Acerca de Jerusalém
por T. Austin-Sparks

Leitura: Neemias 1:1-11

Em Esdras e Neemias, os quais são realmente duas metades de um todo, e forma uma narrativa, há um sentido no qual o todo pode ser reunido em três coisas representativas e simbólicas que são achadas lá em Jerusalém, principalmente, o Altar, A Casa e o Muro. Podemos dizer que estas três coisas representam Jerusalém, pois quando você analisa o desempenho do coração em Esdras e Neemias, tem a sua operação e a sua expressão quase, se não for inteiramente, em conexão com essas três coisas. Houveram outras fases e características, mas todas eram dirigidas em direção a estas três coisas, o altar, a casa e o muro. Estas três ocupavam a atenção e energia deles, e assim podemos dizer que isso é o que se entende por Jerusalém, e era um assunto de preocupação com Jerusalém como estando reunida nessas três coisas. E quando você pergunta pelo significado espiritual do Novo Testamento de Jerusalém, a resposta sem dúvida é que Jerusalém representa a inclusividade e plenitude de Cristo. Poderíamos analisar isso diretamente pela Palavra para um benefício muito grande. Não é a nossa intenção fazer isso pelo momento, mas se você está precisando de um pouco de trabalho com a Palavra em algum momento, sugeriria a você que estudasse Jerusalém nessa perspectiva: a inclusividade e plenitude de Cristo. E se você quiser acelerar o seu estudo para uma rápida conclusão, comece em Apocalipse, pois lá a Nova Jerusalém, a Jerusalém celestial é sem dúvida a plenitude de Cristo.

Quando Neemias fez a sua indagação ele descobriu o estado de ruína em que Jerusalém estava. O altar desapareceu, a casa tinha sido destruída, e o muro tinha sido derrubado, até que Esdras retornou, substituiu o altar, reconstruiu a casa, mas ainda havia uma representação imperfeita de Cristo lá, as condições eram, portanto, insatisfatórias e desoladoras. O altar desaparecido; isso resultou em derrota espiritual, pois o altar foi colocado no seu lugar porque o povo tinha medo por causa dos povos ao redor, de modo que o altar se tornou a ocasião da remoção do medo deles, o símbolo de proteção, segurança, libertação, vitória, mas com o altar desaparecido, se segue a derrota espiritual. A casa destruída; logo a vida espiritual e comunhão, e plenitude do povo do Senhor desapareceu, pois a casa entra depois do altar, como uma coisa celestial, por meio da cruz, como aquilo em que o povo do Senhor têm comunhão e plenitude em vida celestial. O muro derrubado; logo o testemunho da plenitude de Cristo para o mundo desapareceu, e Jerusalém está em ruínas e o testemunho do Senhor na sua plenitude como representado desse modo é inexistente. O resultado dentre o povo do Senhor é um estado de servidão, daquilo que representa um estado de sujeição aos poderes do mundo, desonra, isto é, uma perda da dignidade, vergonha e repreensão. E mais, cisão e discórdia dentre o povo do Senhor, pois este livro revela uma boa quantia disso dentre os judeus em Jerusalém e em redor. E então, pobreza, pobreza terrível. Você lê isso novamente e perceberá como era quase impossível para eles sobreviver. Estas são as consequências de um altar desaparecido, uma casa destruída e um muro derrubado. São sempre as consequências daquilo que é tipificado desse modo. Numa palavra, quando a cruz na plenitude do seu significado, está fora de lugar, então há derrota espiritual dentre o povo do Senhor. Quando a casa, a verdade da Casa de Deus, a igreja, o Corpo de Cristo é negligenciada, ou ignorada, ou não capturada e aplicada, o resultado é que a vida celestial e comunhão celestial, e a plenitude celestial desaparece. E quando o muro, o testemunho da plenitude do Senhor ao Seu povo, é derrubado, então não há nada mais que mostrar ao mundo, o testemunho para o mundo é destruído.

O resultado para o povo do Senhor é que eles são levados a um estado de servidão, e esta é, de longe, a maior condição do povo cristão do que o oposto. O cristianismo está em servidão ao mundo. Está quase indo de joelhos implorando ao mundo para que permita existir. Está fazendo tudo que pode a fim de obter o favor do mundo; está em servidão, está pagando seus dízimos ao mundo. Cada vez que você vê uma aviso ou uma propaganda sobre uma venda, um concurso ou um bazar, ou algo assim, você sabe que lá há servidão ao mundo, e se vê obrigado a implorar a sua própria vida do mundo; tanto assim que muitos cristãos estão chegando a sentir que é demasiado caro pertencer a uma igreja, existem tantas coisas pelas que pagar. Ó, a vergonha disso, o descrédito para o Senhor, a indignidade, a desonra. E quanto à discórdia e a cisão dentre o povo do Senhor; e a pobreza espiritual; que tão poucos têm alguma coisa para dar de abundância, recursos e riquezas espirituais, para os demais. Isto é por causa da cruz, em todo seu significado da plena vitória e libertação não estar no seu lugar. O altar desapareceu. É por causa da grande verdade, a realidade da Casa de Deus, o Corpo de Cristo não estar em operação; isso conduz à discórdia, isso conduz à divisão e cisão, isso conduz à pobreza espiritual. Que é o oposto de pobreza espiritual nesta conexão? Ora, uma assembleia constituída nos princípios do Corpo de Cristo no qual todos têm algo para dar. O oposto disso é uma congregação, com somente um homem preparando algo dia após dia para dar para o povo, e se esse homem ficasse doente não haveria uma alma na congregação que assumisse o serviço ou desse uma mensagem, então eles devem andar em correrias para achar um pregador: toda a congregação está em pobreza espiritual sem um fragmento de comida para dar. Isso é por causa de que a verdade, a grande verdade da Casa de Deus não está em operação. Consiga introduzir essa verdade e todo o povo de Deus serão sacerdotes, e todos vocês terão algo para dar. Está você no benefício da verdade da Casa de Deus? Você tem riquezas e abundância espiritual? Assim é como o Senhor quer que Jerusalém seja: a plenitude de Cristo.

E então o muro se segue, e o muro é a expressão circunferencial externa do que está dentro. Isto é, dentro do muro está a plenitude de Cristo, e o testemunho de Cristo como a máxima satisfação para o Seu povo é transmitido ao mundo; este é o testemunho para o mundo de que em Cristo há plena satisfação. Isso é Jerusalém. E essa era a preocupação de Neemias, e a preocupação de Esdras com Jerusalém, pois eles representavam o completo significado de Jerusalém na cruz, e a casa de Deus, e o testemunho às nações da plenitude de Cristo, pela Sua cruz e na Sua Casa. Mas aqui não era assim; o mundo estava no controle e Jerusalém estava submergida. O povo de Deus estava espiritualmente dividido e disperso. Ora, o que temos aqui é a restauração, e Esdras e Neemias lidaram com todo o estado das coisas para recuperar a plenitude do testemunho do Senhor em Jerusalém, e o que eles recuperaram tipologicamente era, a plenitude de Cristo. E essa é a preocupação do tempo do fim do Senhor que Ele colocaria no coração de um instrumento em relação à Sua Volta. Um verdadeiro interesse pela restauração da plenitude de Cristo, o testemunho de Deus em Cristo da Sua inclusividade e plenitude. O que é, outra vez, a plenitude de Cristo? É a vitória da Sua morte como é representada pelo altar, a cruz. A vitória da morte de Cristo. Não nos vamos alargar nisso muito no momento, mas devemos ver que na medida em que esse altar em Jerusalém era o simbolo da libertação e segurança na presença dos inimigos em volta, a cruz, a morte do Senhor Jesus é a libertação do Seu povo do poder das trevas, a tirania do diabo, as forças do mal, e se torna o terreno da segurança deles mesmo quando o inimigo está rugindo em volta. A morte de Cristo é a nossa vitoria. O testemunho da cruz é que na Sua cruz Ele triunfou. O grande, grande poder na morte de Cristo para destruir a morte e aquele que tinha o poder da morte, que é o diabo. Devemos deixar que todo o peso disso caia nos nossos corações, "...para que pela morte destruísse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo; e livrasse todos aqueles que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à escravidão". Foi a Sua morte, uma morte destruidora de Satanás, uma morte libertadora do poder do diabo. Essa é a cruz, e o "medo da morte". "...e livrasse todos aqueles que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à escravidão". Ele libertou através da morte. Esse é o primeiro aspecto da plenitude de Cristo como revelada na Sua cruz.

Então, o poder da Sua ressurreição como representada pela Casa de Deus, ou o Corpo de Cristo, porque é o Corpo de Cristo e a Casa de Deus que se torna o repositório da verdade e poder da Sua ressurreição. A Casa é o resultado, como temos visto, da cruz. O Corpo de Cristo vem a existir através da cruz, como a imediata consequência da cruz, e Ele entra nesse Corpo no poder da Sua ressurreição; na sala superior, na vida e poder da ressurreição, Ele é achado imediatamente no meio. "...veio Jesus e permaneceu no meio", e isso representa para toda esta dispensação, a natureza da igreja. É aquilo em que Cristo no poder da Sua ressurreição, está habitando, está residindo. Isso é Jerusalém. Essa é a plenitude de Cristo como vista na Casa.

E logo, o testemunho da Sua suficiência para o Seu povo como representado pelo muro. O Senhor é suficiente para o Seu povo, e era esse o objetivo de Neemias, conduzir o povo para dentro dos muros e lhes dizer que o Senhor era suficiente para eles. E através de todo o conflito, toda a prova e as dificuldades, e as perplexidades, e inquietações que são vistas no curso da reconstrução desse muro, o ponto contínuo de optimismo, louvor e gloriar por parte de Neemias era em relação à suficiência do Senhor para a inteira situação. Ele inspirou o povo com isso e assim em seis messes toda a obra foi terminada, porque o povo tinha uma mentalidade trabalhadora. Eles tinham essa mente porque Neemias inspirou eles com a sua própria confiança na suficiência do Senhor, e todos os de fora chegaram a reconhecer que os que eles tinham chamado "estes fracos judeus" tinham obtido um recurso de plenitude que era superior ao dos homens, a plenitude do Senhor; e esse era o testemunho externo à plenitude de Cristo.

Então, Esdras e Neemias restauraram tipologicamente, aquilo que representava a plenitude de Cristo. E nós aplicamos isso é claro, para ver que isso é o que o Senhor está procurando fazer num tempo do fim. Sempre a restauração é mais difícil do que a construção original. Quando algo é perdido sempre resulta mais difícil recuperá-lo do que foi para originalmente estabelecê-lo. Chegamos ao livro de Atos e vemos a coisa entrando em vida, espontaneamente, em poder. Foi resistido, foi combatido, mas permaneceu lá em toda a sua gloria original, e poder, e esplendor. Mas foi perdido, e para que seja recuperado, representa uma tarefa muito maior. Assim percebemos que este livro representa a dificuldade da restauração. Estamos chegando a ver o que essas dificuldades são num momento. E depois, a restauração não é somente marcada por dificuldades que são naturais para uma perda de posição, mas a restauração é também cheia da oposição de todos os engenhos satânicos que se possam imaginar. Se o diabo está por trás da perda do testemunho, podemos estar certos de que ele resistirá a sua recuperação com todos os meios ao seu comando. Estas são as duas coisas que surgem tanto no livro de Neemias: as dificuldades da restauração de dentro e a resistência do inimigo de fora.

Vejamos algumas destas dificuldades, as dificuldades da restauração. Há uma frase que indica uma dificuldade inicial para Neemias. Enquanto ele estava dando voltas na sua investigação secreta pessoal pela noite, não tendo falado com ninguém, pessoalmente e secretamente se exercitando sobre todo este assunto, uma frase que é usada sobre a situação é esta: "...há muito entulho", e isso é sempre uma característica de restauração. Você não tem isso no mesmo sentido no cenário original ou constituição, você tem mais ou menos um caminho aberto para algo novo, mas quando se trata de renovar algo você descobre que enquanto isso uma boa quantia de entulho foi acumulado, e no lugar onde o muro outrora estava, agora há muito entulho. E lembre que esse muro é posto para representar a clara definição do que é de Deus e do que não é de Deus. Define o ponto onde o que é de Deus termina e o que não é de Deus começa, mas é uma marca clara de divisão. Ora, quando Neemias chegou ao lugar que fora marcado tão definidamente, tão precisamente, tão claramente, e que você poderia dizer: "As coisas de Deus terminam aí, e as coisas do mundo começam aí, e o muro faz essa divisão claramente", esse mesmo lugar que fora a marca clara de definição e divisão, e separação está cheia de todo tipo de entulho. Ou seja, a clara definição desapareceu, você não sabe onde terminam as coisas de Deus e onde começam as coisas do mundo. Existe essa sobreposição e mistura entre si, tanta confusão, tanta bagunça que a clara definição é perdida. "...muito entulho". Poderia ser perigoso tentar aplicar isso exaustivamente - mas o homem, mesmo religiosamente, tem colocado uma boa quantia sobre o que uma vez representava a linha clara de Deus de demarcação que até o povo cristão não sabe onde está hoje. O homem tem construído suas próprias interpretações do Cristianismo e da verdade, tem introduzido seus próprios sistemas e tem confundido as coisas tanto que você realmente não sabe a menos que você tenha um claro discernimento, como o que Neemias tinha, o que é de Deus e o que não é de Deus. Existem multidões de pessoas boas, honestas e sinceras que realmente estão na mais terrível neblina quanto ao que é de Deus e ao que não é de Deus religiosamente. Os sistemas religiosos do homem têm causado essa confusão e multidões de pessoas honestas acreditam com todo os seus corações que a coisa em que eles estão é de Deus, e é justamente possível para eles terem um despertamento para ver que toda aquela coisa era provocada pelo homem e não de Deus em absoluto. "...muito entulho". Paulo era um desses. Reflita sobre a sua vida passada, privilégios, heranças que ele uma vez acreditava serem tão completa e absolutamente de Deus, para ele, e que ele realmente estava dentro da vontade de Deus. Ele chegou a um tempo em que ele disse: "As coisas que para mim eram lucro, essas coisas as tenho como perda por causa de Cristo". "...pelo qual sofri a perda de todas as coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo"; e contudo ele era tão devotado a tudo isso como um sistema religioso tradicional no qual ele uma vez estava vivendo como sendo de Deus, que tinha agora se tornado meramente uma coisa externa de formas e leis externas. Ele acreditava, no entanto, que era tudo de Deus até que a luz brilhou, até que ele viu que na comparação com a plenitude de Cristo era refugo. É uma palavra forte que ele usa; a palavra que ele usa é "coisas para lançar aos cachorros". Saulo de Tarso lançando o seu Judaísmo aos cachorros! Ele o fez quando viu Cristo. Você nunca pode sair do entulho até que você veja Cristo. Peça ao Senhor para lhe revelar a plenitude de Cristo e você descobrirá que as coisas que agarravam e asseguravam você se convertem em mero refugo, coisas a serem lançadas aos cachorros. Havia muito entulho no lugar que uma vez representava uma clara linha de divisão entre o que era de Deus e o que não era de Deus; confusão, mistura. Não tentarei aplicar isso muito mais . O Senhor terá que nos mostrar por revelação, o que o entulho é, mas aí está a simples declaração e contém uma verdade, e você e eu teremos que realmente pedir ao Senhor para nos mostrar mesmo nos assuntos religiosos, onde o homem termina e Deus começa, ou onde Deus termina e o homem começa, para que sejamos libertos de tudo que o homem tem imposto ou acrescentado ao que é de Deus, e seremos capazes de ir direito às fundações, o entulho sendo removido: e existe uma grande quantia de entulho eclesiástico por toda parte nestes dias que tem de ir. Recuperar o pleno testemunho do Senhor Jesus supõe uma autêntica dificuldade. São os sistemas há muito defendidos do homem religiosamente, as tradições dos homens, aquilo que o homem trouce para o Cristianismo e disse: "Isto é de Deus". Para obter o pleno testemunho do Senhor Jesus você se depara com isso muito acertadamente e muito severamente, e você descobre que as pessoas são confrontadas com a grande obstrução das suas heranças e as suas aceitações antes que possam chegar direito à plenitude do Senhor Jesus. Leva muito tempo para retirar esse entulho - é assim.

Logo, a segunda coisa era a passada história deles que tenderia a ser uma base de grande desanimo, até desespero, e os lançaria num estado de inercia, paralisia. Eles olhariam para trás no passado e diriam: "Sim, os bons velhos tempos, nunca voltarão, não podemos esperar ter as coisas de novo como eram; se foram para sempre". "Qual é a vantagem de tentar restaurar?" Você encontra bastantes pessoas hoje que, em face de um esforço divinamente inspirado para restaurar a plenitude do testemunho de Cristo no Seu Corpo, dirão: "Ó sim, mas têm havido muitas coisas assim nos séculos passados, um grande número de pessoas têm tentado isso e sempre falhou". "Fulano e beltrano lideraram um movimento assim, e em outro tempo houve uma outra coisa que disse que era seu objetivo, e têm havido bastantes tentativas nesse sentido, mas a história mostra que eles não tiveram sucesso e um após o outro se decompuseram; qual a vantagem?" Veja há uma história, e uma história ruim da igreja, e há bastantes pessoas hoje que caem no desespero e dizem: "Bem, a única coisa que nos resta é vivermos como crentes individuais e nunca termos nada corporativo, e tentar sermos pessoalmente frutíferos para o Senhor". Esse é o conselho do desespero. Isso é completamente contrário ao Senhor. Nós não estamos pensando num grande mover mundial, numa coisa pública grande, mas se somente fosse numa companhia de uma dúzia que o Senhor tiver uma plenitude autêntica da realização do Seu fim, que é uma contradição de todos esses conselhos de desespero, e que é a resposta de Deus à obra do diabo. E você acha que está bem para nós assentarmos e dizermos ao Senhor que Ele começou a fazer uma coisa e isso tudo foi estragado e não serve de nada Ele tentar fazê-lo? "Senhor, no começo o Seu Plano, o Seu caminho era ter o Seu pleno pensamento e desejo como é representado pelas companhias pequenas aqui e lá; as coisas deram erradas, o Seu objetivo foi estragado, o diabo entrou e perturbou tudo, e é completamente impossível para Você reparar qualquer ideia ou ideal desses". Você está preparado para lançar isso ao Senhor? Nem um pouco. Neemias não aceitará isso, e Neemias representa o espírito de um mover do tempo do fim, e diz: "Bem, se somente for numa pequena companhia aqui e lá e em algum outro lugar, Deus pode ter aquilo que satisfaz o Seu coração, e se a satisfação do coração do Senhor é para ser realizado nesse sentido então é assunto nosso, e não devemos ficar desanimados pela história passada". Lembramos de moveres antigamente que eram grandes moveres, moveres abençoados e representavam algo muito rico para o Senhor, e depois eram perturbados e detidos, e por isso dizemos: "Bem, não adianta tentarmos alguma coisa, o mesmo resultado se seguirá". Isso é contrário ao espírito de Neemias. Um instrumento como Neemias repudia todos os argumentos e conselhos como esses, e diz: "Apesar da coisa ter falhado milhares de vezes, Deus é ainda capaz de fazer aquilo no qual Ele fixou o Seu coração" - e a resposta finalmente a toda a obra do diabo, será que Deus tem aquilo no qual o Seu coração se fixou. Deus não pode ser derrotado. Quando você e eu chegarmos à gloria e vermos o que Deus obteve lá, diremos: "Isto é aquilo sobre o que o Senhor colocou o Seu coração; aqui está..." "Parecia para nós como se tivesse se tornado não existente e completamente impossível; parecia para nós como se o inimigo tivesse destruído a coisa toda - mas aqui está". Deus responderá a todas as obras do diabo e terá finalmente aquilo no qual Ele fixou o Seu coração. Estamos com Ele nessa fé e confiança? O que Ele obterá no final, Ele pode obter pelo menos numa certa medida agora em pequenas representações aqui e lá, Seu próprio desejo e pensamento. As condições são tais que se você escutar o salmista você nunca tentará nenhuma coisa nesse sentido; se você escutar os que falam dos "bons velhos tempos" que nunca poderão voltar de novo, você será paralisado.

A terceira dificuldade - homens na carne estão demasiadamente em possessão. Homens na carne têm tomado a possessão do território do Senhor e as coisas do Senhor. Acaso não nos deparamos com dificuldades dessas? A dificuldade dos interesses adquiridos de tantas pessoas; os seus oficios e posições, reputações e nomes, e suas outras milhares de coisas. O homem tem ficado no caminho de Deus e no lugar de Deus, e por isso você se depara com esses interesses pessoais de tantas pessoas na obra do Senhor, que a restauração do pleno testemunho do Senhor Jesus é excessivamente dificultada. Neemias encontrou isso.

Nós vemos que as condições neste livro eram que haviam aqueles lá que tinham tomado posse e que tinham posição, e detiveram as atividades de Neemias, os nobres e outros. Bem agora, nós nos deparamos com isso. Você vai para obter algo que é totalmente do Senhor e você encontra pessoas no caminho, homens e mulheres na carne criando dificuldades. A necessidade muitas vezes é para o Senhor quebrar o homem ou colocá-lo para fora. Não é essa a dificuldade? Eles tomaram controle, eles estão dirigindo isto, isto é as suas obras, isto rodeia eles, eles eram os fundadores disso e vive ou morre com eles. Ora, se você quer algo da universalidade de Cristo, a preeminência de Cristo, que não tem espaço para o homem mas que é totalmente ocupado pelo Senhor Jesus, ou esses homens e mulheres na carne têm que ser esmagados, reduzidos ao pó, ou então o Senhor terá que colocar eles para fora ou senão Ele não poderá fazer nada - e isso é sempre uma dificuldade na restauração.

E a quarta coisa era o empobrecimento do povo do Senhor: a dominação do mundo. Neemias encontrou esse empobrecimento dentre o povo em Jerusalém. Isso representava para ele uma grande dificuldade para recuperar o testemunho. Temos nos referido à dominação do mundo, e portanto, ao empobrecimento resultado do povo do Senhor. Estas duas coisas sempre vão juntas. O sabemos pela experiência, que se o mundo tiver espaço nas nossas vidas, ou no que é chamado a igreja, o empobrecimento espiritual será achado lá, pobreza espiritual. Quando o mundo é descartado absolutamente e Cristo é tudo em todos, sempre haverão as riquezas de Cristo, sempre há o meio de Deus para avançar. Temos dito muitas vezes que quando descemos para Egito o Senhor nos deixa tomar a responsabilidade para levas as coisas. Quando nós repudiamos Egito e colocamos a nossa confiança no Senhor, e fazemos Dele o nosso recurso Ele toma a responsabilidade para avançar. E isso é um testemunho fiel à vida. Nós, sem nenhuma vangloria em absoluto, ou regozijo ou vangloria na carne, somos capazes de dar o nosso testemunho muito, muito definidamente disso. Havia um tempo na nossa história em que descemos para Egito, quando tivemos que extrair os nossos recursos do mundo para continuar o que chamávamos a obra da igreja. Foi um tempo abençoado na nossa história quando o Senhor nos fez repudiar Egito e parar todo o programa de apelos ao mundo em qualquer sentido, e nos fez voltar para Ele e Lhe dar o Seu lugar, e a partir desse dia até hoje Ele tem nos ajudado e continuado, e não temos tido falta de nada; mas antes, nós somos um constante assombro para os demais a respeito de onde os recursos vem. isso não é se gloriar na carne, não quero que pareça dessa maneira; é um testemunho, e é transmitido para reforçar a verdade do que estamos dizendo. A habilidade que o Senhor dá para fazer muito mais pelos demais quando Ele tem o Seu pleno lugar é incrível. Então você não vai de chapéu na mão ter com o mundo, você tem algo para dar ao mundo, você tem o conhecimento da plenitude de Cristo e seus muros estão levantados, seu testemunho externo é estabelecido e você não precisa extrair do mundo por nada, mas você tem algo para dar ao mundo e o mundo está em pobreza em comparação. Mas aqui havia empobrecimento porque o Senhor não tinha o Seu pleno lugar e os muros estavam derrubados. Mas isso é sempre uma dificuldade.

Não temos tocado o lado satânico desta restauração mas podemos deixar isso para mais tarde. O Senhor simplesmente nos dá essa clara percepção, apreensão para ver o que o Seu pensamento é e termos a nota positiva. Sinto que precisamos reconhecer o valor de uma nota positiva. Não vamos denunciar isto e aquilo e termos a nota negativa todo o tempo, devemos ter esse lado positivo das coisas que porque temos o que temos, por mera comparação os demais podem ser compelidos a ver que a posição deles não é a certa. Não porque dizemos que é errada, não porque estamos pregando que eles estão errados mas porque eles têm que ver sem nada que pudesse sair de nossos lábios, que nós temos o segredo. Esse é o caminho da eficácia. Nós temos o segredo, e o segredo é o próprio Senhor. Que o Senhor possa nos conduzir até a Sua plenitude, a plenitude de Cristo a nossa plena satisfação.

Primeiramente publicado na revista "Candelabro de Ouro" Vol 122, extraído de manuscritos previamente inéditos.

Origem: "Concerning Jerusalem"