Um Homem no Céu e Cristo em Você
por T. Austin-Sparks

"E, ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra ele. Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus; E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus. Mas eles gritaram com grande voz, taparam os seus ouvidos, e arremeteram unânimes contra ele. E, expulsando-o da cidade, o apedrejavam. E as testemunhas depuseram as suas capas aos pés de um jovem chamado Saulo. E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu". Atos 7:54-60

É maravilhoso que o primeiro homem a ser testemunha até a morte na era cristã fosse a personificação de todas as grandes verdades espirituais do Cristianismo. É como se o Senhor colocasse diretamente no inicio da dispensação uma representação nesta terra dessas grandes realidades espirituais.

As duas grandes características do Cristianismo vivo estão aqui definidamente estabelecidas. Essas duas coisas são (1) Um Homem no céu, e (2) Cristo em você. Estevão viu Jesus em pé à destra de Deus. Ele disse: "Vejo os céus abertos, e o Filho do homem em pé à destra de Deus". Esse é o Homem no céu! Depois quanto a Cristo em você, a Palavra diz: "Ele, estando cheio do Espírito Santo..." Isto é um cumprimento das palavras do Senhor Jesus no Evangelho de João: "Se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas quando eu for, vo-lo enviarei" (João 16:7). É pelo Espírito Santo que o Senhor Jesus está em nós.

Essas são as duas características principais do Cristianismo: Cristo glorificado, Cristo na presença de Deus, o Homem no Trono e tudo que isso incorpora e representa; e, por outro lado, a habitação interna de Cristo pelo Espírito Santo. Tudo no Cristianismo vivo é reunido nessas duas coisas; você não pode sair delas. É maravilhoso que a palavra é usada: "ele... viu... Jesus" (v.55). Este homem cujo nome é mencionado pela primeira vez no final deste capítulo, Saulo, não muito tempo depois teve uma visão similar. "Sou Jesus", disse o Senhor glorificado a ele na estrada de Damasco.

Satanás pensava que ele tinha triunfado absolutamente quando ele conseguiu afastar o primeiro Adão do propósito de Deus, um Homem na glória, mas este fala do absoluto triunfo do Senhor sobre o que Satanás pensava ser seu triunfo. Esta é a resposta de Deus: Jesus como o Homem na glória!

Então, como Ele vai trazer muitos filhos à gloria? "Cristo em você, a esperança da glória". De modo que ser cheio do Espírito se torna necessário para o próprio propósito de Deus. Note o efeito neste exemplar! Um Homem na glória, o Espírito enchendo, um instrumento espelhando esse Homem na glória. Eles olharam na sua face, e era como a face de um anjo. Então: "Senhor, não lhes imputes este pecado". Acaso não é o caráter do Homem na glória reproduzido? Acaso não é essa a conformidade à imagem do Filho de Deus?

Foi no tempo de sofrimento, dor, oposição, antagonismo, ódio, malicia, amargura. Que diferença há nessas duas imagens! Por um lado: "rangiam os dentes contra ele". Essa é uma imagem dos dentes de uma besta escancarada. Por outro lado: "A sua face... a face de um anjo" (Atos 6:15). Que contraste! O que a religião pode fazer, e o que o Cristianismo pode fazer! O que a tradição pode fazer, e o que a revelação pode fazer! Isto verdadeiramente é o que Paulo quis dizer quando ele disse, depois disto: "Nós...contemplando como num espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem" Essa palavra "contemplando" no grego é muito mais rica do que a nossa palavra inglesa; é uma combinação de duas ideias. É contemplando e refletindo, e há só uma palavra no inglês que chega perto dela, e é "espelhando". Esse era Estevão. Ele contemplava, ele refletia, porque ele estava cheio com o Espírito.

O curso espiritual da era é reunido nesta primeira testemunha. Ele viu o Homem na glória; ele foi cheio com esse Homem na glória; ele era como esse Homem na glória. E foi tudo produzido através do sofrimento, esvaziamento.

Primeiramente publicado na revista "Candelabro de ouro" Vol 132, de manuscritos previamente não publicados datado de 1932.

Origem: "A Man in Heaven and Christ in You"