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Fé em Deus em meio a circunstâncias desesperadoras

por T. Austin-Sparks

Leitura: Jeremias 32: 6-27.

"Ah! Senhor Deus, eis que fizeste os céus e a terra com o teu grande poder e com o teu braço estendido; coisa alguma te é demasiadamente maravilhosa." (vs 17).

"Eis que eu sou o Senhor, o Deus de todos os viventes; acaso, haveria coisa demasiadamente maravilhosa para mim?" (vs 27).

Vemos no incidente do campo de Ananote uma exposição prática dessa declaração e dessa pergunta. Conhecemos a situação que ocorria no período relacionado a esse capítulo, nela vemos um aprisionamento dúplice: Jeremias estava encerrado no pátio da guarda, e a cidade estava cercada pelo invasor. Então, em meio àquela situação, de alguma forma o Senhor imprimiu no coração de Jeremias que seu primo viria até ele pedindo-lhe que comprasse o seu campo. Não sabemos como isso de fato aconteceu, mas concluímos que Jeremias foi avisado que seu primo viria até ele com esse pedido, e assim aconteceu. Por quarenta anos Jeremias profetizou a respeito da destruição de Jerusalém, da terra e do cativeiro do povo. Seu encargo se relacionava com a destruição e desolação da terra, o que colocou Jeremias em circunstâncias muito difíceis. Não há dúvida sobre a escuridão do panorama diante dele; tudo era muito real. Seu ministério, que havia durado todos aqueles anos, agora estava em suspenso. Havia a situação peculiar daquele momento, quando Jeremias era um cativo dentro de um cativeiro. Aquele foi um desafio muito real à sua fé. Não se tratava de uma situação hipotética; foi tudo muito real. Inclusive a vinda de Hananel, seu primo, buscando-o como parente redentor, ou seja, aquele que tinha o direito de resgatar e salvar aquela herança de ser perdida para a posteridade, de ser tirada do seio da família.

Bem, não sei o que Hananel estava de fato pensando, mas considerando a inicialmente a situação a partir da terra e suas perspectivas, alguém poderia concluir que certamente aquela propriedade sairia do contexto da família. Os caldeus iriam tomar a terra, invadindo-a e a deixando destruída e desolada. Então, do ponto de vista natural, não era hora de embarcar nesse tipo de coisa, pois redimir naquela época envolvia muito mais do que apenas transferir algo de uma pessoa da família para a outra, por meio de uma escritura. Redimir, nessa ocasião, representava muito mais do que apenas redimir dos caldeus e da própria condição pessoal. Isso porque o que Jeremias poderia fazer com um campo em Anatote quando já estava envelhecendo e em iminente risco de vida? Ele não poderia vislumbrar nada diante de si, e sabia o que ia lhe acontecer, depois de tantos anos profetizando compulsoriamente a respeito disso. Realizar um ato de redenção em meio a tudo isso foi um tremendo desafio à fé.

Não há dúvida, é claro, que essa profecia iria além de Jeremias e até mesmo de Israel. Não é difícil ver que, no grande esquema Divino, temos aqui uma ilustração muito prática de algo que aconteceu anos depois, com um sentido muito mais abrangente - me refiro à redenção realizada por Cristo. Cristo sabia que todo este mundo, mais cedo ou mais tarde, estava destinado para o julgamento e para o fogo, seria consumido e purgado. Ele sabia que estava em uma posição pior do que a de Jeremias, mas Ele realizou o ato da redenção. Por intermédio da redenção, Ele garantiu o mundo para uma glória futura. Aquele foi um poderoso triunfo da fé. Digo isso porque, embora esse incidente tenha valores práticos para nós, tudo se relaciona à coisas muito maiores e, sem dúvida, essa é a principal interpretação desse incidente.

Vemos isso realizado no livro do Apocalipse. Aqui você tem Jeremias ordenando que a escritura seja colocada em um vaso selado para se conservar por muitos dias [vs 14]. No livro de Apocalipse temos os sete selos e quando esses sete selos estão sendo abertos, então sabemos que chegou a hora do Senhor Jesus garantir Sua posse da propriedade adquirida depois de muitos dias. Nesse momento o Senhor estará entrando em Sua herança para possuir o que Ele redimiu. Bem, não vou me alongar nisso nesse momento.

Queremos captar os valores contidos nesse incidente que podem nos ajudar no momento presente. Observe o quão completa foi aquela transação. Jeremias não hesitou, nem estabeleceu condições, redimindo aquela propriedade como se fosse um homem livre e como se os caldeus não existissem. Ele cumpriu todo o processo de acordo com a lei; por meio de uma escritura lacrada como se costumava fazer, guardada em uma espécie de cartório, e com outra via que era um documento aberto para que todos pudessem ler, uma cópia que poderia ser vista publicamente e a qualquer momento. Ele conduziu todo o processo de forma completa e adequada. A questão central é que Jeremias não fez isso de forma hesitante, incerta. Ele o fez com uma precisão que indicou que ele estava seguro de seus atos. Sua fé foi até o fim.

Assim Jeremias cumpriu todos os trâmites necessários. Sabemos que existem momentos em que temos certeza daquilo que o Senhor deseja que façamos, concedendo-nos sinais, evidências, falando aos nossos corações, confirmando tudo de maneiras diferentes, e naquele momento, respondemos ao chamado da melhor forma que podemos. Finalmente, quando tudo é cumprido, encaramos uma reação. Todo o significado da situação, do que fizemos, é rememorado e ficamos atemorizados pelas nossas ações, pelo caminho tomado. Isso é o que aconteceu com Jeremias. Ele fez isso com total segurança e quando tudo acabou e as pessoas foram embora, quando ele foi deixado sozinho com o Senhor em sua prisão, teve uma terrível reação. Tudo se voltou contra ele. Ele agora estava sendo testado pela posição que havia assumido. Ele se voltou para a oração, afirmando: "coisa alguma te é demasiadamente maravilhosa", e então passa a conjecturar, talvez na busca de sustento para sua própria fé. Ele rememora a história de Israel e as coisas maravilhosas que o Senhor fez, vislumbra seu próprio ministério e vê como ele está sendo cumprido. O que Jeremias tem profetizado todos esses anos, o Senhor está cumprindo. Os caldeus estão lá. Ele repassa tudo, mas na forma de um interrogatório. Ele fez uma declaração, mas é tudo um interrogatório ao Senhor. Ele conclui tudo dizendo: “Contudo, ó Senhor Deus, tu me disseste: Compra o campo por dinheiro e chama testemunhas, embora já esteja a cidade entregue nas mãos dos caldeus.” (vs. 25). Ele volta à situação. Então, o Senhor entra em cena e o desafia usando suas próprias palavras: "Haveria coisa demasiadamente maravilhosa para mim? Você disse que nada é muito difícil para mim. Alguma coisa seria muito difícil para mim?" O Senhor o conduz de volta à sua própria posição.

Duas coisas vêem à luz nessa situação, e elas são de grande ajuda para nós, ou pelo menos deveriam ser. Uma é que o Senhor por vezes nos chama em meio a situações humanamente impossíveis, situações essas que tornam naturalmente impossível realizar aquilo que Ele nos conclama a fazer. Ele então nos convoca a tomar medidas práticas na presença dessas absolutas impossibilidades, isto é, afirmar nossa posição em meio às coisas que, no presente, tornam impossível assegurar a realização de nossa ação no futuro. A alternativa é: "Bem, a situação é tão desesperadora e impossível que não adianta fazer nada, devemos esperar." Simplesmente nos encolhemos, afirmando: "Não podemos fazer nada, é absolutamente impossível! Veja como estamos calados, aprisionados, veja como as possibilidades estão travadas, veja as perspectivas." Podemos apenas nos sentar, esperar e nada fazer até que a situação se resolva. Frequentemente tem sido em situações como essa, quase invariavelmente, que o Senhor demandou por um ato de fé da nossa parte, de acordo com a posição que tomamos.

Demos um testemunho, tomamos uma posição, fizemos declarações quanto ao propósito, intenções e desejos do Senhor, como o Seu grande propósito nessa dispensação ou algo semelhante. Assumimos uma posição com o Senhor porque Ele gravou isso em nossos corações, e nós respondemos tomando uma posição, declarando isso abertamente. Então surge o tremendo desafio de Satanás, afirmando que a realização da posição que assumimos é absolutamente impossível, que nossa declaração está fora de questão. O que afirmamos ser o propósito do Senhor tem sua realização impossível nesse momento; não pode acontecer. Então tudo reside na questão: vamos abandonar nossa posição, cedendo ao desespero das condições que nos rodeiam? Essa é a alternativa, simplesmente deixar para lá, não fazer nada e esperar até que tudo esteja favorável, antes de fazermos qualquer outra coisa. Nesse momento o Senhor procura alguma expressão prática de fé que se oponha às circunstâncias, assegurando essa posição no futuro, garantindo o título de propriedade, de forma clara e definitiva, levando tudo a cabo sem quaisquer ressalvas, sem 'ses' ou 'mas' - ignorando as circunstâncias e agindo. Podemos passar por um momento difícil, duvidar e a fé pode começar a vacilar um pouco. Podemos ser confrontados com nossa posição. O Senhor diz, em circunstâncias totalmente desesperadoras: "Você ainda acredita? Alguma coisa é muito difícil para mim?".

Esse tipo de situação muitas vezes vem à luz por causa da obra e do testemunho do Senhor, quando existe um chamado relacionado ao propósito do Senhor na vida de uma pessoa, essa situação pode se repetir. Mas isso não acontece apenas em nossas vidas e no nosso relacionamento com o Senhor, mas o Senhor permite que posições como essa ocorram onde naturalmente não há esperança, nenhuma base para a certeza, tudo é ameaçador, indicando que seu cumprimento é impossível! Mas durante aquele período nós interagimos com o Senhor em relação à situação, sentimos que Ele nos guiou naquela direção, que era a Sua vontade. Não tínhamos dúvidas naquela ocasião. Depois de muita oração, esse foi o caminho pelo qual o Senhor nos conduziu, e agora tudo ao nosso redor diz que foi um erro, uma loucura, que nossa atitude foi temerária, e é totalmente impossível, além da nossa capacidade de realização. Tudo ao nosso redor parece afirmar isso, e somos desafiados quanto à posição que assumimos com o Senhor. Em meio a essas condições o Senhor pede uma ratificação da nossa fé na posição assumida com Ele, e isso de forma muito definitiva.
Vamos rever o incidente de Jeremias. Hananel talvez estivesse tentando ser um homem de negócios astuto. Ele viu como as coisas estavam indo e pensou que pegaria o dinheiro em suas mãos logo, antes de perder tudo. Espero não estar o julgando mal, mas é isso que me parece nessa situação. Ele foi direto a Jeremias, que estava pregando sobre a destruição da terra e do seu iminente cativeiro. Jeremias estava na prisão e seu primo sabia onde poderia encontrá-lo. Mas Jeremias recentemente havia tocado outra nota em sua pregação, uma nota distante de esperança, considerando que até agora tudo se resumia em trevas, julgamento e destruição. Um raio de luz começava a surgir no horizonte profético de Jeremias, uma esperança distante e uma nota de esperança surgiram em sua pregação. O Senhor iria reverter o cativeiro de Sião. Nesse ponto, Hananel veio até Jeremias mas, como já disse, muito provavelmente agindo apenas como um astuto filho de Israel. Mas isso significava duas coisas para Jeremias. Em primeiro lugar, esse era um desafio àquela nova nota de esperança. "Jeremias, você acredita no que está dizendo? À luz dessas circunstâncias, à luz de tudo o que você sabe que ainda vai acontecer, um cativeiro de setenta anos, você realmente acredita no que está dizendo? Você acredita nessa esperança, nessa luz no fim do túnel, acredita que, embora hoje e por algum um tempo a realização de sua visão seja totalmente impossível, ainda assim ela se cumprirá? Você acredita nisso?."

Existem pessoas que se renderam a uma posição desesperadora no que diz respeito à igreja. Essas pessoas discorrem sobre a ruína desesperada da igreja e, ao fazer isso, renunciam a uma grande parte do Novo Testamento. Será que não cremos que o Senhor ainda pode obter um povo, mesmo que seja apenas um remanescente, que esteja de acordo com a revelação de Sua vontade e que se tornará em Sua esperança? Esse foi o desafio que Jeremias enfrentou. Será que ele de fato acreditava na esperança do Senhor depositada em um grupo que retornaria do cativeiro? Eles eram a esperança do Senhor e neles tudo aquilo que o Senhor sempre mostrou ser Seu propósito seria realizado: esse povo construiria a casa, restauraria todo o testemunho. Parecia distante para Jeremias, mas essa vinda de seu primo, esse desafio de comprar o campo, foi uma prova para Jeremias, nesse sentido. Ele acreditaria que embora a maioria do povo de Israel se perdesse, ainda assim, dentre eles haveria um grupo que, mais cedo ou mais tarde, seria o vaso usado por Deus para realizar todos os Seus propósitos? Jeremias acreditou nisso? O que ele estava fazendo para expressar sua fé, para provar que acreditava? Aqui está sua oportunidade. Ele estava fazendo algo agora, e sua ação era completamente baseada em nada ser impossível e demasiadamente difícil para Deus. Ele estava fazendo isso agora, em meio àquelas condições.

A alternativa é se render à situação hoje na igreja, no mundo e nas circunstâncias afirmando que tudo é absolutamente impossível, que de nada adianta sustentar nosso testemunho; pois nossa uma situação desesperadora, e que devemos esperar até que o Senhor faça algo. Não foi isso que Jeremias fez.

Há outra coisa que pode parecer pequena, mas acredito nos ajudar. Talvez a proposta de Hananel à Jeremias possa ter parecido algo baixo, mundano, comum; como aplicar um golpe de estado. Isso foi o que aconteceu, e era algo não muito louvável naquela ocasião, desfazer-se de sua propriedade por vislumbrar que ela seria perdida de qualquer maneira. Mas, embora isso fosse verdade do ponto de vista de seu primo, Jeremias olhava para tudo, até mesmo algo assim, com a seguinte pergunta em mente: Como isso se relaciona com o trono de Deus? As coisas podem nos parecer comuns, mundanas, meros acontecimentos, alguém é trazido para nossas vidas, cruza nosso caminho, em uma transação de negócios, mas o homem e a mulher que estão em contato com Deus e que estão sempre esperando no Senhor não olham para as coisas dessa maneira. Jeremias não reagiu à proposta de Hananel dizendo: "Você é astuto, não é? Está tentando ser inteligente, você é isso e aquilo! Você acha que vou ser ludibriado assim? Você sabe muito bem que vai perder esse campo de qualquer maneira, e está tentando tirar proveito da situação enquanto há alguma coisa acontecendo; você acha que vai me pegar!" Nada disso aconteceu! Jeremias imediatamente raciocinou: "Isso pode ser verdade sobre Hananel, mas como tudo isso se relaciona com o trono do Senhor? Teria o Senhor algo nessa situação?" Estou sugerindo que essa atitude de Jeremias em relação à vida e seus incidentes pode ser tremendamente frutífera - não olhar para as coisas que acontecem apenas como acontecimentos naturais, mas desafiar cada uma delas à luz do trono do Senhor.

Essa situação estava vitalmente relacionada ao trono do Senhor, embora pudesse ser encarada como algo muito natural. Não acho que estejamos sempre atentos a esses tipos de coisa: pessoas que aparecem em nosso caminho e acontecimentos de nossas vidas. Onde está o Senhor, o que Ele tem nessa situação? Não devemos tomar as coisas pela sua primeira impressão e reagir levando em consideração apenas como isso vai refletir nessa ou naquela esfera, mas devemos perguntar o que o Senhor busca nelas. Essa foi a atitude de Jeremias diante daquelas coisas: nada acontece por acaso na vida daquele que está nas mãos do Senhor. Onde está o trono de Deus nisso? Tanto os maiores desastres como o menor incidente que acontecem em nossas vidas podem estar intimamente relacionados ao trono de Deus, em algum aspecto muito vital. Um homem age segundo sua disposição normal e, ao fazer isso, planejando, maquinando, imaginando, talvez apenas pensando nos seus próprios negócios, ele nos procura. Pode ser que exista algo tremendo envolvendo o trono de Deus por trás disso. Essa pessoa não sabe, não tem noção dessas coisas, mas é isso que acontece. Ele pensa que está apenas agindo de maneira profissional. Não creio que o primo de Jeremias tivesse a sensação de estar fazendo alguma coisa relacionada ao Senhor. Provavelmente ele agiu apenas buscando seus próprios interesses, mas a soberania de Deus provou estar por trás de toda a situação. A atitude de Jeremias em relação à vida pode ser muito frutífera para todos nós.

Observe um fator em Jeremias mais uma vez: a absoluta abnegação da fé. Jeremias não poderia estar agindo a favor de seus próprios interesses quando redimiu aquela propriedade. Como já mencionei, ele estava envelhecendo, era um prisioneiro. A terra seria destruída, como ele bem sabia. Que uso ele teria para aquele campo? Ele sabia dos setenta anos de cativeiro, onde ele estaria no final desse período? Que utilidade aquele campo teria para ele durante aquele período? Não vemos um elemento pessoal nessa decisão. Sua fé era totalmente altruísta. O que ele fez foi como um testemunho em seus dias da fidelidade de Deus, e ele precisou esperar por sua vindicação mais adiante. Ele não viveria para vê-la. Sua vindicação aconteceria depois que ele partisse. O povo de Deus aceitaria os valores de sua fé quando ele já não mais estivesse entre nós. Essa é a natureza da fé. Esse é o verdadeiro teste dos atos de fé. Iremos conseguir o que desejamos com fé, obteremos algo para nós mesmos, ou estaremos vislumbrando os interesses do Senhor? Esse é o verdadeiro teste de fé, que o Senhor tenha aquilo que deseja.

O Senhor desejava ter ali, bem no coração de Israel, em Jerusalém, no pátio da guarda, diante de todos os anciãos e testemunhas, um testemunho prático de Sua fidelidade. "Assim diz o SENHOR: Se a minha aliança com o dia e com a noite não permanecer, e eu não mantiver as leis fixas dos céus e da terra, também rejeitarei a descendência de Jacó e de Davi, meu servo, de modo que não tome da sua descendência quem domine sobre a descendência de Abraão, Isaque e Jacó; porque lhes restaurarei a sorte e deles me apiedarei.” [Jr 33:25,26]. Sabemos que isso se cumpriu em Cristo, o maior Filho de Davi, o Rei eterno do trono de Davi. Tudo está cumprido, e em Cristo todo o Israel será salvo, como Paulo afirmou (Rm 11:26). Mas como um testemunho dessas coisas naquele dia escuro e terrível, quando o julgamento estava prestes a acontecer, Jeremias deu este passo prático, erguendo um monumento à fidelidade de Deus. Deus tem ciúmes de Seu Nome, Sua fidelidade, Seu testemunho. Ele está procurando por aqueles que, em total abnegação, ainda que em meio à condições naturais desesperadoras, serão fiéis à revelação que Ele deu, fiéis a Deus e ao que Ele deu a conhecer a respeito de Sua Pessoa.

"Coisa alguma te é demasiadamente maravilhosa." Dizemos isso e tudo se volta contra nós devido às circunstâncias ao nosso redor, e então o Senhor precisa nos responder usando nossas próprias palavras: "Haveria coisa demasiadamente maravilhosa para mim?" Não sei o que isso lhe diz, e como isso se aplica em sua experiência pessoal. Pode não afetá-lo muito, mas atente para conclusão desse assunto, independente da aplicação pessoal que pode ter para cada um de nós. Isso se aplicará ao ministério para o qual alguns de nós são chamados, ao nosso testemunho, também pode ter aplicações mais pessoais, em relação às nossas próprias vidas e situações, mas tudo se resume em uma única coisa.

O Senhor plantou algo em nossos corações, oramos muito e não tínhamos dúvidas de que era Sua vontade, Seu caminho para nós. Fomos provados, passamos por muitas coisas, e então surge uma situação que parece impossibilitar totalmente sua realização. Diante dessas circunstâncias contrárias, a tentação é questionar nossa liderança original, duvidando do Senhor e simplesmente esmorecendo e aceitando a situação como impossível. É nessas horas que o Senhor espera de nós um testemunho positivo de nossa confiança nEle e deseja que nos comprometamos de alguma forma em fé. Assumimos uma posição positiva em fé; o ego e todos os interesses egoístas são inteiramente deixados de lado, vislumbramos apenas os interesses do Senhor e a Sua glória, e seguimos em frente. O Senhor nos responde desafiando nossa posição original com uma pergunta: "Haveria coisa demasiadamente maravilhosa para mim?", e continua: "Se a minha aliança com o dia e com a noite não permanecer, e eu não mantiver as leis fixas dos céus e da terra, tão firme como isso é Minha fidelidade a você; tão certo quanto isso é o meu comprometimento com a realização daquilo que te revelei."

O Senhor nos conceda uma fé forte em meio a condições muito difíceis.

Editado e fornecido por Golden Candlestick Trust.

Origem: Faith in God in Hopeless Circumstances


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