Utensílios do Ministério
por T. Austin-Sparks

“E procedeu da mesma maneira, aspergindo com o sangue o próprio tabernáculo e todos os UTENSÍLIOS USADOS NAS CEREMÔNIAS SAGRADAS”.

Pensando acerca dessa frase, “os utensílios do ministério”, fico impressionado com o grande número de utensílios que existem conetados com o tabernáculo. Aqui há uma referência inclusiva - “todos os utensílios do ministério”, todos os utensílios do tabernáculo. Se você olhar para o registro da fabricação do tabernáculo, você descobrirá que haviam muitos utensílios, e cada parte principal do tabernáculo tinha seus próprios utensílios. É dada referência ao altar e todos seus utensílios, a bacia e seus utensílios. A mesa dos pães da proposição e seus utensílios, o castiçal ou candelabro e seus utensílios. O número não é dado, mas “todos seus utensílios” é uma frase comum, e às vezes o uso particular deles é mencionado. Por exemplo, quanto à mesa dos pães da proposição e seus utensílios, curiosamente, diz que todos os utensílios, feitos de ouro, estavam para derramar (Êx. 25:29, 37:26; Núm. 4:7). Agora, não sabemos nada quanto ao conteúdo da mesa, exceto que tinha os pães, e todavia, conetado com a mesa, haviam utensílios de ouro para derramar.

Isto é já agora, quanto ao número de utensílios, a variedade de utensílios; mas o uso específico de cada utensílio é algo impressionante no tabernáculo, e cada utensílio era ungido com o sangue e com o azeite. Isso vale a pena olhar em detalhe, porém, não faremos isso agora. Simplesmente tomaremos a implicação espiritual do fato de que na casa do Senhor, e para seu serviço, seu ministério, existem muitos utensílios. Eles têm tantos usos quanto utensílios há – uma variedade de usos. Cada um deles têm sua própria função particular, e todos os utensílios, sem importar quão pequenos ou insignificantes, e por mais inferiores que possam parecer suas funções, até mesmo os próprios apagadores para livrar-se dos elementos desagradáveis da fumaça e pavios queimados, todos eles estão sob a unção. Agora, existem os ministérios correspondentes na Casa espiritual de Deus, mas não vou falar sobre eles neste momento. Estou simplesmente apontando que existem estes tantos utensílios, e cada um para servir um propósito, e não importa quão pequena é a medida e servil é o propósito deles, a unção pertence tanto ao pequeno quanto ao grande. Todos eles partilham da única unção para cumprir o propósito deles.

A SOBERANIA DE DEUS NA ELEIÇÃO DO UTENSÍLIO

A primeira coisa que quero indicar nessa conexão é a soberania de Deus na eleição e designação de cada utensílio. Isto era verdadeiro do menor utensílio do tabernáculo. Como com todo o tabernáculo, o utensílio menor do ministério era de acordo ao modelo nos celestiais. Era parte de um modelo compreensivo, e todo o modelo desceu. O Senhor nunca deixou nenhum lugar para o homem inventá-lo da sua própria mente, nem mesmo a coisa menor para servir Ele no tabernáculo. O Senhor não disse, 'Agora, o mais importante é que o tabernáculo em geral, a grande armação e essas coisas principais, sejam exatamente como Eu tenho prescrito; mas quanto a todas as coisas pequenas que terão de serem introduzidas e serão necessárias e úteis, bem, Eu deixo isso com vocês'. Ele nunca fez algo assim. Cada parte, cada utensílio pequeno do ministério, tomou seu caráter de todo o modelo celestial, e era governado pelo pensamento soberano de Deus. Deus soberanamente deixou nas Sua próprias mãos o desenho da parte menor, tanto quanto à sua natureza e quanto à sua função.

A soberania de Deus quanto ao nosso lugar como um utensílio do ministério é algo que chama para uma real atitude e exercício de fé. Todos nós somos utensílios do ministério. A soberania de Deus nos escolheu em Cristo. Espero que todos nós estejamos preparados para concordar que Saulo de Tarso era um vaso escolhido. Como o Senhor disse a Ananias: “ele é para Mim um vaso escolhido” (Atos 9:15). Todos nós concordaremos que isso foi assim, no que diz respeito a Saulo, e isso foi um Divino ato soberano que assegurou esse vaso desde toda a eternidade. Mas a mesma soberania, o mesmo eterno propósito, governa cada vaso pequeno. Paulo, de quem foi dito que ele era um vaso escolhido, mais tarde escreverá: “Ele nos escolheu Nele”; não 'ele me escolheu particularmente', mas “Ele nos escolheu Nele desde a fundação do mundo” (Ef. 1:4).

Lembre-se de que este assunto da eleição e predestinação é relacionada à função, ao propósito – não à salvação. É relacionada ao propósito. Deus nos escolheu em Sua soberania, e nos escolheu para servir como parte do todo.

Devemos colocar de lado a ideia toda da tipologia, apenas descartá-lo como algo muito bonito, muito interessante, tudo bem como ilustração para o jardim de infância, mas nada mais do que um conjunto de imagens bonitas para crianças, se é que não vamos dizer que o tabernáculo, do centro até a circunferência, de toda a armação até o menor utensílio do ministério, representa Cristo. É o Cristo todo inclusivo, e em cada fragmento, Cristo é para ser achado. Se isso não for verdadeiro, então nossa interpretação é justamente jogar a coisas; mas é verdadeiro, logo, cada pequena parte é uma parte de Cristo, e é escolhida Nele para O propósito compreensivo de Cristo – o propósito de Deus a respeito de Seu Filho.

Existe uma coisa que temos que estabelecer mais cedo ou mais tarde, se não, vamos ficar como se fosse, suspensos entre o céu e a terra na indefinição e incerteza, errando o alvo e ficando desajustados, e, como dizemos, sem cortar nenhum gelo (indiferentes). Em Cristo, pela graça de Deus, sou um vaso de misericórdia, e lá se relaciona a mim na soberania de Deus, ao ser escolhido e chamado, uma função, um ministério, e um aspecto do propósito de Deus a respeito de Seu Filho. É na soberania de Deus que estou agora em Cristo. No que à iniciativa diz respeito, não foi o meu agir para entrar em Cristo. Nunca teria entrado em Cristo pela minha própria iniciativa; nunca teria sido trazido até Cristo pela minha própria escolha. 'Nós não escolhemos Ele mas Ele nos escolhe': isto é perfeitamente verdadeiro – a iniciativa estava com o Senhor. Portanto, temos que nos estabelecer sobre este fato de que estamos em Cristo, e não pela nossa própria escolha ou iniciativa, por mais que tenhamos ansiados por isso. Não o teríamos feito se Deus não o tivesse realizado; a soberania de Deus o fez. Estamos em Cristo, e portanto, somos parte de Cristo, e quer seja uma colher ou uma taça ou qualquer um dos inúmeros utensílios, há uma função específica para a qual eu sou chamado em Cristo, um ministério do tabernáculo que é meu ministério.

Observe, a coisa que governa isto são os inúmeros ministérios. Que variedade de ministérios! Não sei se seria verdadeiro dizer que não haviam dois utensílios exatamente iguais no tabernáculo, mas sim sei que existiam muitos utensílios e uma grande variedade de usos, e cada um era necessário. Do mesmo modo, se nós estivéssemos faltando, alguma coisa seria perdida em todo o tabernáculo, haveria uma fraqueza em todo o sistema celestial, e isso se resume a você e a mim.

Ora, esse é o começo do serviço, em que nós em fé apreendamos isso. Estou em Cristo: portanto, isso significa que tenho sido escolhido Nele desde antes da fundação do mundo. Sou um vaso escolhido. Pode que não pareça tão importante quanto alguns, mas isso depende inteiramente da perspectiva da qual você vê a importância. Você está vendo a importância desde uma perspectiva do tamanho, ou você está vendo a importância desde uma perspectiva de indispensabilidade? Um alfinete pode ser tão indispensável quanto a roupa que o segura! Depende inteiramente da perspectiva particular da qual você está vendo a importância. Estas pequenas coisas no tabernáculo, e no altar, e colocadas pelo candelabro – elas eram indispensáveis, e era isso que lhe dava a importância delas. Você acha que Deus nos escolheria em Cristo partindo de Sua soberania se Ele não tivesse necessidade, que Ele só o fez por apenas fazê-lo, sem nenhum significado real ou propósito de importância? De modo algum! Deus não é assim. Você analisa a Natureza e você vê a importância ligada a coisas muito pequenas, e se essas pequenas coisas falharem, um grande sistema inteiro pode derrubar-se. Gostaria de levar isso a cabo e ilustrá-lo, mas a declaração será suficiente.

Primeiramente, a soberania de Deus governa nosso estar em Cristo: e essa soberania significa que há um propósito para estarmos em Cristo, e que esse propósito está ligado a cada um de nós, e pode ser um aspecto do propósito que é nossa vocação particular ou função na soberania de Deus. Pode você se ajustar a isso primeiramente? Sair do geral para o particular, na sua visão da vida e de si mesmo; sair do indefinido; sair logo desse questionamento, dúvida, perguntando-se se há de fato alguma coisa que se relaciona a você, se você tem um lugar. É a fé que tem que tomar uma atitude e passo muito deliberado em relação a isto.

A SOBERANIA DE DEUS NA FABRICAÇÃO DO UTENSÍLIO

A seguir, a segunda coisa é que a soberania de Deus está conetada com a fabricação do utensílio; não somente com a eleição de sua existência e de sua função, mas com sua fabricação. Não sente você às vezes que talvez nosso Deus é demasiado pequeno, demasiado diminuto – o Deus do qual pensamos? O Deus que temos fabricado segundo nossa própria mente é demasiadamente pequeno. Para Jeremias, o Senhor disse: “Antes mesmo de te formar... Eu te escolhi, antes que viesses ao mundo, Eu te separei” (Jeremias 1:5). 'Eu te formei; antes de você tiver um ser físico, te conheci e formei e chamei'. E Jeremias respondeu, “Eis que eu não sei me expressar como convém; não passo de uma criança!” Se Deus quis de modo algum dizer alguma coisa dizendo a Jeremias que Ele o formou e o escolheu antes de ele tiver um ser, Ele deve ter querido dizer: 'Bem, você é justamente como Eu te fiz; Eu te fiz para servir um propósito como esse. Se Eu tivesse querido fazer você diferentemente, Eu poderia tê-lo feito. Você acha que você teria sido mais apropriado se você tivesse sido feito diferentemente; você acha que você seria capaz de fazê-lo muito melhor se apenas você fosse feito diferentemente. Você acha que tenho cometido um erro na maneira em que você é feito. Você está todo o tempo dizendo, “não sou feito dessa maneira, não sou feito para isto, não sou feito para isso”; e você está realmente dizendo, “O Senhor cometeu um erro ao me escolher”; ou então, “Tenho entrado no lugar errado, não sou feito para isto”. É uma coisa acerca da qual a maioria de nós, em nossas vidas, temos tido um mal tempo. Muitas vezes um servo de Deus, achando-se ela ou ele numa situação muito pesada, numa posição de muita responsabilidade, tem clamado, 'Oh, se apenas tivesse sido feito para isto!” - sob um senso profundo de ser inapto, inqualificável para a obra e a posição. O assunto está além de nós. Vamos encerrar isto e dizer que é assim? 'O Senhor não sabia nada acerca de nós quando Ele nos escolheu; e o Senhor nunca teve nada a ver em sermos feitos, ou em nosso chamado. Se o Senhor tivesse sabido sobre nós, se Ele tivesse realmente sabido qual o tipo de pessoas que nós somos, Ele não nos teria escolhido para isto'. Este é o mundo no qual vivemos e razonamos e argumentamos.

O Senhor disse a Moisés: “Certamente tenho observado a opressão e a miséria sobre meu povo no Egito, tenho ouvido seu clamor...; Por esse motivo desci..., vai, pois, imediatamente...” (Êx. 3:7,8,10). Moisés disse, 'não posso falar! Você escolheu a pessoa errada; Você precisa alguém que tenha a facilidade que eu não tenho – Você precisa realmente um tipo de homem diferente! (Êx. 4:10,13). O Senhor disse: “Quem dotou o homem de boca e língua?” (v. 11). 'Não fiz Eu a sua boca? Se Eu a fiz, a fiz como ela é'. Foi a mesma questão como com Jeremias. “Vê!... te concedo autoridade sobre as nações e sobre e reinos da terra, para arrancar, despedaçar, destruir e exterminar; mas também para plantar e edificar!” (Jer. 1:10). “Não sei me expressar como convém”. Disse o Senhor, 'me desculpe, Jeremias, cometi um erro – obteve a pessoa errada!? Não! O Senhor tocou a boca de Jeremias e disse: “Eis que a partir de agora colocou as minhas palavras em tua boca” (v. 9). “A todos a quem Eu te enviar, irás”.

O que isto quer dizer?

Significa que há uma soberania até por trás da maneira em que somos feitos quando Deus se apossa de nós, e Ele vai ser glorificado, não em vasos eficazes, capazes, que poderiam dizer, 'Bem, veja, estou completamente bem qualificado para o trabalho em que estou'. Se houver algo assim, teremos que chegar a um outro reconhecimento sobre os vasos, o qual veremos logo. Mas pelo momento, mantenhamo-nos nisto: há uma soberania na nossa eleição, e Deus sabe tudo acerca de como somos feitos. Ele sabe tudo acerca das desvantagens, as deficiências, as limitações; Ele sabe o que jaz na formação. Ele sabe acerca de tudo, e exatamente como somos feitos; e, sabendo de tudo, Ele nos escolheu, Deus não nos escolheu depois que fomos feitos. Ele nos escolheu antes. Ele foi para trás de tudo – e Deus está mais por trás das coisas do que nós percebemos – por trás de nossas vidas, por trás do que chamamos os infortúnios, do que chamamos deficiências; Ele está por trás de tudo isso. Você crê nisso? É muito difícil crer às vezes. Você fica muito oprimido pelo senso de suas limitações, a falta de qualificação.

Não é somente aqui que não somos apenas vasos de misericórdia, mas vasos de glória? Para o que é o vaso? - para exibir suas próprias excelências, ou 'as excelências Daquele que nos chamou'? (1 Pe. 2:9). As excelências do Senhor somente podem ser vistas quando não são oprimidas por nenhuma excelência humana; quando é só vasos frágeis, vasos pobres – e Sua glória. É apenas uma outra maneira de expressar o que Paulo disse aos Corintios: “Irmãos, contemplai a vossa vocação!”. 'Dê uma olhada ao seu chamado, a seleção, que é representada pela Igreja em Corinto; dê uma olhada ao pessoal da Igreja em Corinto; veja o que a vocação significa no que ao pessoal diz respeito'. “Não muitos sábios..., nem muitos poderosos, para reduzir a nada o que é” (1 Cor. 1:26-28). Soberania jaz por trás do que somos em nós mesmos, para nos fazer, então, o que Ele quer que sejamos.

A SOBERANIA DE DEUS AO TRATAR COM O UTENSÍLIO

A soberania que nos constitui para Seu serviço, primeiramente naturalmente e depois espiritualmente, surtirá efeito, portanto, nesta maneira particular que o Senhor está tomando, que, de acordo à Sua sabedoria soberana e juízo soberano, é a maneira mais adequada para – provavelmente a única maneira para – o fim que Ele tem em vista. Você tem que crer nisso. Por que o Senhor lida comigo assim? Por que tenho esta experiência e história particular, tão diferente de tantas pessoas? Por que eu vou por este lado? Por que o Senhor está lidando comigo desta maneira? Cada um de nós tem uma história pessoal com Deus, e normalmente na nossa história pessoal com Deus, existe muito espaço para um 'Por quê? Em Sua soberania, Ele está tomando a maneira com você e comigo que a Sua sabedoria decidiu que fosse para alcançar Seu fim, no que nos diz respeito. Ele não poderia fazer isso com outros. Ele o tem que fazer da maneira que Ele considera adequado para cada caso. Cada vaso tem que ser moldado como se fosse o único para esse propósito particular. Deus não trabalha na base de produção em massa com os Seus servos. Cada um é um objeto especial separado, e Ele lida com esse numa maneira particular. Existe algo sobre a história de esse que é, a quem diz respeito, suas próprias vidas solitárias com Deus; isto é, existe muito que ninguém pode compartilhar ou entender. Deus tem, como se fosse, os destacado como indivíduos. Essa é a Sua soberania lidando conosco. Você crê nisso? Temos que tomar uma atitude de fé em todos estes assuntos, ou nós simplesmente daremos voltas em circulo, ficaremos suspensos, retidos, sem chegar a nenhum lugar, não teremos nenhum impacto particular.

A NECESSIDADE DO SENHOR PELA NOSSA COOPERAÇÃO

Termino com outras duas coisas que estão ligadas ao que tenho dito. Uma é que, em Sua formação de nós, de acordo ao Seu próprio pensamento e intenção, o Senhor conta com a nossa cooperação. Para usar a figura bem conhecida de Jeremias 18, Ele pode se deparar com algo no barro que resiste a Sua mão, que sobressai da maneira que Ele está tomando, o qual é um 'Não' a Ele, o qual é uma reserva, uma falta de conformidade, e justamente nesse ponto todo o glorioso propósito pode ficar detido. É justamente nesse ponto que podemos nos tornar um desajuste, talvez para o resto de nossas vidas. As intenções Divinas da graça podem ser derrotadas. Pode ser que nesse ponto a história de um círculo comece. fazemos um longa rodada, e voltamos ao mesmo lugar, e descobrimos que, afinal, não temos feito nenhum progresso: muito tempo tem sido perdido, muito valor tem sido privado, e nós ficamos justamente onde estávamos antes; não temos ultrapassado isso. Isso tem que ser aclarado, sem importar da duração que seja – talvez messes, talvez anos – mas até que não seja aclarado, até que não haja uma rendição, uma resposta ao Senhor lá nesse ponto, não tomaremos o caminho reto novamente.

O ESVAZIAMENTO E ENCHIMENTO DO SENHOR PARA COM O UTENSÍLIO

A outra coisa é esta – que Deus retêm o direito para encher e usar o vaso, e portanto, como uma parte de Sua soberania, Ele deve esvaziá-lo de tudo menos Ele mesmo. Paulo disse: “Sendo assim, de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que o poder de Cristo repouse sobre mim” (2 Cor. 12:9). Isso é um vaso esvaziado, um vaso esvaziado de sua própria força, sua própria sabedoria, sua própria vontade, seu próprio costume; esvaziado porque Deus reserva o direito de ocupar o vaso ao máximo; Ele não coocupará com nenhuma coisa do homem. O esvaziamento pode explicar muita coisa. Se termos alguma plenitude de nós mesmos, plenitude de qualquer tipo que é nossa, então não chegaremos ao propósito de Deus até que não sejamos livrados de tudo isso, e sejamos esvaziados, pois são vasos esvaziados que Deus enche. Tem sempre sido assim.

Aqui há tremendas proposições! Por mais desafiadoras que sejam para a fé – e são desafiadoras – siga estes passos um por um.

Primeiramente, sou escolhido de Deus, ou é isto tudo obra minha? Sou um cristão, sou salvo, estou em Cristo, porque o tenho realizado tudo, ou tem o Senhor realizado isto? E, se tenho ficado no caminho por algum tempo, tenho tido suficiente experiência para saber que, se o tivesse realizado, teria ficado fora muito tempo atrás? Foi o Senhor quem o realizou, e o Senhor quem me segurou. Existe toda uma evidência de que o Senhor está neste assunto, com iniciativa e soberania. Eu pertenço a Ele; e o que isso implica? Implica uma soberania de Deus na minha escolha, na minha eleição, em eu ser escolhido em Deus.
Em segunda lugar, por que eu sou escolhido em Cristo? Apenas para ficar lá e só ser salvo? Será que a eleição e predestinação se relacionam com o eu ser salvo? Posso aceitar isso – o qual deve carregar consigo a implicação de que todos não são escolhidos para serem salvos, e que Deus é arbitrário? Oh não, não posso crer nisso! Não; eleição relaciona-se com o propósito. Então sou escolhido de acordo ao propósito?

Mais, não é esse propósito multiforme? Não mostra a Palavra inteira, Velho e Novo Testamento, que existe uma multiformidade com propósito que é centrado em Cristo? Devo, então, ter um lugar nele, o qual é o meu lugar; e, se isso é verdadeiro, será que Deus sabe acerca disso, tudo sobre mim – me escolheu Ele porque estou tão adequado e apto e qualificado para isso? Não! Fico muito em breve desilusionado acerca disso se tiver quaisquer dessas ideias. A última coisa para a qual eu sou qualificado é a coisa pela qual Deus me chamou. Ele tem de fazer toda a questão da qualificação.

Assim então, tomando-o etapa por etapa, vamos diretamente ao Senhor nessa questão – vamos estabelecer este assunto, e chegarmos ao descanso; seja com uma maior apreensão do Senhor, tendo um Senhor maior. Ele não pode ser maior do que Ele é, mas Ele pode ser maior do que nós fazemos Ele. Oh, por um Deus e Senhor maior! Essa é a nossa necessidade. Se nós obtermos esta fé bem maior, mais compreensiva no Senhor, seremos salvos de tanto que nos detêm, e nos desloca, por causa disto e daquilo e algo mais - tudo implicando que o Senhor não entende, o Senhor nunca levou isto em consideração, o Senhor deve ter cometido um erro. Não é assim; o Senhor sabe a respeito de tudo.

Que o Senhor faça a Sua palavra de alguma ajuda e valor, e nos capacite para tomar uma atitude bem definida, pois muito pode estar dependendo da atitude que nós tomarmos, e da nossa resposta ao Senhor, neste assunto.

Primeiramente publica na revista “Uma Testemunha e Um Testemunho”, Mar-Abr 1954, Vol. 32-2.

Origem: "Vessels of Ministry"