernindo Seu Filho e aqueles que Ele escolheu Nele desde a eternidade era que eles reinassem e governassem e administrassem este universo para e com Deus; que eles estivessem ligados ao trono de Deus em administração e governo universal. Esse pensamento, essa verdade corre todo o caminho pela Palavra de Deus. Nisso Ele colocou Seu coração. Contra isso este outro, apresentado nestes vários títulos representando as várias formas de suas atividades e caráter, pôs-se num grande desafio e resistência perpétua. Mas Deus tinha tido Seu pensamento, Sua intenção, Seu propósito para nós em Cristo em relação ao Seu trono, e os vencedores são isso. Esta companhia personifica a intenção original de Deus, e são a esfera de Deus e instrumento do Seu sucesso. Eles declaram o sucesso de Deus concernindo Seu pensamento original, portanto “Alegrai-vos ó céus, e os que nele habitais”, pois Deus teve sucesso a despeito de tudo. Você pode pensar que falar assim representa alguma dificuldade para Deus – de modo algum. Se Deus tivesse lidado com todo este assunto numa infinidade nua, teria sido como um estalar de dedos para acabar com tudo. Mas é pelo Homem que Ele o tem realizado: pelo Homem para o homem, e isso representa um conflito tremendo. Agora você vê o que está em vista. A realização de Deus, o sucesso de Deus em Cristo, naqueles que estão em Cristo, e isso representado por uma companhia, uma companhia especifica chamada “Vencedores”.

A respeito disso, então, tudo o mais é estabelecido e para isso tudo o mais é relacionado. Tudo o que está no Livro de Apocalipse está conetado com isso. O capítulo 12 é a chave para o livro inteiro. Tudo assim vai até o capítulo 12, e tudo o mais vai do capítulo 12. Provavelmente um deve manter a conexão entre 12, 13, e 14, porque estão tão intimamente ligados entre si, porém está parte do capítulo 12 é o ponto crucial sobre o qual tudo gira em torno. À medida que você volta e vai por este livro você começa com Éfeso e vê o primeiro amor faltando. “Tenho isto contra ti, abandonaste o primeiro amor”. Você procura por uma explicação para deixar o primeiro amor e você descobre que a explicação não é para ser achada simplesmente no declínio de um entusiasmo, porém na tentativa da extinção pelos dilúvios de antagonismo espiritual, sendo o objetivo fechar o fogo do amor por Deus no coração. Você sabe que o verdadeiro amor pelo Senhor não desvanece por si mesmo, você não simplesmente desiste e deixa passar; você sabe que é por motivo de grande pressão, grande adversidade, conflito, desencorajamento, gastando táticas com também por insinuações sutis e artimanhas e coisas semelhantes; as ciladas do mundo, engano do pecado, e a terrível oposição do inimigo – por quê? Isto não é meramente uma coisa natural, temperamental. Está contra o objetivo último do Senhor, o trono. Você tem a artimanha de Balaão conduzindo à fornicação espiritual; e a doutrina dos Nicolaítas, e essa mulher Jezabel, a falsa profetisa, e o nome para viver, porém ainda morto; mera profissão, as falsas reivindicações dos que dizem que são judeus e não são senão a sinagoga de Satanás; depois a mornidão de Laodiceia.

Todas estas coisas representam diferentes caminhos e meios pelos que o inimigo tem procurado entrar para destruir o testemunho. Veja, o candelabro é o testemunho. Naquele tempo e naquele lugar o testemunho de Deus estava na terra, e todas estas coisas estão operando contra o testemunho para destruí-lo, para extingui-lo, para apagá-lo, e Deus está apelando por uma manutenção do Seu testemunho, e todas estas coisas estão contra o desenlace desse testemunho enquanto mantido, o qual está no trono. E assim você descobre que eles venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho deles. Eles mantiveram o testemunho de Jesus, estes Vencedores. Você vê a ligação entre estas coisas? E tudo mais você acha, seja na natureza das perseguições pelas que os santos têm passado, as quais são mencionadas aqui; ou as artimanhas, as ciladas, as decepções da serpente; ou as muitas provas, adversidades, sofrimentos dos filhos do Senhor, tantos que nunca poderíamos catalogá-los; é tudo dirigido contra este último desenlace final, a vinda da companhia dos Vencedores para o trono.

É a explicação do que estamos atravessando agora; a explicação de toda provação num lado, do lado do adversário; sofrimentos, perseguições, dor, angustia, para extinguir o testemunho com vista para frustrar esse arrebatamento ao trono. No lado Divino não somos protegidos contra isso porque o Senhor quer que vençamos, e você nunca vencerá a menos que haja algo para vencer. Existem dois lados, o lado Divino, soberano, e o lado diabólico para frustrar isto. Tudo é relacionado a isso, amado, tudo está a conduzir-se para esta fúria final do dragão erecto esperando engolir esta companhia corporativa que é para ocasionar o desenlace dos tempos.

Não lhe surpreende como algo de imenso momento, que uma companhia (não sabemos quantos, pequena ou grande mas julgamos que é comparativamente pequena, uma companhia no entanto, dos filhos do Senhor) vão ser a ocasião do Senhor para a precipitação da crise dos séculos; isto é, ocasionar este tempo e essa condição quando e onde não haverá mais lugar para Satanás e seus anjos nos céus. Penso que é algo tremendo dizer que: “nem mais o seu lugar se achou...” como se os céus dissessem: “não há mais espaço para ti”.

Não queremos ficar hilariantes em relação a isto, é muito solene – mas esse é o resultado: “não mais o seu lugar se achou nos céus”; e isso chegará quando esta companhia ser arrebatada ao trono na face da fúria do dragão. Eles são o instrumento de Deus para encerrar o antigo regime que permanecia por milhares de anos contrário ao pensamento original de Deus. Supondo que esta é essa hora, supondo que temos entrado nesta última fase! Somente supô-lo é explicar muita coisa. Mas, amado, a intenção do Senhor nestes dias é nos mostrar como vencer. Temos que saber como vencer. Temos que chegar a ver os meios de vencer, o terreno da vitória, e isso é o que está em vista enquanto consideramos este assunto nestas páginas, que sejamos colocados no caminho de entender o que é vencer, e como vencer.

Vemos assim que com o arrebatamento para o trono desta companhia do filho-homem, uma grande mudança ocorre nos céus como também na terra. Com este arrebatamento a primeira coisa que é vista é guerra no céu. A seguinte, o resultado dessa guerra: “não mais lugar” no céu para estas forças do mal. Portanto, eles são expulsos dos céus, dizendo: “Agora é chegada...” (quase parece dizer “agora, finalmente, agora, por fim, agora”, o grande eterno agora! Esta jerarquia que tem cercado a terra como “o príncipe das potestades do ar”, “os dominadores do mundo das trevas, os principados e potestades, as hostes do mal nas regiões celestiais”, agora, por fim eles são expulsos, e agora é chegada) “a salvação e o poder e o reino de nosso Deus e a autoridade do Seu Cristo”.

Faço uma pausa para observar palavras distintivas - “Agora é chegada a salvação de nosso Deus”. A salvação de nosso Deus é chegada agora. Assente-se com isso nesta conexão por um pouco e veja onde isso guiará você. “Agora é chegado o Reino de nosso Deus”; o reino de nosso Deus é chegado agora. “Agora é chegado o poder de nosso Deus”. O poder de nosso Deus é chegado agora. Aqui é energia Divina, força Divina, poder Divino, aqui está, Agora. Mas depois perceba, “e a autoridade do seu Cristo”. A exousia do Seu Cristo; a jurisdição do Senhor Jesus tem chegado agora. Quanto é pendurado sobre este “agora”! Você pesa estas frases uma por uma e você verá que com este arrebatamento do filho-homem lá se sincroniza esta chegada à salvação e o poder e o reino de nosso Deus, e a jurisdição do Seu Cristo. Um grande ponto para atingir, isso! Para compreender tudo isso, precisamos muito mais tempo do que no presente; o deixaremos aí pelo momento. Existe uma nova fase de coisas na terra com também uma nova fase de coisas nos céus. Antes de passar para isso, perceba como este assunto é colocado. Lá há uma grande voz no céu, e essa grande voz diz: “Nosso Deus... nossos irmãos”. Há uma companhia no céu olhando, que chamam a este grupo vencedor “nossos irmãos” e fala de Deus aqui como “nosso Deus”. Alguns já lá têm ficado interessado neste conflito final do vencedor. Tem havido vencedores em todas as épocas, e eles venceram e estão interessados neste assunto até seu final, e eles dizem “nosso Deus” e “nossos irmãos” - “que acusava nossos irmãos”; e observe, quando você continua, “Satanás, desceu”, desceu – isso é alguém de cima, não de baixo, dizendo “Satanás desceu”. Estes lá estão dizendo: “ele desceu”, eles estão acima.* Uma nova fase então começa na terra, e assim você continua para os outros dois capítulos, 13 e 14.

* Katabino não é sempre usada para “cair”, mas às vezes “vir para baixo” ou simplesmente “descer”: mas as melhores autoridades a traduzem no primeiro sentido aqui, ex: “tem caído”, e isso é mais do que justificado pelo contexto, a voz está falando no céu e está salientando que o “Acusador” tem sido “expulso” (versículo 9).

Você tem num lado, anticristo, e no outro lado ligado a isso, a tribulação dos que não foram arrebatados, ou a tribulação na terra que entram esses que não foram arrebatados, mesmo o povo do Senhor. A discriminação nas sete cartas está entre os que vencem e os que não vencem. (Não posso aceitar que as sete cartas endereçadas às sete Igrejas eram endereçadas para os que não eram o povo do Senhor, nem para apenas uns poucos dentro de uma Igreja meramente professa). Creio que as mensagem foram endereçadas para os que eram o povo do Senhor num estado de apostasia espiritual ou fraqueza, fora do caminho, num estado de declínio, e existe uma divisão entre o povo do Senhor que está num estado de declínio e aqueles que vencem. Acho que é J.N. Darby quem diz concernindo os santos de Filadélfia: “mas depois houveram encorajamentos muito abençoados dados a eles”. Houve uma hora de grande tentação vindo sobre o mundo inteiro para provar aqueles que habitam nele; alguns podem ser vitoriosos na provação, mas aqueles que mantiveram a palavra da Sua paciência seriam mantidos longe da provação. No mundo inteiro viria, mas onde estão eles? Eles têm saído dele”. Essa é a posição aqui, e a grande tribulação alcança crentes não vencedores. Haverá aqueles que foram mantidos fora da grande tribulação, mas haverá aqueles que “subirão da”, que foram mantidos lá e saíram da tribulação no meio da qual eles lavaram suas vestes que tinham ficado manchadas pelo mundo.

Vemos o que está no olho de Deus, na Sua mente. Vemos que o tempo do fim vai ter este assunto central, a obtenção deste grupo vencedor, esta companhia vencedora. Na obtenção dessa companhia pelas dores de parto espiritual, e o arrebatamento dessa companhia, Deus vai conseguir Seu propósito original, Seu pensamento preeminente. Mudanças no céu e na terra serão relacionadas a isso. Essa companhia será arrebatada numa base tripla. “Eles venceram pelo sangue do Cordeiro”. Essa é uma das coisas que temos a considerar cuidadosamente, mais plenamente”; “pelo sangue do Cordeiro”. Isso é fundamental. “E pela palavra do testemunho deles”. O sangue do Cordeiro era o que foi provido por eles, à parte deles, a palavra do testemunho deles faz parte deles. Temos que saber, primeiramente, a base de Deus da vitória, e então nosso lado da vitória, o que a palavra do testemunho é, pela qual nós vencemos. E então, quanto ao custo, o terceiro fator: “e não amaram suas vidas (suas almas) até a morte”.

Essa é a posição que acredito termos, talvez apenas nos seus começos, apenas agora. Possivelmente estamos entrando nela. Alguns de nós sente às vezes que não podemos suportar muito mais, o conflito espiritual e pressão é tão grande. Amado, você vê os tremendos desenlaces ligados a este conflito, você vê a necessidade para nós conhecer quais são os meios da vitória e o terreno da vitória? Portanto, é necessário que nos reunamos juntamente em dias como estes. Estes são tempos em que precisamos estar em solene convocação. O fim dos séculos está chegando sobre nós e há uma muito, muito grande explicação para a pressão e o sofrimento, a intensidade espiritual pela que estamos passando agora. Alguns de vocês estão sentindo essa pressão, essa pressão espiritual intensa: está ficando quase insuportável. Existe uma explicação, uma grande explicação, a maior explicação para qualquer coisa que jamais existiu. Deus está prestes a realizar Seu fim e mudar o aspecto do universo. Oh, coisa maravilhosa! Tudo isso, amado, tem sua operação nos santos. Estamos nisso. Isso está acontecendo em nós. Talvez podemos às vezes pensar que poderia ser mais fácil se víssemos um dragão erecto, se estas coisas figurativas fossem literais, saberíamos onde estamos e o que temos a fazer. Mas é esta pressão espiritual, esta coisa que vem até nós, não no descoberto, nu, antagonismo diabólico do inimigo, mas aquilo que vem frequentemente ao longo do que chamamos ordinário, assuntos diários, assuntos domésticos, coisas de negócios; sim, tudo isso, vindo dessa forma, está tudo o conflito, está lá. Mas outra vez, vemos que há uma explicação maravilhosa para isso, e precisamos da graça, muita graça, precisamos de um poderoso fortalecimento do Senhor.

Oh, para isto, doutrina não é suficiente, ensino não bastará, luz meramente como um assunto de luz, amado, não é sempre poder. Não; poder é a capacidade para chegar até o final, e luz não leva você até o final; luz pode ajudar você a ver seu caminho, mas você quer energia como também luz, e precisamos nestes dias o poderoso fortalecimento de Deus para conseguir passar.

Esta mensagem será muito pertinente para a situação na qual muitos do povo de Deus são achados neste tempo. A pressão espiritual é crescentemente intensa. A provação da fé está cada vez mais “impetuosa”. A explicação dos caminhos de Deus vão além da habilidade humana. Há um clamor e um soluçar em muitos corações devotos - “por quê, oh, por quê”, a palavra é para esses. Aqueles que conhecem pouco deste caminho custoso para o Trono não sentirão seu apelo. Aqueles que estão apenas interessados em interpretações teóricas proféticas sabotarão o ponto pelas réplicas tais como “Seletivo” - (ou “Arrebatamento Parcial”), é claro.

Não temos nenhum interesse em sistematizar a verdade em teorias ou “ensinos” desses. O que é patente para todas as mentes honestas e sem preconceitos é – como muitos mestres bíblicos acreditados e altamente respeitados tem ensinado – que o Novo Testamento sim discrimina entre cristãos, e a força do seu geral e particular ensino é que existe uma “coroa” que pode ser perdida, e um “chamado” que pode ser perdido.

Existem muitos deixando o maior pelo menor. O Senhor não traz juízo a eles agora, mas será algo terrível perceber “no dia” que eles abriram mão da “vocação celestial”.

APÊNDICE

O “filho-Homem” de Apocalipse 12

Visto que muitos têm procurado interpretar esta Escritura como histórica no passado, ou seja, como tendo sido cumprida antes que João escreveu em Patmos, e como se aplicando ao nascimento de Cristo, Israel sendo a mulher, será bom se certos pontos muito claros fossem de novo tomados em consideração e encarados honestamente.

1. Sofrendo tormentos para dar à luz (versículo 2).
Onde estavam as dores de parto em Israel quando Cristo nasceu?

Israel ainda nunca tem sofrido sobre o nascimento de Cristo.

Isaias 66:8-24 mostra o nascimento de Cristo sem labuta. Essa Escritura não se refere a Apocalipse 12.

2. “Vestida com o Sol”, (versículo 1). O Senhor Jesus é em Si mesmo o sol, “luz do mundo”, e é a Igreja que tem sido investida com essa Luz; a revelação de Jesus Cristo, toda a Verdade de Deus. A nação judaica nunca esteve tão vestida.

3. “A lua debaixo dos seus pés” (versículo 1). A lua é um objeto que não tem luz própria, mas a pede emprestada do sol.

Isto é exatamente o que o sistema judeu completo da Lei e Tipos fez. A Lei, os Profetas, os Tipos, tudo refletia o Cristo, e brilhava com luz emprestada. Tudo isso é cumprido em Cristo e percebido na Igreja, e todos estão debaixo dos seus pés – numa relação sujeita – à Igreja. Isto não pode se aplicar à nação judaica.

4. “Na sua cabeça uma coroa de doze estrelas” (versículo 1). Estrelas são corpos celestes vivos numa capacidade governante. Doze é o número de poder ou ordem governamental.

Os doze Apóstolos podem parecer cumprir esta parte do simbolismo. Eles aparecem várias vezes no “Apocalipse” como num lugar de especial honra. O que está aqui, eu creio, é que, na mente de Deus, a Igreja é vista na posição da autoridade celestial de acordo a Lucas 10:19; Efésios, etc. Mas, enquanto isto é o pensamento de Deus concernindo toda a Igreja como nos “Efésios”, somente uma companhia dela realmente e experimentalmente chegam a conhecer a união do trono em primeira instância. Indubitavelmente, esta é a posição hoje, como tem sido sempre, e esta é a ocasião para tanta exortação e admoestação no Novo Testamento. E isto também é o lugar e condição que dá origem aos muitos “se” provisionais do Novo Testamento.

5. “Estava para dar à luz”, ou “no momento em que nascesse” (versículo 4; R.V.). Não há lacuna aqui. Cristo não foi arrebatado ao trono quando Ele nasceu, houve um intervalo considerável.

6. “Um grande dragão vermelho”
“Dez chifres” (não coroados).
“Sete cabeças” (coroadas) (versículo 3).

Não existiu semelhante poder quando Cristo nasceu. João estava escrevendo quase uns cem anos mais tarde que o nascimento de Cristo, e no capítulo dezessete deste livro ele mostra que somente cinco destes poderes têm sido derrubados, e um estava em existência; o sétimo ainda não é vindo (17:10). Os dez chifres como dez reis obtêm poder no mesmo momento que a Besta (17:10; cf. Daniel 7:20).

Tudo isto fica à vista quando o Domínio dos Gentis estiver no seu fim.

A Besta e o Falso Profeta (Politico e Religioso) são os dois aspectos do Dragão que persegue a verdadeira Igreja no fim, e a mesma remoção do “filho-homem” é a causa principal para este assalto e do começo da tribulação.

7. “Guerra no céu”, “O dragão foi lançado fora” (“A antiga serpente, o diabo, Satanás, o enganador), “Não mais o seu lugar se achou nos céus”.

Isto não aconteceu nem no nascimento ou na ascensão de Cristo.

“Efésios” ainda vê conflito nos celestiais (6:12).

Satanás é ainda “o príncipe da potestade do ar”.

Verdade, Cristo está bem acima de todo principado e potestade, etc., e nós estamos assentados Nele lá, mas a limpeza dos céus inferiores com o resultado de que a Igreja administre e governe o mundo de lá ainda terá de ser, e o “varão” é o cumprimento de Apocalipse 3:21,22, até este fim.

Não temos incorporado estas notas no corpo da mensagem porque é nosso alvo não permitir as mensagens serem de caráter controverso, mas sempre simples ensino espiritual. As anotações são acrescentadas para que possa ser visto que não estamos dizendo coisas sem terreno muito bom na Palavra, e meditação cuidadosa e estudo na mesma.

Primeiramente publicado na revista “Uma Testemunha e Um Testemunho” Mar-Abr 1932 Vol 10-2 Reimpressa (esta versão) em May-Jun 1964, Vol 42-3.

Origem: "The Overcomer at the End-time"