Explicação da Natureza e História “Deste Ministério"
por T. Austin-Sparks

Com a expansão e fortalecimento deste ministério há um crescente inquérito e solicitação por algumas declarações concisas quanto à sua história e natureza espiritual. Esta necessidade parece também ser acentuada por um crescente mal-entendido e deturpação dele. Sob pressão considerável, por conseguinte, e com o desejo de ajudar a todos os interessados, estou procurando, num espaço o menor possível, disponibilizar esta explicação.

“Uma Testemunha e um Testemunho” é um pequeno jornal no qual procuramos ministrar ao povo do Senhor cada segundo mês certo alimento espiritual, luz, e instrução conforme Ele nos dá. No momento em que escrevo, o jornal está perto de acabar seu trigésimo terceiro ano de emissão. Bastante terreno tem sido abrangido nesse extenso período, e o que escrevemos aqui pode ser senão uma breve intimação das principais características do ministério.

Por trás do ministério escrito e impresso existe um corpo de pessoas que têm crescido de uma pequena companhia para uma família bem grande. Isto é verdadeiro localmente e mundialmente. A maioria do que tem sido publicado tem sido primeiramente transmitido em ministério falado, ou para a companhia local ou em conferencias periódicas mantidas usualmente cinco vezes cada ano. Alguns livros, no entanto, têm sido diretamente escritos.

É necessário dizer isto, porque queremos que seja entendido que tudo está vitalmente relacionado à crescente necessidade da vida espiritual atual de um corpo representativo do povo de Deus. De fato, é o povo que o tornou necessário, dando-lhe seu significado e o prolongando. Isto é certamente a maneira de Deus transmitir! Isto, então, não é só reservado, enclausurado, ou um assunto estudado, mas é sempre a chamada e resposta de condições vivas.

Durante os anos têm havido mudanças e desenvolvimentos em medida e forma, em ênfase e apresentação, assim como sempre deve acontecer onde existe vida e crescimento, contanto que a fundação essencial permaneça verdadeira e imutável. Ajustabilidade na presença de luz mais completa ou melhor entendimento é um essencial para o crescimento verdadeiro e apropriado, e nós temos sempre procurado esta graça, e a procuraremos até o fim. Não nos cabe falar a nós da apreciação que tem crescido e da tal ampla expressão dada, mas falaremos da ajuda que temos recebido do Senhor e pela qual temos sido habilitados a continuar até este dia. Quando dizemos isso, dizemos muito, pois, se não fosse assim, não poderíamos sobreviver aos tantos esforços diversos de Satanás para acabar com este ministério, e o tão grande antagonismo de muitos que têm pensado que estavam fazendo o serviço de Deus em se opor a este ministério e a nós.

Antes de proceder para delinear a mensagem, permita fazer esta outra ênfase. Não é a verdade em nenhum sentido meramente técnico ou doutrinário que queremos propagar. Podemos dizer verdadeiramente com Paulo, embora agora somente em sentido secundário (isto é, através das Escrituras), “não o recebi de pessoa alguma nem me foi doutrinado; ao contrário, eu o recebi diretamente de Jesus Cristo por revelação”. Tem sido ao sermos levados para profundas e dolorosas experiências que temos chegado a ver o Filho de Deus na maior plenitude de Seu significado, e que podemos verdadeiramente dizer que cada raio fresco de luz viva tem nascido de escuras e implacáveis dores de parto. Assim o teremos; pois se existe uma coisa mais além pela qual seriamos salvos, é de não termos nosso ensino em relação vital à nossa experiência. Deus proíba que jamais diminuamos para um mero 'ensino'! Não desejamos conhecer mais verdade do que a experimental. É um axioma ou principio fixado que valores espirituais e eternos podem somente ser ministrados conforme tenham provado serem poder vivo naqueles que ministram. Nós somente podemos confortar outros com o conforto com o qual nós mesmos temos sido confortados por Deus. Os outros podem somente ser ajudados realmente pelo que tem sido o poder de vida nos pretensos ajudantes. Informação, por si só, por mais correta e ortodoxa, por mais fortemente mantida em convicção e transmitida em paixão, lhe faltará uma qualidade ou valor essencial e indispensável para uma constituição espiritual. Por conseguinte, essa tem sempre sido a maneria de Deus levantar um vaso, pessoal ou corporativo, no qual Sua mensagem tem sido forjada por provações de fogo. O mensageiro não deve apenas ter a mensagem nele, mas ele deve estar na mensagem: não só na mente e sentimentos, mas em experiência e ser.

Sendo este o caminho da vida, estabelecendo a natureza e conteúdo deste ministério particular, seguirei o curso de nossa própria história espiritual e crescimento, em vez de trabalhar para trás da presente posição. Como temos dito, os vários livros que têm surgido através dos anos, têm sido senão a expressão das ênfases progressivas e diversas nos nossos corações, as quais personificam a história dos tratos de Deus conosco em experiência e iluminação. O seu valor recairá em sermos capazes de tocar o povo do Senhor nesse ponto de experiência e necessidade, o qual foi a ocasião delas serem produzidas. A menos que haja tal necessidade sentida, não serão nada mais do que palavras.

Ninguém imagine que achamos do que se segue aqui como uma 'revelação especial', ou que considere nossa experiência como única. Repudiamos positivamente a cobrança de que reivindicamos ter uma revelação especial. Nada do que estabeleçamos é novo em si mesmo, porém pode ser achado tudo na Palavra de Deus. É somente novo como as coisas são novas quando vem com todo o impacto de uma revelação para com os interessados, embora outros tenham visto elas muito antes. Não são as coisas em si, mas o poder e vida com que quebram sobre nós como se por revelação, mas pode ser que o que há aqui venha para alguns – como veio para nós – como uma nova revelação. (ao usar o plural, 'nós', nesta declaração, me refiro à companhia, aqui e dispersa pelo mundo inteiro, dos quais sei que essas coisas são verdadeiras).

Foi depois de ensino Bíblico, ministério evangélico, empreendimento missionário, e várias atividades cristãs, que o Senhor nos trouce, em Sua própria maneira efetiva, a ver, como não tínhamos visto antes -

O Significado Mais Pleno da Cruz

Esta foi a primeira etapa numa vida completamente nova debaixo de um Céu aberto. Como chegamos a ver subsequentemente, a Cruz (ou seu modelo – o Altar) foi sempre o novo ponto de partida de Deus na realização do Seu pleno pensamento. Ponto de partida, dizemos; pois o Calvário não é um fim em si mesmo, mas o principio de tudo. Quanto ao significado objetivo da Cruz, não houve nenhuma necessidade de nenhum ajustamento. Os grandes valores do Cordeiro imolado, relacionado à primeira etapa ou fase da experiência cristã, estavam aí, graças a Deus. Libertação do juízo recaindo sobre o mundo; libertação da condenação e morte; libertação da tirania ou escravidão de uma má consciência – tudo em virtude da justiça que é pela fé no Justo, o qual se ofereceu sem mancha para Deus por nós: isto era onde permanecíamos, pela Sua graça. O que Cristo pela Sua Cruz era e é por nós era nosso terreno ancorado. A apreensão e apreciação de tudo isso nunca tem cessado de crescer, e é mais profundo, mais pleno, mais forte hoje do que nunca.

Além disso, sabemos bastante bem que esta posição básica é um objetivo do assalto interminável e antagonismo implacável de Satanás. E será assim até o final. Ele sabe bastante bem que tudo o resto é posto em risco e frustrado se ele puder abalar a posição de um crente quanto ao que Cristo é para ele ou ela. Quem é de alguma utilidade para Deus ou para os homens, em valores eternos, sem estar estabelecido quanto a sua aceitação no Amado? Quem pode contar em qualquer esfera, espiritualmente, sem ter uma certeza estabelecida de que em Cristo Jesus são considerados justos, sejam o que forem neles mesmos? Cada dardo inflamado do maligno acertará o seu alvo se a couraça da justiça e o escudo da fé não for firmemente apreendido e apropriado. Sim, o significado objetivo do Calvário – Cristo crucificado – é de importância indescritível no assunto da posição de um crente, e nós nunca poderemos cessar de manter isto em plena vista e fincá-lo na mente.

Mas, quando tenhamos tomado conta disto e tê-lo resolvido, apenas é relacionado à libertação de 'Egito'. Pois é claro que tudo que temos dito e nos referido até agora, está conetado com o 'translado' (ou transferência) do poder das trevas para o Reino do Filho do amor de Deus. Foi uma coisa poderosa o que aconteceu em Egito, em virtude do Cordeiro imolado e do sangue derramado e aspergido, e teve elementos e valores permanentes. Mas se precisava de muito mais. Enquanto que uma escravidão externa foi destruída, isto é, a escravidão que significava estar envolvido na ruína do mundo, ainda restava uma escravidão interna. Israel no deserto representa o domínio da vida natural, a vida do eu, a “carne”. O povo de Deus, sim! Remido, sim! No Reino, sim! Herdeiros da promessa, sim! Mas não chegando muito longe; inefetivo, infrutífero, altos e baixos, e dando voltas: e sempre à mercê da vida dos sentidos. Eles ainda, às vezes, imaginavam que eles poderiam ter um melhor tempo lá em Egito. Um estado estranhamente contraditório para aqueles que, nos seus melhores momentos, estavam tão certos de que eles tinham sido remidos por Deus! Esta vida de deserto representava muita despesa de energia, muito penoso trabalho, muito anseio e aspiração, muito serviço e muita devoção e atividade religiosa, porém nunca passou, e foi um grande círculo, voltando, com efeito, para onde estavam antes.

Bem, foi num certo ponto desse que o mais pleno significado da Cruz caiu sobre a nossa maior necessidade. É parte da natureza das coisas que nós nunca aprendemos numa forma vital por informação. Nós realmente entramos unicamente no benefício das coisas ao sermos “pressionados além da medida”. De maneira que o Senhor tem que tomar bastante tempo para criar história espiritual. Quando por fim nossos olhos são abertos, nós clamamos, O, por que não o vi antes! Mas tudo o mais teve que provar ser insuficiente antes de que se nos pudesse ser mostrado, e isso leva tempo. Assim foi que fomos entregues nessa hora escura para Romanos capítulo seis, e, quase como se Ele falasse em linguagem audível, o Senhor disse: 'Quando eu morri, você morreu. Quando fui para a Cruz não apenas levei seus pecados, mas Eu levei você. Quando levei você, não só levei você como pecador que você poderia se considerar ser, mas levei você como sendo tudo que você é por natureza; seu bem (?) como seu mal; suas habilidades como também suas deficiências; sim, cada recurso seu. Levei você como um “obreiro”, um “pregador”, um organizador! Minha Cruz significa que nem para Mim você pode ser ou fazer qualquer coisa partindo de você mesmo, mas se é para haver alguma coisa, deve partir de Mim, e isso significa uma vida de absoluta dependência e fé'.

Nesta altura, portanto, acordamos para o principio fundamental da própria vida do Senhor enquanto esteve aqui, e a partir desse momento se tornou a lei de tudo para nós. Esse principio era: “nada (partindo) Dele mesmo”, mas “todas as coisas (partindo) de Deus”.

“O Filho nada pode fazer (de si) mesmo, mas somente pode fazer o que vê o Pai fazer: pois o que Este fizer, o Filho semelhantemente o faz” (João 5:19).

“Por Mim mesmo nada posso fazer; conforme ouço, assim julgo” (João 5:30).

“A minha doutrina não é Minha, e sim, Daquele que Me enviou” (João 7:16).

Vimos que isto explica tantas coisas estranhas e – naturalmente – perplexas no Seu comportamento: agindo e se recusando a agir; indo e se recusando a ir; falando e se recusando a falar. Mais tarde, chegamos a ver que este é o significado inteiro da vida no Espírito, e que é uma vida completamente diferente dos caminhos naturais dos homens, mesmo de homens cristãos (mais sobre isto depois). No momento desta visão, era um assunto desta lei se tornar básica, absoluta, e última, e foi algo totalmente diferente do que tem havido em todas nossas ideias e atividades na vida e obra cristã.

Uma revelação como essa, se é para ser uma coisa desconcertante e quebrantadora, de forma que não haja mais força restando em nós, requererá um passado de muito esforço vão. Mas logo, carrega consigo uma grande implicação. Enquanto um fim é uma referência incontornável na Cruz, e enquanto esse fim é para ser aceito de fato como nosso fim, de modo que não possa haver mais alguma coisa no que nos diz respeito, Jesus Vive! E isso significa possibilidades ilimitadas.

Assim chegamos a ver que o Mar Vermelho e o Jordão são senão dois lados da única Cruz. Ambos simbolizam a morte espiritual e ressurreição do crente, mas a posterior carrega consigo uma outra área. O Jordão visa a libertação do juízo, morte, e ruína, prosseguindo para a libertação do eu; é a desconexão prática do que está morto daquilo que é ressurreto. No primeiro são meus pecados; no segundo, meu eu é um monumento de doze pedras na travessia do Jordão, um tipo dos Israelitas em si foram deixados sepultados no leito do rio, como para significar que a vida do eu do deserto era para ser doravante considerada como julgada e finalizada tão absolutamente quanto foi a escravidão ao Faraó. E depois, outro memorial de doze pedras foi levado do leito do rio e colocado na margem de Canaã, como um tipo de eles mesmos, como ressurretos não somente para uma novidade de vida, mas também para uma separação perpétua e prática da morte e sepultamento de seus egos. Tudo isto é por união com Cristo crucificado e ressurreto: pois os sacerdotes permaneceram no meio do rio com a Arca e seu Propiciatório manchado de sangue nos seus ombros, tipo de Cristo como na morte, contudo triunfando sobre a morte em virtude de Seu Sangue: pois a primeira série de pedras foram postas no ponto exato em que os pés dos sacerdotes tinham ficado.

Israel após a carne no deserto, e Israel após o Espírito em Canaã, embora ambos tendo conhecido a benção da salvação do juízo, são como dois povos diferentes. O mesmo aconteceu conosco. A diferença é indescritivelmente grande. Uma pessoa que tem estado na obra cristã proeminentemente por muitos anos descreveu a diferença – quando por fim a conheceu – até mesmo maior do que quando ele primeiramente conheceu a salvação, e isso era grande. Nós não vamos tentar definir todas as diferenças, mas há uma frase que as resume bastante numa expressão – 'um céu aberto'. Quanto a vida da natureza bloqueia o caminho para a vida do Espírito! Quanto o fazer, ou o tentar fazer, trabalhar para Deus na nossa própria energia natural, fecha o caminho para as energias do Espírito! Quanta luta mental e intelectual trabalha para apreender algo disto, porém, louvado seja Deus, nós sabemos algo de ter esse “homem natural” colocado de lado, e Cristo em maior plenitude ressurreto e ascendido tomando o seu lugar.

Existe uma dupla tragédia que pode ser associada a este significado subjetivo ou experimental da Cruz. Por um lado, existe a tragédia da ignorância de tantos dentre o povo do Senhor, conduzindo ou resultando numa história de deserto em vida e serviço. Uma quantidade tremenda de energia, despesa, esforço, e tensão, com resultados espirituais tão desproporcionados. O deserto é sempre um lugar limitado; limitado pelos horizontes dos sentidos; nunca caracterizado pela realização das abundâncias ilimitadas da emancipação celestial da natureza.

Por outro lado, está a tragédia de que este significado ou aplicação da Cruz é positivamente recusado e rejeitado por muitos dentre o povo do Senhor. Existe um corpo muito grande de cristãos que simplesmente não terão a Cruz no seu lado subjetivo ou experimental. Isto nos surpreende, mas explica muita coisa. Se o homem “natural” (não o homem não regenerado, necessariamente) ainda exerce uma influência na esfera de coisas Divinas, está limitado para criar um sistema estático de ensino, um horizonte de visão fixado, uma escravidão legal à tradição, um medo do homem, uma dominação amortecedora da “letra” como separada do “espírito”, e muitas outras situações infelizes de morte espiritual, divisões intermináveis, e orgulho espiritual. O remédio de Paulo para o tradicionalismo e legalismo em relação aos cristãos, foi Cristo Crucificado, como visam 'Romanos' e 'Gálatas'. Recorreu-se ao mesmo remédio por todos os frutos dolorosos da carnalidade entre os crentes, como visa 'Corintios”.

Talvez o repúdio desta aplicação da Cruz é devido ao medo de uma subjetividade muito grande: isto é, as pessoas se voltarem para si mesmas. É verdade que introspecção é um sinal de fraqueza e pode levar a certa paralisia – certamente, pode criar muitíssimas coisas malignas; mas a introspecção é um mal entendido do lado subjetivo da Cruz. Seria de fato inseguro e desastroso para qualquer um 'aceitar' tal 'ensino', caso eles não tenham já se instalado e estabelecido nesse aspecto objetivo, o qual resolve de uma vez por todas a questão de “toda justiça” e aceitação em Cristo através da fé nas Suas perfeições como para nós. Não; Israel em Canaã não representou ocupação própria introspectiva e envolvimento mórbido com o quanto mais eles pessoalmente tinham que ser crucificados. Eles estavam livres, e livres para realizar o negócio do Senhor. O significado do 'Jordão' da Cruz, carregando, como o faz, o aspecto do 'Mar Vermelho' para a esfera da vida do eu, significa liberdade do eu, e é apenas uma contradição da Cruz estar ainda absorto com auto crucificação. Porém o 'Jordão' é uma grande crise, com uma aplicação permanente e uma decorrência progressiva.

A crise é como um toque no tendão da coxa de Jacó. A força da natureza é definitivamente e permanentemente incapacitada, de modo que “Jacó” carregará esse veto até seu último dia, em que ainda estará 'se apoiando sobre a extremidade do seu cajado”. A decorrência progressiva estará na descoberta de quanto há que não podemos – não somos permitidos fazer – de nós mesmos, por causa dessa base de proibição da Cruz. Isto pode nos levar tão longe quanto levou a Paulo, quem em uma experiência sem paralelo disse:

“Irmãos, não desejamos que desconheçais as tribulações que atravessamos na província da Ásia, as quais foram muito acima da nossa capacidade de suportar, de tal maneira que chegamos a perder a esperança da própria vida. ("perder" aqui significa 'parecia não haver saída para a vida"): de fato, já tínhamos sobre nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas somente em Deus, que ressuscita os mortos” (II Cor. 1:8-9).

A operação da Cruz aqui é um assunto subjetivo-objetivo, e não tem nada a ver com a nossa posição ou aceitação, mas antes com a plenitude de Cristo. Por causa de que a importância desta crise e processo tem que ser enfatizado para cristãos, muitos têm permitido isto entrar na esfera errada e quase que conduzindo eles de volta à escravidão “Egípcia”. Se o Senhor nos traz do desespero de Cades-Barneia e depois nos mostra Romanos 6, ou Gálatas 2:20, devemos nos render à nossa posição da morte com Cristo quanto a nós mesmos, justamente como fizemos quanto aos nossos pecados; e devemos ter um entendimento de fé com o Senhor, primeiramente que a coisa é desse modo, seja que o percebamos imediatamente ou não; e depois que Ele vai nos levar pelo caminho que revelará qual é a nova posição e o que implica. Descobriremos indubitavelmente que existia muito mais incluído na 'morte' do que já imaginamos; mas a nova posição significará capacitação para consentir.

Temos dito que esta experiência do 'Jordão' da Cruz é uma crise – e que grande crise é! Não é somente o fim de uma esfera, é a abertura e entrada numa nova. Assim que foi provado ser conosco, como com Israel. Através desta experiência entramos numa grande vastidão de vida espiritual, luz, e liberdade. Mas então várias coisas importantes começaram a aparecer. É claro, o primeiro disto foi -

Vida No Espírito

Não queremos dizer que não havia conhecimento ou experiência do Espírito antes disto. Como com Israel, a mesma libertação do Egito e o governo no deserto foi pela Coluna de nuvem e fogo; então temos conhecido essa soberania e graça. Mas o Jordão marcou um desenvolvimento neste assunto. Josué permanece para sempre como um tipo das energias do Espírito Santo em relação ao pleno pensamento de Deus. Estas energias ficavam em oposição das pobres energias infrutíferas da própria alma do homem.

Para nós isto teve um definitivo significado subjetivo: significou que a espada ou faca do Espírito cortava limpo na “divisão em dois da alma e espírito”. Surgiu o reconhecimento do fato de que a alma é uma coisa e o espírito é outra, e isso é a segunda coisa pela qual o Espírito Santo realiza todos os propósitos de Deus. A alma é nós mesmos em inteligência, vontade, sentimentos e energia. Não é na nossa alma ou em nós mesmos que o Espírito Santo habita, mas em nossos espíritos, e o espírito renovado e habitado é o órgão do conhecimento Divino, propósito e poder. Vida no Espírito é somente possível na medida em que está distinção é feita. Temos tratado do terreno desta distinção no livro intitulado “Que é o Homem?” e nosso objetivo agora é apenas indicar os passos do progresso espiritual. Esta vida no Espírito, então, significa uma nova esfera de conhecimento espiritual e entendimento, o qual está fechado, em grande medida, mesmo para cristãos, se não entenderem o significado da união da morte e ressurreição com Cristo em sua relação ao homem natural, o homem em sua constituição natural. Estes podem ter a informação que é dada pelas Escrituras sobre todos os assuntos, e ainda ensinar estas coisas – assim como nós fizemos; mas existe toda uma diferença de vida e morte entre isto e estar no benefício vivo da verdade. Vida no Espírito, então, significa uma outra vida, outro conhecimento, outra energia, outra capacidade.

Depois, destas características principais da nova esfera, uma que ficou à vista muito rapidamente foi o fato inclusivo de que a vida era a partir daí “nos celestiais”, e isto não era nada abstrato e místico. Foi para nos envolver nas questões mais práticas.

Mais uma vez, a história de Israel estava no curso de se repetir espiritualmente. No caso deles houve um desenvolvimento, mesmo com Josué. Verdade, ele representou – e continuou a representar – as energias do Espírito Santo, mas agora outra característica apareceu, peculiarmente associada ao novo lugar. Isto é descrito assim:

“Encontrando-se Josué já nas proximidades de Jericó; de repente, ao olhar para cima, viu um homem em pé, empunhando uma espada. Aproximou-se dele e perguntou-lhe: “És tu dos nossos ou dos nossos adversários?” Então o homem lhe informou: “Não sou dos teus nem pelejo contra ti! Venho com a responsabilidade de comandante do exército do SENHOR!” Então Josué prostrou-se, com o rosto rente à terra, em sinal de reverência, e lhe indagou: “Que mensagem o meu Senhor tem para o seu servo?” O chefe do exército de Yahweh respondeu a Josué: “Descalça as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que pisas é santo!” E assim procedeu Josué" (Josué 5:13-15).

A nova característica que é introduzida neste ponto é a do Encabeçamento Soberano nos celestiais em relação à batalha espiritual. O “Exército do Senhor”, o “Comandante”, e a “espada empunhada” são palavras muito significativas. O que significa é que o Espírito Santo não é simplesmente abstrato ou um poder desconexo, nem está Ele presente em Seu próprio nome. Ele e Suas energias estão relacionadas, e são servas de uma Soberania, um Trono. O Senhor Jesus tem sido exaltado à destra da Majestade nos céus. É dito Dele que lhe foi dado esse lugar até que Seus inimigos tenham sido prostrados diante do estrado de Seus pés. Toda autoridade tem sido dada a Ele no céu e na terra. Existe uma grande jerarquia do mal ocupando os celestiais e fazendo guerra em incontáveis maneiras contra o Reino celestial do Filho de Deus. A bem conhecida descrição de Paulo é:

“Principados... potestades.... dominadores do mundo das trevas... hostes espirituais do mal nos celestiais” (Efésios 6:12).

É precisamente em relação à destruição e expulsão última deste sistema dos poderes e inteligências do mal que o Espírito Santo está aqui. Ele e o Filho de Deus são um na Cabeça Triuna, e portanto, em Pessoa Divina, e Ele está aqui como Cristo no comando do exército do Senhor. Ele é a poderosa energia dessa “toda autoridade”, esse Trono. É de Sua conta liderar e energizar o povo de Deus contra os oponentes espirituais do propósito de Deus.

Assim, foi pouco tempo depois de entrarmos no mais pleno significado da Cruz, quanto à vida do eu, que lá rompeu sobre nós este grande fato de que a vida no Espírito é vida nos celestiais, e que a vida nos celestiais significava ser uma vida reinante e de domínio. Novamente, isto é uma vida de batalha; mas nesta esfera e nesta obra é um caso, não de um apelo para o Trono, mas de uma operação e funcionamento como do Trono. É trazer esse Trono para enfrentar o inimigo em seu domínio e seus estratagemas.

Cada vez que o Senhor introduz algo da Sua ordem celestial vivamente, ou inicialmente ou por restauração, Ele o tem feito com tais provas evidentes sendo Dele mesmo que você nunca esquece. Para nós, quando isto rompeu sobre nós, houve um período no qual as provas eram tão claras e tantas, que nos mantinham em um estado de assombro. O impacto do Trono foi trazido – através da oração – para enfrentar todos os tipos de situações nas quais o inimigo estava muito definitivamente implicado, e essas situações eram liberadas. Estamos interessados agora com princípios espirituais, não com exemplos. Através dos anos tem havido muita educação espiritual, e a batalha tem sido conduzida para esferas mais profundas, mais e mais distantes da superfície, para as últimas grandes questões espirituais de vida e morte, mas a verdade e o principio permanece o mesmo, e nós permanecemos aí no testemunho positivo para o Senhorio absoluto de Cristo no universo.

Mas nós estávamos para aprender ainda mais da mente Divina, e por isso, em consonância com as Escrituras, achamos o Senhor trazendo mais um assunto para nos exercitar. Cada passo novo incluía o que acontecia antes e era levado adiante. A seguinte coisa, no valor espiritual e significado do qual nos achávamos ser conduzidos, era:

A Natureza Celestial, Vocação,

E Destino da Igreja

Como O Corpo de Cristo

Aquilo que o Senhor tinha feito em nós por meio da mais profunda obra da Cruz tinha, entre outras coisas, resultado numa estranha separação em espírito do aspecto terreno de coisas religiosas. Nos achamos tirados espiritualmente de todas as formas e sistemas, os títulos, designações, divisões, e ordens do Cristianismo como é aqui conhecida pelos homens; e nossa preocupação era para com “todos os santos” sem discriminação. Mas o Senhor muito definidamente nos tomou pela mão para mostrar-nos numa maneira positiva, o significado do que Ele tinha feito. Vimos depois o quanto isto estava completamente em consonância com a Sua Palavra. O Altar sempre leva para a Casa; apontando para o fato de que o Calvário leva para a Igreja. Não pode existir Igreja até que não tenha havido um Altar, porém o próprio objetivo do Altar – a Cruz – é a Igreja. E assim, clareza e plenitude firmemente aumentando, lá se abriu para nós a realidade da Igreja como o Corpo de Cristo. Seus aspectos ou significados são vários.

Primeiramente, está o fato de que a exaltação e reinado de Cristo não é somente um assunto pessoal onde diz respeito a Ele. Quando, por fim, Satanás e suas hostes forem despossuídos dos celestiais e expulsos, será realizado através e pela Igreja em união com Cristo como sua Cabeça Soberana, e será a Igreja – Cabeça e Membros – que assumirá o lugar desse reino despossuído para cumprir o propósito governamental o qual eles têm usurpado e malignamente exercitado no universo de Deus. O Senhor Jesus reinará e governará através de Sua Igreja na era vindoura.

Depois, como sendo tudo de um pedaço com este propósito inclusivo, algumas outras coisas tornaram-se claras para nós.

É a Igreja que é de preocupação primaria para o Senhor nesta dispensação. Tudo é relacionado a isso na Sua mente e atividade. Isto significa, entre outras coisas, que toda desconexão e independência, tudo que é meramente pessoal, secional, exclusivo ou separado deve certamente falhar em alcançar o fim pleno de Deus ou em ter Seu selo nisso além de certo ponto. Deve inevitavelmente ficar aquém e ser espiritualmente limitado. Cada provisão Divina é para a obtenção e aperfeiçoamento do Corpo (Ef. 4:14), e indivíduos podem alcançar apenas a plenitude numa maneira relacionada. Se isto é verdade então outras coisas se derivam.

A Igreja deve estar em solo celestial, não terreno. Solo terreno proverá contradições de algum tipo. Qualquer coisa que é, pela sua posição, interesse, relacionamento ou título, em solo terreno, como distinguindo entre o povo do Senhor, é uma contradição da Igreja como o Corpo de Cristo. Nada disto se obtém nos celestiais, e sua existência aqui significa fraqueza espiritual na face das forças espirituais do mal nos celestiais. Deu à luz em nós com clareza crescente e força que, consistência com esta luz demandava que devíamos abandonar todo terreno partidário e sectário – de fato, todo outro terreno além do de Cristo universal em todos os filhos novos nascidos de Deus – e tomássemos a posição, com todas as barreiras artificiais abaixo, que todos esses são “um novo homem em Cristo”. Como poderíamos honestamente nos posicionar para e nesse fato afirmado e depois esperar pessoas “ingressarem” em alguma seção particular histórica de cristãos, quando a Igreja não é histórica mas eterna, emanando dos conselhos eternos de Deus e continuando para “os séculos dos séculos”?

A mudança de posição nos envolveu em imediatos mal-entendidos, equívocos, distorções, ostracismo, e “difamação”, sendo “por toda parte de contradição”. A primeira coisa dita, e que nos custou a perda de alguns amigos valiosos, foi que a maneira que estávamos tomando, punha todos aqueles que não tomaram o mesmo curso, no errado. Isto era, é claro, um tanto superficial e uma saída barata de uma dificuldade, pois o mesmo poderia ser dito de qualquer um ou qualquer coisa que se afastasse da tradição ou da aceitação comum em qualquer área que seja, e especialmente também do Senhor e Seus apóstolos.

Por muitos anos nos aderimos a um silêncio imposto e a uma recusa de tentar explicar, com receio de que esse curso parecesse como auto-vindicação ou auto-defesa.

Conforme o passar do tempo e o ministério se espalhar tão extensivamente, nos deixando tão amplamente conhecidos, os maus entendidos aumentaram em medida e força. Por isso, essencialmente em resposta ao apelo de amigos e à necessidade da situação, estamos procurando deste modo pelo menos, clarificar a posição, e, se possível, correger conclusões erradas às quais alguns têm chegado, ou, por motivo da inabilidade de eles para compreender a verdadeira situação, ou, talvez, por causa da maneira na qual nós temos colocado alguns assuntos.

Assim voltamos ou seguimos este assunto da Igreja. Extraídos certos parágrafos em nossos livros do contexto geral ou imediato, poderia ser feito para querer dizer bem o contrário da nossa intenção. Para começar, temos sempre feito uma base comparativa de qualquer declaração. Isto é, temos sempre feito do assunto uma comparação e contraste com o que Deus realmente teria se Ele tivesse Seu pleno caminho. Poucos combateriam que a situação no Cristianismo está como Deus o teria. Se Ele tivesse Sua mente expressa, o que muitos lideres cristãos chamam 'nossas infelizes divisões', e o que o 'Conselho Mundial de Igrejas' tem descrito como 'estas divisões feitas pelo homem' e 'desordens de homens', não existiriam.

Temos pronunciado esta situação como errada e não sendo segundo a mente de Deus, e temos dito – e dizemos – que estas divisões denominacionais são uma ameaça para a plenitude espiritual e um impedimento para o pleno propósito de Deus. Significam positiva limitação espiritual. Acreditamos que esta situação jamais ocorreria senão por um nível baixo e fraco de vida espiritual. Quando a maré está alta os 'diques' divisórios desaparecem e perdem o significado. Quando está baixa, se destacam altamente. A diferença entre o natural e o espiritual é que na primeira são uma necessidade, na outra uma exposição de tragédia. Se, por alguma razão – uma campanha evangelística, ou uma convenção de vida espiritual – a maré sobe, em seguida esquecemos, por enquanto, nossas divisões. Quando Cristo se torna o Objeto todo dominante, então 'as coisas' perdem a importância. Temos dito que isto é como deve ser normalmente e não extraordinariamente.

Mas quado temos dito isto e tudo o que poderíamos dizer deste tipo, continua a haver alguns outros pontos que exigem explicação. Pertencem e surgem principalmente do assunto da ordem da Igreja.

Temos insinuado que por trás deste ministério, e amplamente como a ocasião e local dele, existe uma companhia do povo do Senhor que regularmente se encontra em Honor Oak, Londres. Cremos que a 'ordem' de reunião, procedimento, e ministério está tão perto do que os Apóstolos procuraram ter quanto a nossa luz presente nos permite. Não alegamos ter “alcançado”, nem nos consideramos como “já perfeitos”, mas, estando abertos para o Senhor, somos ajustáveis para qualquer orientação adicional do Espírito Santo. Mas aqui está novamente um assunto que para nós é de grande importância, embora denote uma outra diferença.

Nunca temos seguido um modelo descoberto na terra. Nem fomos culpáveis de ignorância, feliz cegueira, ou inocência oportuna, mas nós não soubemos da mesma ordem ter sido já obtida. Pelo que diz respeito a nós parecia como se o Senhor estivesse começando conosco de zero. Nem estudamos o Novo Testamento com o objetivo de tentar formular uma igreja Neotestamentária ou a sua ordem. Temos desde então chegado a entender que o Novo Testamento não nos dá um modelo completo ou final para reprodução e imitação.

Assim, tendo deixado de lado todo sistema anterior do Cristianismo organizado, nos temos comprometido ao principio do orgânico. Nenhuma 'ordem' foi 'estabelecida', nenhum oficial ou ministro foi nomeado. O deixamos com o Senhor, fazer manifesto pelo 'dom' e unção, quem eram escolhidos Dele para supervisão e ministério. O homem do ministério nunca surgiu. Os 'supervisores' nunca têm sido escolhidos por voto ou seleção, e certamente tampouco por desejo expresso de líder algum. Nenhum comité ou corpo oficial tem jamais existido em parte alguma da obra. As coisas, principalmente têm resultado da oração. Estamos muito cientes que erros têm sido feitos, porém o resultado destes erros têm apenas servido para reafirmar os princípios acima.

Batismo de crentes por imersão tem claramente se tornado a única maneira pela qual o testemunho da união com Cristo na morte e ressurreição, pode verdadeiramente e corretamente ser transmitido. A Mesa do Senhor é vista ser a combinação de todos os testemunhos cristãos, ou seja, a morte de Cristo por nós; nossa morte Nele; a unidade de todos os crentes em e com Ele como “um pão” (I Cor. 10:17); e a “bendita esperança” de Seu retorno.

Também sentimos que a maneira do Espírito dar testemunho da unidade do Corpo de Cristo é por um ato simples de 'imposição de mãos' por membros representativos ('anciãos') da Igreja, particularmente no caso do novo batizado. Isto é o que cremos que as Escrituras significam nesta conexão.

Revertendo para o assunto da associação ou conexão da 'Igreja', digamos duas coisas com forte ênfase. Um: reconhecemos sinceramente a soberania de Deus sobre tudo que não cremos ser Sua primeira e plena vontade. Enquanto as 'seitas' e denominações, 'missões' e instituições são um afastamento do caminho e intenção original do Espírito Santo. Deus as têm indubitavelmente abençoado e usado numa maneira muito real e tem soberanamente realizado uma grande obra através de homens e mulheres fiéis. Damos graças a Deus que é dessa forma, e oro para que cada meio possível útil tenha Sua benção. Isto não é dito em nenhum espirito condescendente ou superior; Deus o proíba. Qualquer reserva é unicamente por causa de que sentimos que tem havido muito atraso, limitação e fraqueza devido ao afastamento da primeiro e plena posição dos primeiros anos da vida da Igreja, e por causa de uma carga no coração por um retorno a isso. Não podemos aceitar a 'desordem' presente como tudo o que o Senhor teria ou poderia ter, e isto pode envolver-nos no encargo de sermos 'reacionários'.

Uma segunda coisa é que, crendo tão fortemente, como fazemos, tudo deve proceder do Senhor pelo Espírito e não ser do homem, nós nunca poderíamos aconselhar ou influenciar pessoas a deixarem suas 'igrejas', 'missões', ou conexões. Isto nunca temos feito, porém temos cuidadosamente evitado fazê-lo. Alguns têm erroneamente sentido que queríamos dizer que eles deveriam fazer assim, e o têm feito. Outros têm agido sob exercício claro diante do Senhor. Sentimos muito fortemente que este assunto deve ser algo que envolve a vida espiritual, e que deveria ser uma questão menos crucial do que o caminhar com Deus. No mesmo principio nunca temos sentido que era de nosso assunto tentar duplicar ou reproduzir esta 'ordem' espiritual ao trazer à existência igrejas em outros lugares. Isto poderia facilmente ter sido feito, mas nos temos contido. Igrejas, cremos, devem ser um resultado espontâneo de uma oba do Espírito, e deve ser 'nascida' justamente como o crente individual é nascido do alto. Ainda temos que ter luz mais clara e orientação adicional neste assunto, mas isto é tanto quanto temos visto atualmente.

Um outro ponto principal deve ser mencionado. É verdade que sempre temos crido que o propósito principal para o qual este ministério levantou-se, foi para a alimentação, instrução, e ajuda do povo do Senhor, para que eles pudessem realizar a Sua obra mais eficazmente. Isto tem provado ser verdadeiro, e o Senhor tem maravilhosamente habilitado e fornecido para isto. Mas seja entendido claramente que, por muito verdadeiro que seja, reconhecemos sem nenhuma duvida que a parte grande e essencial do assunto da Igreja é o de trazer Cristo para o não salvo. Se pessoas não salvas não fossem continuamente introduzidas 'no Reino' entre nós e através deste ministério, ficaríamos os mais angustiados, e procuraríamos seriamente que o Senhor nos mostre a razão por que. Por conseguinte, procuramos, por maneiras e meios muito definidos, ambos em casa e em outras terras, trazer almas para o Senhor. Muitos têm saído de nós, durante os anos, para muitas partes do mundo com este fardo nos seus corações. Mas, mesmo assim, o evangelismo é um assunto relacionado e não um fim em si mesmo. Repetimos: é a Igreja que é a preocupação primária e inclusiva do Senhor nesta dispensação.

À medida que os anos passaram, temos percebido que, sem premeditação, temos ficado cada vez mais ocupados com o único fim de Deus – a plenitude de Cristo, e o ministério em todos seus aspectos tem tido isto como seu centro focal. Que variedade e riqueza mais imensa há nessa cláusula: 'convergir em Cristo tudo quanto existe'! Sim, é Cristo e Sua plenitude! Uma adequada apreensão Dele nos emancipará de toda pequenez, ligação à terra, e tempo de serviço.

Existem outros aspectos deste ministério que têm levantado mal entendidos, mas confio em que este tanto que tem sido escrito aqui, mostrará – pelo menos – que existe um significado para isso que não é aquele dado por alguns, e um significado não de pequena importância para todos os que procuram a verdade.

Para resumir, sentimos muito fortemente e positivamente que a Palavra de Deus do começo ao fim, mostra que Deus teria aquilo que no fim corresponde com Seus pensamentos no principio. Existe sempre uma chamada de volta sem demora para “o primeiro amor”, e “começos”. Com Israel este é o peso claro dos Profetas. Antes dos Apóstolos terem se ido eles estavam sob obrigação de reafirmar princípios primários e de advertir sobre o afastamento. Isto, certamente, é o peso de tanto que eles escreveram. É impossível ler as cartas de João e os primeiros capítulos de Apocalipse, e perder este significado. O Senhor nunca finalmente abandona a Sua primeira posição e mente plena revelada. Ele pode, em soberania, usar tudo que Ele pode o mais completamente possível, mas se o que se obtém é outra coisa ou algo menor do que aquilo que Ele tem mostrado ser Sua mente, haverão graves limitações e fraquezas.

Tais limitações devem conceder um exercício profundo de coração e conduzir a um sério inquérito, e cremos que existem de fato, muitas indicações de tais exercícios e preocupações neste tempo. Se a Bíblia é para ser nossa guia, e se é para levar a história da Igreja seriamente, então ambas as coisas deixam uma coisa clara. É que, por mais tempo que o Senhor suporte ou soberanamente use o menor, Ele demoradamente força a questão do absoluto pelo sofrimento, abalo e derrube, e impelindo para o essencial, o espiritual, o intrínseco, e o pleno. Esta pode ser a grande lição que a China devia ensinar, e será – no final – muito mais profundo. A plenitude de Cristo; o pensamento pleno e acurado de Deus; o verdadeiro caminho do Espírito – isso não é em última análise opcional. A vindicação pode esperar o tempo do grande teste e abalo, mas virá tão certamente como aconteceu no tempo de Jeremias, Paulo, e outros; alguns até na nossa própria geração.

O que temos escrito acima tem sido senão nosso testemunho. Não o damos como uma Declaração de doutrina, 'Princípios e Práticas', para os quais esperamos que alguém se conforme, ou como uma base de comunhão. O Espírito de Deus deve dar testemunho da verdade em qualquer coração sem preconceitos e aberto, e ficamos muito contentos por tê-lo desse modo.

Primeiramente publicado como Carta do Editor e depois reproduzido pela Editora Testemunha e Testemunho como livreto em 1956.

Origem: "Explanation of the Nature and History of "This Ministry"