Novas Reflexões sobre o Testemunho em Relação ao Candelabro e a Glória
por T. Austin-Sparks

(em forma falada)

Ex. 24:7, 9:34,35; Ef. 3:21; 2 Te. 1:10; Ju. 14, 15.

Nestas passagens vemos que o elemento comum em tudo é a entrada do Senhor em glória; a entrada do Senhor em glória neste mundo. Em Zacarias 4 o Senhor está trazendo à vista, no simbolismo do candelabro de ouro puro, um instrumento, um utensílio para o Seu Testemunho, o qual é total e inteiramente para Deus.

Um candelabro – esse é o instrumento.

De ouro puro – isto é, o que é completamente para Deus.

No santuário o candelabro de ouro ocupa o lugar a meio caminho entre o Santo dos Santos e a Tenda da Congregação: a meio caminho entre o céu e a terra; e o testemunho é mantido em constante luz pelo suprimento do Espírito, para com Deus, e para com o homem.

A partir de Zacarias vemos que o Verdadeiro Testemunho foi perdido em Israel como um todo, e foi recuperado para Deus num Remanescente. Leve isso para o Livro de Apocalipse e nas cartas das Sete Igrejas, você achará que a multidão de cristãos professos tinham perdido o Testemunho, e o Senhor o estava recuperando num Remanescente; Ele está chamando do resto; Os Vencedores.

Zacarias tinha um espírito para inquirir, o qual foi encorajado pelo Anjo, e ele o estimulou nas perguntas que Zacarias colocou para ele: “Qual o sentido das oliveiras...? e ainda acrescentei outra questão: E o que significam estes dois ramos de oliveira? Ao que ele me questionou: Não sabes o que tudo isso quer dizer? E eu confirmei: Não, meu senhor! Então ele me explicou: Estes são dois homens ungidos para trazer o óleo santo e para servir ao Adôni, o Soberano, do mundo inteiro!”

Oh! queremos obter o tremendo significado da última cláusula - “para servir ao Adôni, o Soberano, do mundo inteiro: isto é – ADONAI, MESTRE. O Mestre de toda a terra: este é o título usado aqui pelo Espírito Santo, e declara o direito do Senhor da terra, e que o Senhor deve ter Seu Testemunho mantido na terra pelo direito que é Dele como Mestre. Ele entra na terra como Mestre.

Os Dois homens ungidos, são tipos de Josué o Sumo Sacerdote, e Zorobabel o Governante, mas são realmente o Senhor Jesus em tipo nos dois lados de Sua Pessoa: é ELE nos ambos os lados do candelabro mantendo o testemunho, ELE o Sumo Sacerdote, e ELE o Senhor Soberano, e o espírito no candelabro mantém o testemunho a Ele assim.

Em Ex. 24 vemos a glória do Senhor no monte: “a nuvem cobria o monte, e a glória do Senhor permaneceu sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias, e a aparência da glória do Senhor era como fogo consumidor fulgurante no topo do monte”. Era uma glória, indescritível, terrorífica!

Em Ex. 40 vemos essa glória entrando na CASA: “Então a nuvem cobriu a Tenda do Encontro, e a glória de Yahweh encheu todas as dependências do tabernáculo, Moisés nem conseguia entrar na Tenda do Encontro, porquanto a nuvem pairava sobre ela, e a glória do Senhor enchia plenamente o Tabernáculo”.

Passem para Salomão, 2 Cr. 7: “Assim que Salomão concluiu sua oração, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios, e a glória do Senhor tomou toda casa. Os sacerdotes não podiam entrar no templo do Senhor, porquanto a glória de Yahweh havia enchido toda a casa”. Assim a glória do Senhor veio novamente.

Passe através dos séculos, e chegue até uma pequena cidade chamada Belém, e o Senhor entra novamente em glória. Os anjos sabem quem ELE é, demônios também sabem, se homens não souberem! Assim que Ele entra na terra em Belém, os anjos cantam, “Glória a Deus nas Alturas”.

Em João 1 está escrito, “NÓS contemplamos Sua glória... Ele veio para o que era Seu, mas o Seu próprio povo não O recebeu”. Passe para quando Ele foi recebido na glória, e depois novamente em Pentecostes quando Ele entrou na Sua Igreja, a qual é para ser o santuário de Sua glória para esta era.

Na entrada de Sua glória, duas coisas ficam à vista, ou duas metades de uma coisa.

Primeiramente, um lugar presente para o Senhor da Glória habitar. Em segundo lugar, uma vinda na plenitude de Sua glória para ser “glorificado nos Seus santos e exaltado em todos os que tiverem crido” (2 Tel. 1:10). O Senhor deve ter algo no qual Ele habitar como Senhor da Glória. Ele quer entrar, e deve ter algo que traga Ele, para que a Sua glória venha em plena manifestação.

Moisés, Arão, Nadab, Abiú, e setenta dos anciãos de Israel viram a glória do Deus de Israel.

Êx. 24 mostra que Deus quer entrar. Ele quer entrar na terra na Sua glória, mas a fim de que Ele possa fazer assim, Ele primeiro chama por uma companhia para subir a Ele mesmo, e depois Ele desce para o tabernáculo. Por que subir? Para obter instruções da coisa na qual Ele quer habitar. Ele deve ter algo absolutamente em cada detalhe, uma expressão da mente Divina; na qual Ele habitaria, e na qual, e pela qual Ele poderia expressar Sua glória. Ele deve ter um lugar onde Ele é o Senhor da glória, antes de Ele poder vir como Senhor da glória: e antes de Ele poder descer alguém deve subir!

O que tipifica o A.T. é cumprido no N.T.. Existe um sentido no qual, após entrar na terra em Sua encarnação, Ele nunca a deixou novamente; pois Ele disse, “E assim, Eu estarei permanentemente convosco, até o fins dos tempos”. Estou contigo todos os dias. O Espírito Santo é o Espírito do Senhor Jesus e Ele está aqui agora. “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Ajudador, a fim de que esteja para sempre convosco...Ele vive convosco e estará dentro de vós; não vos deixarei órfãos; voltarei para vós” (João 14). o Espírito Santo tem sido dado para glorificar o Senhor Jesus, e para estabelecer Sua soberania em e através da Igreja, Seu Corpo – Seu instrumento, aquilo que Ele está formando, e conformando; e essa entrada na Sua glória é porque existe algo, o qual Ele moldou pela energia do Espírito, na operação interna da Cruz – uma Casa que Ele constituiu para Si, e Ele por isso, e através disso, vindo para Ser glorificado; a glória do Senhor vem, porque Ele já vem dentro de Seus santos.

A vinda do Senhor esta muito intimamente relacionada com a obtenção de algo aqui no qual Ele já mora como Senhor da Glória; e a glória manifestada acontecerá por causa da glória que já está dentro, mas velada; e esta não é apenas a ocasião de Sua vinda, mas o meio de Sua vinda, e como essa mesma vinda vem a surgir.

Em Êx. 24, antes do Senhor descer e manifestar Sua glória no meio dos homens, Ele chamou para Si, “setenta dos anciãos de Israel”. O que é isso? Setenta é um número representativo, um número representando a Igreja.

Observe a diferença ao enviar os Doze, e dos Setenta. Aos Doze o Senhor disse, “Eu não fui enviado, senão às ovelhas perdidas da Casa de Israel”. Mas para os Setenta Ele ampliou a extensão do ministério deles além das fronteiras do Judaísmo. A igreja está em vista.

Setenta é o número de uma companhia representativa do povo do Senhor; e o Senhor deve ter uma companhia representativa, que tenha a visão de Sua glória, e esteja em comunhão com Ele no desejo de Seu coração.

Ele não pode vir para todo Israel, até que Ele tenha obtido uma companhia representativa para deixar as planícies e subir para Ele no monte, e conhecê-Lo nessa intimidade, comunhão íntima, a qual está implícita em “Eles puderam ver a glória de Deus e depois comeram e beberam”.

Sim, o Senhor deve ser introduzido por uma companhia representativa que tenha deixado o nível ordinário religioso, e entrado numa comunhão celestial com Ele mesmo.

Então, o Candelabro, de ouro puro – completamente de acordo a Deus, é apresentado com o Remanescente, como cumprindo um ministério representativo. As duas tribos de Israel eram representativas do conjunto de Israel. E em Ap. 2 a carta à Igreja em Efésios está escrita para pessoas salvas, mas caíram do seu primeiro amor: não podemos dizer que eles estão acabados para sempre, e perdidos! No entanto, Deus está chamando da Igreja em Efésios uma companhia de Vencedores para entrar em comunhão com Sua própria mente acerca das coisas, e ser parte do Instrumento para o Testemunho de Sua glória; o Senhor chamaria uma companhia representativa mais elevada para a comunhão com ELE MESMO.

O Principio é este, o Senhor trabalha através de uma companhia representativa, você pode traçar isto pela Palavra, e descobrirá que é sempre o caminho de Deus. O Senhor mantém o que está de acordo com a Sua mente através de uma companhia pequena; ainda que a principal companhia tenha entrado em relacionamento com Ele através do Seu Sangue derramado, todavia, é da companhia que Ele está obtendo, como representativa do resto, esse instrumento que é totalmente de acordo com a mente de Deus; essa “Companhia dos Setenta” de ouro puro, totalmente para Deus; onde tudo é de acordo com a Sua mente, e que estão com Ele nos lugares celestiais dos Efésios. Você sabe o que isso quer dizer, isso não é só uma teoria, ou doutrina, mas uma realidade viva, forjada interiormente pelo Espírito através de Sua Cruz; sim, ouro batido.

Se você tem visto o Senhor, você não pode viver nas planícies! Eles subiram a montanha e viram o Senhor da Glória. Temos visto o SENHOR? Não me refiro a ver com nossos olhos mortais, ou em visões, etc. Não, nada desse tipo de ver: isso é perigoso; me refiro a esse verdadeiro, profundo VER INTERIOR do SENHOR. Temos verdadeiramente visto o Senhor? Estamos apaixonados com ELE. Quando você vê ELE você é mudado para sempre, e você não pode viver na planície: vocês são povo de Montanha, você pertence às montanhas! Esse é o segredo da perseverança maravilhosa.

Qual é o segredo da ascendência de Paulo? Ele viu o Senhor, e à luz disso, vai do apedrejamento lá para Listra, até que o Testemunho fosse estabelecido num grupo pequeno de homens e mulheres lá; ele está disposto a morrer milhares de mortes, se apenas o Testemunho para a Soberania do Senhor Jesus fosse estabelecido.

É uma luta desesperada pelas Cidades. O que as cidades representam? Não são centros do mal e iniquidade organizado, onde Satanás tem seu assento? Mas nessas mesmas fortalezas de Satanás, o Testemunho para a Soberania deve ser estabelecido.

Jerusalém, um grande centro religioso do mundo, crucificou o Senhor da Glória sem suas paredes! E foi numa pequena sala superior nessa mesma cidade, que o Espírito Santo estabeleceu o Testemunho para a Soberania do mesmo Senhor Jesus, no Dia de Pentecostes.

É muito vital ver que é um Testemunho corporativo. “O candelabro deve ser de uma só peça; três braços do candelabro de um lado, e três braços do candelabro do outro... tudo se fará com um bloco de ouro batido” (Êx. 25:32,36; 37:22,24). Muitas vezes é reiterado, “de uma só peça” assim enfatizando a cooperatividade do testemunho, e a natureza corporativa do Instrumento do Testemunho.

Quando você obtém visão, seu ministério cai, e não é mais nossa obra da vida, ou a vida da obra que nos pertence para o Senhor, não somos mais perturbados com a nossa obra da vida para o Senhor, a única coisa que importa, e é de interesse para nós é, não nosso testemunho, mas SEU TESTEMUNHO, e quando é assim, coisas como coisas ficarão todas certas e resolvidas. Fique ocupado com o Senhor Jesus, esta será nossa emancipação. Uma companhia representativa comendo e bebendo com ELE: “Eles viram o Deus de Israel. Debaixo de seus pés havia como um pavimento de safira, tão pura como o próprio céu”. A safira, o color celestial, simbolo da coisa celestial, a natureza celestial do centro até a circunferência, esse é o lugar do caminhar de Deus; isso é sobre o que o Senhor coloca Seus pés! Ele deve ter uma companhia cortada das coisas da terra, e cortejada para Ele mesmo.

É uma lei. Deus está vindo para entrar, em glória, e acontecerá na coisa celestial, e não neste mundo por enquanto, mas naquilo que está de acordo com a Sua própria mente, e não tem suas raízes neste mundo, mas um povo cortado, um povo que tem subido até Ele, o Senhor do Céu, no monte, para preparar um caminho para a Sua vinda em glória, e para isto Ele deve ter uma companhia separada para ELE MESMO numa vida celestial; e de quem pode-se dizer, todo o manancial deles está Nele.

Enoque, o sétimo desde Adão, foi um homem num mundo ímpio, e contudo quem obteve uma visão de Sua vinda (Judas 13,14).

O Instrumento do Testemunho, essa Companhia de núcleo, esse Povo Remanescente, Vencedores, essa Companhia dos Setenta, os chame como queira, são esses que possuem uma visão da glória do Senhor, e à luz dessa glória têm comunhão uns com os outros no Senhor. Esta comunhão do povo do Senhor é um fator vital na manifestação do Senhor, e um elemento muito importante no Instrumento do Testemunho para a Soberania; comunhão com o Senhor e com Seu povo é aquilo que está mais perto do coração de Deus, e é o alvo do Diabo, e o golpe magistral do Inferno contra isso é divisão!

Primeiramente publicado na revista “Uma Testemunha e Um Testemunho”, Jan-Fev 1931, Vol 9-1.

Origem: "Further Thoughts on the Testimony in Relation to the Candlestick and the Glory"