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As riquezas de Sua graça

por T. Austin-Sparks

(Uma mensagem entregue em uma Convocação dos Estados do Leste, EUA, em 1966)

“No qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Efésios 1:7).

Em suas cartas, o apóstolo Paulo usa a palavra 'riquezas' cerca de treze vezes. Cada ocasião tem um contexto profundamente valioso. Destes tiramos: "A riqueza da Sua graça", e vamos deixar que Davi e Salomão sejam o nosso exemplo desta graça superlativa. Gostaria apenas de apresentar um ou dois fragmentos do primeiro livro das Crônicas, capítulo 28, versículos 1-6:

“Então, Davi convocou para Jerusalém todos os príncipes de Israel, os príncipes das tribos, os capitães dos turnos que serviam o rei, os capitães de mil e os de cem, os administradores de toda a fazenda e possessões do rei e de seus filhos, como também os oficiais, os poderosos e todo homem valente. Pôs-se o rei Davi em pé e disse: Ouvi-me, irmãos meus e povo meu: Era meu propósito de coração edificar uma casa de repouso para a arca da Aliança do Senhor e para o estrado dos pés do nosso Deus, e eu tinha feito o preparo para a edificar. Porém Deus me disse: Não edificarás casa ao meu nome, porque és homem de guerra e derramaste muito sangue. O Senhor, Deus de Israel, me escolheu de toda a casa de meu pai, para que eternamente fosse eu rei sobre Israel; porque a Judá escolheu por príncipe e a casa de meu pai, na casa de Judá; e entre os filhos de meu pai se agradou de mim, para me fazer rei sobre todo o Israel. E, de todos os meus filhos, porque muitos filhos me deu o Senhor, escolheu ele a Salomão para se assentar no trono do reino do Senhor, sobre Israel. E me disse: Teu filho Salomão é quem edificará a minha casa e os meus átrios, porque o escolhi para filho e eu lhe serei por pai” .

“Começou Salomão a edificar a Casa do Senhor” (2Cr 3:1).

“Salomão, filho de Davi, fortaleceu-se no seu reino, e o Senhor, seu Deus, era com ele e o engrandeceu sobremaneira” (2Cr 1:1).

Dissemos que o apogeu do Antigo Testamento foi alcançado em Salomão, e descobriremos que Salomão nos aponta para Cristo. Quando Aquele que é Maior que Salomão estiver diante de nós, Salomão será eclipsado, saindo da esfera de nossa visão. A riqueza, a sabedoria, a glória e a herança de Salomão são proverbiais, fabulosas, renomadas e muito famosas. Ele representa o ápice da realeza e glória no Antigo Testamento. O próprio Jesus reconheceu a grandeza de Salomão em duas ocasiões, com podemos nos lembrar. Ele apontou para as flores no campo e disse: "Observai os lírios; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles" [Lc 12:27]. Toda a glória de Salomão foi algo proverbial, mesmo naqueles dias, e o próprio Jesus reconheceu isso. Em outra ocasião, o Senhor disse: "A rainha do Sul se levantará, no Juízo, com esta geração e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão" [Mt 12:42], reconhecendo o grande lugar que Salomão tinha no mundo da sabedoria. Mas Jesus disse: "Salomão, em toda a sua glória", 'Salomão em toda a sua sabedoria', acrescentando então: "E eis aqui está quem é maior do que Salomão". Salomão desvanece quando Jesus entra em cena. Riquezas insondáveis ​​de Cristo! Devemos considerar como, em vários aspectos, Jesus é maior do que Salomão.

Uma coisa que temos falado, e que está em nossos corações neste tempo juntos, é sobre a nossa grande necessidade de uma nova apreensão do Senhor Jesus para trazer todas as coisas à perspectiva correta para nós. Mas temos duas considerações preliminares antes de prosseguir com esse assunto. Por que Deus magnificou Salomão? Pois está escrito que "o Senhor engrandeceu sobremaneira a Salomão perante todo o Israel; deu-lhe majestade real, qual antes dele não teve nenhum rei em Israel" [1Cr 29:25]. O Senhor de fato dotou Salomão com esta grandeza fabulosa e proverbial de riqueza, domínio e sabedoria. Por que Ele fez isso? Deus, desde a eternidade, tem apenas uma pessoa em vista, e essa pessoa não era Salomão, nem ninguém mais além de Seu Filho. Se o Senhor engrandeceu tanto Salomão, foi para trazer Seu Filho, ainda maior, à vista. O Senhor realizou a maior coisa que Ele poderia fazer aqui nesta terra, para conduzir-nos para algo muito mais elevado nas coisas celestiais. Deus tinha em vista Seu Filho, o outro, o Maior que Salomão, e é por isso que Ele o fez. Gostaria que Salomão soubesse disso! Isso o teria livrado de uma grande tragédia histórica. Se realmente conseguíssemos ver isso, que Este, o Único, é Quem deveria estar sempre preenchendo nosso campo de visão, todas essas tragédias, erros e tolices que cometemos - ou que Salomão cometeu depois - seriam evitados.

Oh, as coisas maravilhosas que Deus disse aparentemente sobre Salomão, e que nunca poderiam ter sido cumpridas no próprio Salomão. Essas coisas estavam muito além dele! Deus estava indo além deste homem quando falava a seu respeito, e até mesmo quando se dirigia diretamente a ele. Precisamos tomar nosso Novo Testamento para descobrir em relação a Quem aquelas palavras realmente se aplicavam. Bem, podemos fazer isso à medida que avançamos, mas o ponto é que não devemos ver Salomão apenas como o fim em si mesmo. Devemos olhar através dele para Outro, e ver que Deus, em Sua soberania, magnificou e glorificou este Salomão apenas por ter Outro em vista, e no longo prazo veremos Aquele que é Maior do que Salomão, Alguém Maior que todas as grandiosas coisas que Deus já fez nesta terra.

Outra coisa que devemos lembrar nesta consideração preliminar é que Salomão não era realmente ele mesmo. Quero dizer o seguinte: Salomão era o fruto e a continuidade seu pai, Davi. Salomão era a plenitude de Davi, e nunca poderemos ver Salomão sem olhar para Davi. Ou seja, não é tanto a pessoa, mas aquilo que ela representa que devemos observar na contemplação de Salomão. Quando abrimos o Novo Testamento, Salomão é mencionado apenas, no máximo, meia dúzia de vezes, quase de forma casual, mas Davi é mencionado de uma forma muito positiva por mais de trinta vezes. Essa é uma declaração na qual devemos nos concentrar, é claro, e verificar. Quando abrimos o Novo Testamento, logo no primeiro livro, no Evangelho de Mateus, descobrimos que lemos apenas algumas palavras e já vemos Davi. Ele tem um lugar de prioridade, bem no início do Novo Testamento. Percorremos todo o Novo Testamento e, como já mencionei, encontraremos com Davi mais de trinta vezes. Bem, na última página da Bíblia, no capítulo vinte e dois do livro do Apocalipse, Davi surge novamente. Este homem representa um princípio muito maravilhoso, abundante e ocupa um lugar muito especial. Temos uma cláusula em Isaías 55, repetida no Novo Testamento, que é definida como "as misericórdias seguras de Davi". Oh, que sejamos capazes de sondar a profundidade disso! Esta manhã meditaremos um pouco mais a esse respeito: "as fiéis misericórdias prometidas a Davi" [Is 55:3].

Tudo o que dizia respeito a Salomão se relacionava às "fiéis misericórdias prometidas a Davi", e isso nos leva à primeira das grandezas, das "riquezas insondáveis de Cristo” registrada em Efésios, e em todos os lugares, para sempre: as riquezas de Seu graça. Podemos perceber as riquezas de Sua graça transmitidas a nós por meio de Salomão? Ao ver a grande eminência da glória, riqueza e sabedoria para a quais Deus trouxe este homem Salomão, precisamos observar e ver onde tudo teve início. Onde tudo isso começou?

De fato, o contexto do nascimento e da vida de Salomão é muito obscuro. Dissemos que ele foi a plenitude de seu pai, Davi. Salomão foi o filho da velhice de Davi. Ele não era o único filho, pois lemos: "E, de todos os meus filhos, porque muitos filhos me deu o Senhor” [1Cr 28:5]. Conhecemos alguns deles, e um em particular - Absalão. Mas Salomão foi filho da velhice de Davi, e esse período de sua vida foi cheio de sombras: tragédias, tristezas e grandes erros. Salomão estava relacionado às nuvens mais escuras da vida de Davi.

Conhecemos a história do grande pecado de Davi com Bate-Seba e seu marido, Urias. Davi, relaxando indevidamente em um momento em que os reis saíam para a guerra, subiu para o terraço (há momentos de relaxamento que são muito perigosos!). Desse terraço ele avistou aquela linda mulher, Bate-Seba, e a cobiçou. Suas paixões escalonaram e ele pensou: ‘Preciso possui-la’. A paixão é uma coisa muito, muito fértil para o mal, e ele planejou conquistá-la. Conhecemos o resto da história - como ele planejou, conspirou como colocar o marido dela, Urias, na linha de frente da batalha, e então disse aos outros guerreiros para se retirarem e deixá-lo sozinho com o inimigo, o que eles fizeram. Urias foi morto de acordo com o plano articulado por Davi, e eles retornaram, dizendo: ‘O plano teve sucesso. Urias está morto.' Então Davi mandou buscar Bate-Seba e a tomou por esposa. O filho nascido dessa união iníqua foi ferido por Deus, adoecendo por dias e depois vindo a morrer. Natã, o profeta, foi até Davi com uma mensagem de Deus e a envolveu em uma parábola sobre algo que aconteceu na cidade, pintando tudo em imagens tão sinistras que Davi se levantou com raiva e indignação, dizendo: 'o homem que fez isso deve ser morto’. Natã apontou para ele e disse: "Tu és o homem!" [2Sm 12:7]. Natã trouxe a Davi essa acusação em um golpe esmagador, acrescentando: "Não morrerás." [Vs 13]. Veremos um ponto importante em relação a isso em um momento.

A profundidade e a grandeza do pecado de Davi são vistas em diversas confissões, tristezas e lamentações. Devemos olhar nos Salmos, pois eles são tocados aqui e ali com esse sentimento. Vejamos no Salmo 32: "Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões" [vs 5]. No Salmo 38, no versículo 18: "Confesso a minha iniquidade; suporto tristeza por causa do meu pecado”. E então temos um Salmo inteiro - o Salmo 51 - uma das porções mais terríveis de literatura que existe. Veja o título deste Salmo: "Salmo de Davi, quando o profeta Natã veio ter com ele, depois de haver ele possuído Bate-Seba" ... "Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar" [vs 1-4]. Assim segue todo o Salmo, que não iremos ler, mas vamos tomar mais um fragmento dele: "Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus" [vs 14]. Aqui vemos um coração partido, penitente, diante do tribunal de Deus, implorando por misericórdia, cheio de auto condenação, com uma consciência manchada de iniquidade, e o rosto de Deus voltado para o outro lado, uma desolação do coração. Ele clama: "Restitui-me a alegria da tua salvação”, tem misericórdia de mim.

Davi cometeu o pecado que o colocou além dos limites das virtudes contidas em todos os sacrifícios levíticos. Se lermos a respeito dos sacrifícios e de suas condições, descobriremos que eles não cobriam esse tipo de pecado, não havia provisão para isso. Mesmo as cidades de refúgio providas para o assassino não aceitariam Davi, porque para o assassino encontrar refúgio ali, deveria ter causado a morte de alguém inadvertidamente, sem premeditação, por acidente. Portanto, não havia provisão para Davi, um homem que premeditou, planejou, maquinou e causou a morte de outro; a cidade de refúgio não o receberia. Nenhum sacrifício era concedido a ele. No Salmo 51, Davi disse: “Pois não te comprazes em sacrifícios; do contrário, eu tos daria; e não te agradas de holocaustos” - 'Não é bom. Não tenho nenhum’. Ele estava fora do alcance de todos os sacrifícios e suas virtudes devido à sua premeditação. Oh, quão longe esse homem tinha ido! Não é de se admirar que sua consciência o fizesse chorar assim! A morte de Urias - assassinato - estava ali, às portas de Davi, além da morte daquele pequeno bebê inocente. O que podemos fazer com um homem assim? O que vamos fazer com um pecado como esse? Está fora do alcance de todas as prescrições mosaicas. Que resposta temos para isso? Como esse homem pode escapar? Como pode o fim disso tudo ser em glória? Existe apenas uma resposta, sim, existe uma resposta: Graça! A graça vai além de todos os limites do Antigo Testamento.

Davi é o maior exemplo do Antigo Testamento de perdão pela graça. Lembre-se disso! É por isso que Davi é tão exposto. Esse é o significado das "fiéis misericórdias prometidas a Davi”. Por que de Davi? As riquezas insondáveis de Sua graça! O seu filho reúne em si todo aquele sentido da graça Divina, o que a graça pode fazer em relação a uma situação como essa. Que glorioso! A glória pode seguir a graça. “A glória de SUA graça” é uma frase de Efésios. Nossa, que profundo!

Você se pergunta: Pode haver algo maior, uma maior demonstração de graça do que aquela para com Davi, e representada de forma temporal em Salomão? (Sublinhe a palavra “temporal”). Pode haver algo maior do que isso? Existe maior graça do que a representada por Salomão? Oh, sim: "E eis aqui está quem é maior do que Salomão”. O Filho do Homem, o Filho de Deus adentrou nas trevas e na escuridão do pecado de toda a raça, não de um só homem, suportou o julgamento desse pecado universal e trouxe a infinita graça de Deus ao mundo - ao mundo!

Olhe novamente para aquela cruz na colina do Calvário! Observe, ouça aquele grito amargo, de um coração partido: "Eli, Eli, lamá sabactâni?"... "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. Essa palavra abrange todo o tempo e a eternidade: “desamparado... desamparado", Davi pode ter provado um pouco disso. Queridos amigos, quando olhamos para aquela cruz e ouvimos aquele brado, tocamos a mais profunda tragédia humana, isto é, que a raça, a não ser pela graça de Deus, seria abandonada por Deus, eternamente. Se você já experimentou uma tristeza profunda, muito terrível, dentro do alcance da capacidade humana, sabe que aquela hora de escuridão é como uma eternidade. Não é algo momentâneo; mas parece uma eternidade. É como se fim das coisas fosse tocado. Naquele momento em que Jesus clamou: “desamparado, desamparado", Ele tocou na eternidade do destino do homem sem Deus. Esse brado com a palavra “desamparado" indica a medida da depravação humana. Ainda devemos sentir o tremendo impacto da Cruz neste sentido - se Jesus não tivesse ido lá por nós, seríamos eternamente abandonados por Deus. A face de Deus estava voltada contra nós. A escuridão e as trevas da condenação eterna repousavam sobre a raça - exceto pela Cruz de Jesus Cristo e pelo que Ele fez ali, quando foi desamparado.

Você já experimentou a menor gota de morte? Oh, sim, isso é possível, mesmo em nossa vida cristã, na vida espiritual. Confesso que houve momentos em que me perguntei se o Senhor havia saído do meu universo, se Ele ainda estava vivo e se não tinha me esquecido. Clamei: 'O Senhor se esqueceu de ser gracioso?' Foi como se o Senhor tivesse partido. Não conseguia encontrá-Lo. Orava, mas não conseguia tocá-Lo. Uma pequena experiência como essa não indica que Deus nos abandonou, graças a Deus! Nunca é, pois Ele disse: “nunca jamais te abandonarei" [Hb 13:5]. Entretanto, uma leve consciência do afastamento do Senhor é a pior experiência que pode acontecer em nossa vida. Oh, é a coisa mais horrível ter que passar um tempinho sem a percepção do Senhor, tateando pelo Senhor e não O encontrando, como Jó, um homem justo: ‘Vou pela direita e para a esquerda, ele não está; vou em frente, ele não está lá’. “Ah! Se eu soubesse onde o poderia achar!" [Jo 23:3]. Você já teve alguma experiência assim? Não desejo que passe por isso, se não teve. Não ambicione isso. Mas alguns de nós pode conhecer um dia, ou alguns dias ou até mais, de: ‘Onde está o Senhor? Onde está o Senhor?'. Pode ser que o Senhor nos deixe conhecer algo disso para nos trazer à uma comunhão com Seus sofrimentos, e para nos fazer compreender quão grande obra Ele fez por nós, pois o Senhor não acredita em teorias e doutrinas, Ele é muito prático. A experiência é Sua escola, e Ele nos ensinará nessa pesada escola da experiência.

Sim, Aquele que é maior que Salomão ou Davi está aqui. Ele veio e tocou a mais profunda depravação humana que pode ser encontrada na palavra “desamparado". Quem não acredita na depravação da natureza humana, e numa depravação total, ainda não viu a si mesmo na Cruz do Senhor Jesus desamparado por Deus, por um lado. Sim, a graça atinge o ponto mais profundo da tragédia humana, que é o abandono do homem, mas para Cristo. Graça! Que palavra é esta! Se Salomão, em toda a sua glória, foi fruto daquela terrível iniquidade, julgamento, fora do âmbito da provisão Levítica; se toda a sua glória deriva daquilo, o que você pode dizer? Que palavra existe para explicar isso? Só Graça! Seguiremos com essa palavra o tempo todo, e por toda a eternidade.

O Dr. J.H. Jowett, que foi um dos maiores pregadores do século passado, disse o seguinte: "Há uma palavra com a qual lutei tanto! Não há palavra com a qual lutei mais do que esta: Graça! É como expressar a grande floresta americana em uma só palavra. Nenhuma frase pode expressar o significado de graça. Graça é mais do que misericórdia, a terna misericórdia, e é mais do que uma infinidade de ternas misericórdias. Graça é mais do que amor, o amor inocente. Graça é o amor santo, mas é o amor santo fluindo instantaneamente na busca ansiosa dos profanos e indignos. É o ministério de um grande sacrifício, para redimir os profanos e indignos para a beleza de Deus. A graça de Deus é o amor santo que se move para nós, e para os iguais a nós. É a imerecida aproximação de Deus na direção aos filhos dos homens para que Ele possa trazê-los para a glória e brilho de Sua própria semelhança." Bem, isso é uma tentativa de definir esta palavra.

Paulo não estava certo ao falar das riquezas insondáveis de Sua graça? Paulo sabia do que estava falando. Havia um pano de fundo na vida desse homem. “Não sou digno”, disse ele, “de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja” [1Co 15:9]. Ele estava de joelhos diante do Senhor, e o Senhor estava mostrando a ele Sua graça e Sua misericórdia. Ele disse: 'Mas, Senhor, quando se derramava o sangue de Estêvão, tua testemunha, eu também estava presente, consentia nisso. Que base tenho eu para o apostolado? Que base tenho para ser alguma coisa? Minhas mãos estão manchadas de culpa de sangue, tudo premeditado, planejado e executado com força terrível. Como ouso olhar para o Teu rosto e ser um discípulo, um filho de Deus, para não dizer um apóstolo!' "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo" [Ef 3:8].

Se não me compreenderem, peço que o Senhor registre uma impressão sobre nós!

Oração: Com que facilidade e linguagem simples, repetimos: "A graça de nosso Senhor Jesus Cristo!" Oh, Senhor, desafie-nos com essa palavra, eleve-nos com essa palavra, salve-nos com essa palavra. Será que podemos ousar dizer: glorifique-nos com essa palavra? Oh, se todas as palavras forem esquecidas e nossos esforços humanos para transmiti-las falharem totalmente, deixe-nos essa impressão! A graça de Deus é realmente a maior coisa neste universo. Nós a encomendamos a Ti; oh, concede-nos a glória em Tua graça, por amor de Teu Nome. Amém.

Publicado pela primeira vez na revista "A Witness and A Testimony", em maio-junho de 1967, Vol 45-3.

Origem: The Riches of His Grace


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