Ministério Profético
por T. Austin-Sparks

Capítulo 6 - O Reino, e a Entrada Nele

"Pois, os que habitam em Jerusalém e as suas autoridades, porquanto não conheceram a este Jesus, condenando-o, cumpriram as mesmas palavras dos profetas que se ouvem ler todos os sábados." (Atos 13:27).

"Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado à força, e os violentos o tomam de assalto. Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. Quem tem ouvidos, ouça".

"A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele." (Lucas 16:16).

Penso que podemos reconhecer que o elo comum entre Atos 13:27 e Mateus 11:13 seja "todos os profetas". Em um caso eles não ouviram as vozes dos profetas; em outro é dito (vs. 15), "Quem tem ouvidos, ouça".

Os Profetas Profetizaram Sobre o Reino

Antes de tudo, precisamos entender o significado desta sentença em Mateus 11 - "todos os profetas ... profetizaram até João". O que eles profetizaram? Naturalmente, profetizaram muitas coisas. Um assunto predominante em suas profecias era aquele referente ao Rei vindouro e ao Reino. Tanto foi assim que no Novo Testamento a questão do Reino é assumida. Quando você abre o Novo Testamento e começa a ler os Evangelhos, e descobre que nenhuma explicação é dada. O Reino não é apresentado como algo a respeito do qual as pessoas eram ignorantes. Você encontra entre o povo aqueles que iam ao Senhor Jesus e usavam a mesma frase, e encontra o próprio Senhor usando 'o Reino' sem qualquer introdução ou explicação.

Nicodemos é um exemplo pertinente. Não temos nada na narrativa que indique que Nicodemos disse alguma coisa sobre o Reino absolutamente. Ele começou dizendo: 'Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus." Não havia nada sobre o Reino nisto. O Senhor Jesus interrompeu e disse: "aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." (João 3:2,3.) Evidentemente era isto que estava na mente de Nicodemos, e o Senhor sabia. Você vê, é uma coisa assumida no Novo Testamento; e, embora mais tarde (como encontramos no livro de Atos e subseqüentemente) a verdadeira explicação celestial seja dada, ou haja algum ensino concernente ao seu real significado, o Reino era algo que já estava nas mentes dos Judeus, e, naturalmente, isto vem dos profetas. Os profetas tinham muito a dizer sobre o Reino, e alguns deles tinham algo muito definido para falar sobre o Rei. Não iremos tentar provar isto. É uma declaração que você pode verificar facilmente.

O que os profetas profetizaram? Inclusive eles profetizaram sobre o Rei e sobre o Reino. Qual foi o apogeu dos profetas nesta abrangente ligação? Foi João Batista. Ele reunia a todos; ele foi, por assim dizer, o profeta inclusivo. Quem era João Batista? Ele era o término ou o ponto de virada entre tudo o que tinha sido e aquilo que agora estava para ser, entre o Velho Testamento e o Novo. Esta é a declaração aqui: 'todos ... profetizaram até João'. Até João; agora - a partir de João. Qual era a mensagem de João? "Arrependei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo" (Mateus 3:2). Mas ao longo disso, o Cordeiro de Deus, a grande nota distinta de João é: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!' (João 1:29). Essas não são duas coisas diferentes; elas são uma só. "O Reino ... está próximo" - "Eis o Cordeiro de Deus!"

O Reino Presente Em Cristo

Qual era o assunto, então, desde o tempo de João - que surgia com novo significado, nova força, porque tinha se tornado uma questão atual, não mais de profecia, mas agora o assunto do momento? Era o Reino dos Céus. "A lei e os profetas foram até João: a partir deste momento o evangelho do Reino de Deus é pregado". Os profetas haviam profetizado isso; agora isto é pregado como tendo chegado, e tendo chegado com "o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo".

O que, então, é o Reino dos Céus? Temos conduzido o assunto até este ponto, passo a passo, e quando respondermos esta pergunta final, iremos enxergar claramente o que era aquilo que as autoridades Judaicas e habitantes de Jerusalém jamais enxergaram, embora ouvissem os profetas semana após semana.

Vou forçar o desafio disto mais uma vez. Sinto que é algo muito solene que o Reino dos Céus pudesse ter vindo alguma vez para perto de alguém. Você sabe, o Senhor irá finalmente julgar todas as pessoas nessa oportunidade. A oportunidade foi dada - e contato é oportunidade. A própria disponibilidade do Reino é a oportunidade. O que é feito com a oportunidade? O Senhor Jesus caminhou no meio da nação judaica por três anos e meio. Sua própria presença entre eles era a oportunidade deles - e que conseqüência terrível sucedeu o fracasso deles em aproveitar aquela oportunidade!

Agora, pode haver alguém nesta mesma categoria que leia essas palavras. Através de lê-las, o Evangelho de Jesus Cristo tem se tornado disponível a você, mesmo que nunca antes (mas certamente dificilmente poderíamos dizer isto) - o conhecimento do fato sobre o Senhor Jesus e Sua Cruz. Ter tido isto alguma vez dentro do seu alcance é suficiente para estabelecer o seu destino eterno. Se o Reino dos Céus chega dentro do ambiente e do limite de sua vida, de seu conhecimento - este é o fundamento sobre o qual seu destino eterno pode ser estabelecido. Naturalmente, havia muito mais no caso daquelas pessoas, e a condenação deles foi bem maior. Os profetas profetizaram em suas audiências, e, contudo, devido a algo em sua própria constituição, devido a alguma reação deles próprios, as autoridades e o povo nunca prestavam atenção naquilo que ouviam; nunca reconheciam que ali estava algo que tinha implicações muito grande, e que eles deviam descobrir quais eram realmente essas implicações. Não tomavam uma atitude - 'se há aqui algo que diz respeito a mim, preciso saber o que é.'

Você dificilmente poderia pedir por menos do que isto, poderia? Mas a própria ausência desse tipo de reação diante do Evangelho, como tenho dito, pode ser o fundamento sobre o qual se dará o julgamento. Isto se deu no caso deles, e foi um terrível julgamento! Que julgamento, esses dois mil anos de história judaica! "Sua casa ficará desolada" (Mateus 23:38). Será que já houve uma história de desolação mais terrível do que a história dos Judeus desde então? Porém, mesmo assim, isto é apenas uma parábola de desolação; algo aqui nesta terra. O que deve significar desolação no sentido espiritual e eterno - abandono da parte de Deus, e tendo conhecimento disso? É uma mensagem solene, e naturalmente, ela pavimenta o caminho para esta outra parte, a entrada 'violenta' no Reino. Isto é algo para se tomar com seriedade, algo sobre o qual você não pode ficar descuidado ou indiferente.

O que é o Reino? A resposta a isto pode ser dada em três ou quarto sentenças muito sucintas. O que o Reino dos Céus demonstra ser? Eu repudio aquele sistema de interpretação que afirma que um reino literal, terreno e temporal foi oferecido aos Judeus naquele tempo. Não creio nisso. Teria sido um tipo de coisa pobre para o povo de quem lemos nos Evangelhos terem tido o Reino em suas mãos - não muita glória ou satisfação para Deus neles! Olhe para a Palestina hoje, e veja que tipo de reino seria na mão daquelas pessoas! O que é possível para o mundo quando este tipo de coisa chega ao reino? Não, repudio esse tipo de interpretação de um reino temporal sendo oferecido a Israel por Jesus naquele tempo. Mas o que o Reino dos Céus, que foi pregado nos dias de João Batista, mostrou ser e significar, como o Senhor Jesus o interpretou, e mais tarde os apóstolos?

O Que é o Reino

(a) Uma Nova Vida

Primeiramente, o Reino dos Céus era uma nova vida, completamente diferente daquela que os homens conheciam em toda a sua história desde Adão em diante. Isto é o que o Senhor quis dizer em Sua primeira referência ao Reino, quando falava com Nicodemos sobre a necessidade de sua alma. "Se alguém não nascer de novo, ele não pode ver o Reino de Deus" - porque é uma nova vida que surge, como por um nascimento. Não se trata de uma mera energização da vida velha. Não é simplesmente a inclinação da velha vida a novos interesses, mudando de uma linha de interesse para outra, de um sistema de ocupação para outro: uma vez você se doava completamente ao mundo, e agora, com a mesma vida e com o mesmo interesse você se doa ao Cristianismo. Não, é outra vida diferente, uma vida que nunca houve antes, vinda do próprio Deus. A própria essência do Reino dos Céus é que é uma natureza celestial numa vida celestial, dada como um dom distinto numa crise. Outra vida - isto é o Reino, para se começar com ela.

(b) Um Novo Relacionamento

É um novo relacionamento, um relacionamento com Deus: que não é simplesmente que agora nos tornamos interessados em Deus - que Deus se tornou um objeto de nossa consideração e nos movemos de um relacionamento para outro porque agora temos assumido o Cristianismo. Não, é um relacionamento que é a própria essência desta vida em si mesma. Temos uma consciência completamente nova e diferente, no que concerne ao nosso relacionamento com Deus. A grande verdade dos evangelhos, especialmente como enfatizado no Evangelho de João, é que uma relação com Deus chegou por meio de Jesus Cristo. "Manifestei o Teu nome aos homens a quem Tu me destes do mundo". (João 17:6). Este nome, do qual Ele está sempre falando, representava um novo relacionamento - "Pai"; não no sentido de uma paternidade de Deus e de uma irmandade geral e universal, mas um relacionamento específico, um novo relacionamento que chega somente com a entrada do Espírito Santo dentro da vida num ato definitivo e crítico. "Deus enviou o Espírito de Seu Filho aos nossos corações, O qual clama, Abba, Pai" (Gálatas 4:6). Quando isto realmente aconteceu a você? Qual foi a primeira pronúncia de sua nova vida? "Pai!" - pronunciado com uma nova consciência. Não agora um Deus que está longe, impensável, todo terrível, de quem você tem medo; não, "Pai!" Quando 'nascemos do Espírito', aí é trazido um relacionamento completamente novo.

(c) Uma Nova Constituição

Então o Reino dos Céus é uma nova constituição. Não estou pensando agora de um novo conjunto de leis e regulamentos, mas uma nova constituição no que diz respeito a mim e a você. Somos constituídos novamente, com um conjunto de novas capacidades que tornam possíveis as coisas que jamais eram possíveis antes. Isto precisa ser reconhecido - e gostaria que você colocasse isto em seu coração novamente - que o filho de Deus, o membro do Reino dos Céus, é a corporificação de um milagre, que significa que há possibilidades e capacidades sobrenaturais em cada um deles. Que coisas tremendas acontecem na vida de um filho de Deus! Quando finalmente enxergarmos plena e claramente, iremos reconhecer que essas coisas foram nada menos do que milagres Divinos cada uma das vezes. Nós não conhecemos todas as forças que se inclinam para a destruição de um filho de Deus, e quanto sua preservação até o fim representa um exercício do poder Soberano de Deus. Alguns de nós conhecemos um pouco disto: que a nossa própria sobrevivência se deve a Deus exercer Seu poder sobre outros imensos poderes hostis, que somos preservados pelo poder de Deus - e que isto requer o poder de Deus para nos manter!

O início da vida do filho de Deus é um milagre. "Como um homem pode nascer de novo?" Não há nenhuma resposta a esta pergunta, exceto que é Deus quem faz isso. "Como pode este homem dar-nos a sua carne para comer?" (João 6:52). Isto é, como o filho de Deus consegue ser sustentado até o fim, sem qualquer coisa para ajudar, para socorrer, para nutrir? Não há resposta a isto também, exceto que é Deus quem faz isso; e, se Ele não fizer, o filho de Deus, por causa das forças extras centradas contra ele para destruí-lo, simplesmente afundaria. A consumação da vida do filho de Deus será igualmente um milagre. "Como os mortos são ressuscitados?" e com que tipo de corpo eles surgem?" (I Coríntios 15:35). A resposta a isto é a mesma - somente Deus irá fazer isto.

A questão toda é um milagre desde o início ao fim. É uma nova constituição, tendo em si possibilidades e capacidades que estão completamente acima e além do mais alto nível de capacidades humanas; isto é, acima de todo o reino da terra da natureza.

(d) Uma Nova Vocação

E mais, é uma nova vocação. É algo para o qual se viver, algo no qual servir, algo para trazer em operação. A vocação se torna a esfera e os meios de um novo propósito e de um novo ministério de vida. A própria consciência de um verdadeiro filho de Deus nascido de novo é como isto - 'Agora eu sei por que estou vivo! Tenho me perguntado ao longo do tempo por que eu nasci; tenho sussurrado a respeito, e senti que fui injustiçado ao ser trazido a este mundo sem ser consultado quanto a se eu queria vir; mas agora vejo que há um propósito nisso - Tenho para que viver!' Um filho de Deus verdadeiramente nascido de novo sai e fala para as pessoas que, apesar de tudo, vale a pena estar vivo! Ele descobriu, por trás de tudo mais, aquilo que tem significado e propósito Divino - aquilo não existia como algo ativo até que ele nasceu de novo e entrou para o Reino. O Reino dos Céus é uma nova vocação, um novo senso de propósito de vida. Ele dá um sentido para a vida. Isto é o Reino.

Não é esta uma idéia completamente diferente daquela que faria o Reino um lugar com certas leis e regulamentos - 'Você deve' e 'Você não deve' - algo objetivo? "O Reino de Deus está dentro de vós" (Lucas 17:21).

(e) Uma Nova Gravitação - Para o Céu, Não Para a Terra

Além do mais o Reino é algo de cima, e isto certamente implica que é transcendente em todos os sentidos. É algo que vive, e que traz a vida para um nível mais alto. Isto é, se a nova vida vem de cima, do Céu, ela sempre irá gravitar em torno da sua fonte, e, se esta nova vida opera em nós, ela estará nos levantando, impulsionando-nos para cima, para Deus. Ela opera de tal maneira que iremos sentir antes de tudo que este mundo não é o nosso lar. Ele foi nossa casa; tudo que precisávamos estava aqui até que esta experiência aconteceu. Agora não pertencemos mais ao mundo, pertencemos a outro lugar; e de maneira estranha estamos firmemente nos movendo cada vez mais para longe desta terra. Descobrimos que nos sentimos cada vez menos confortáveis aqui a cada dia. Você está no Reino se possui algo semelhante a esta experiência. Se você consegue ficar confortável e feliz em continuar aqui, você precisa ter sérias dúvidas quanto ao lugar que está em relação ao Reino. Mas se você está cada vez mais consciente de que interiormente a distância está crescendo entre você e tudo aquilo que está aqui neste mundo, então o Reino realmente está operando, o Reino dos Céus tem chegado.

O Reino Chegou, Mas Também Está Chegando

Agora, outra coisa: o Reino tem chegado, mas ele está sempre chegando. Nós entramos, mas devemos estar sempre entrando. Há uma pequena palavra no final da carta aos Hebreus - "Portanto, recebendo um Reino que não pode ser abalado..." (Hebreus 12:28). O sentido literal aí é - "estando em curso ou em processo de receber um Reino que não pode ser abalado..." Ele veio, mas está vindo; e é neste ponto que penso que todos nós precisamos reconhecer uma diferença, discriminar entre duas coisas - entre conversão e salvação.

Você já fez esta distinção? Há toda uma diferença entre conversão e salvação. Conversão é uma crise, algo que acontece de repente, num momento, e ela é feita. Salvação? Isto é algo que foi iniciado; mas você descobre também que o Novo Testamento fala sobre "obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma. " (1 Pedro 1:9), indicando, assim, que salvação é ainda futura. Algumas pessoas têm construído uma falsa doutrina sobre isto, ensinando que você não pode saber se você é salvo até vá até o fim, porque está dito sobre salvação no tempo futuro. Mas nós estamos salvos, e estamos sendo salvos. Entramos no Reino pela conversão, mas a salvação é algo muito mais do que conversão. Oh, salvação é uma coisa vasta, e é apenas outra palavra para Reino - o Reino vindo o tempo todo. Um bebê espiritual que acabou de receber a vida Divina não possui tudo, exceto potencialmente. Ele tem conversão, tem novo nascimento. Diria você que um pequeno bebê possui tudo o que foi proposto que ele tivesse? Potencialmente, na vida, tudo está lá. Porém quanto mais há para ser conhecido sobre o que esta vida implica, sobre tudo que ela carrega com ela e a que ela pode levar, sobre todas as capacidades que estão lá!

Esta é a diferença entre conversão e salvação. O Reino é um Reino vasto - "Seu Reino é um Reino eterno" (Daniel 4:3). "Do aumento do seu governo... não haverá fim" (Isaias 9:7). 'Não haverá fim' simplesmente significa eternamente em expansão. Pode você apenas fazer uma idéia geográfica disso? Certamente que não. O Reino deve ser espiritual - as reservas inesgotáveis de Deus para o Seu próprio povo. Irá demandar a eternidade para conhecer e explorar todas essas reservas, as dimensões de Seu Reino.

O Reino Sofre Violência

Agora, tendo considerado de forma muito imperfeita aquilo que os profetas estavam falando e o aquilo com o qual você e eu entramos em contato, vamos ver o que pode ser esquecido. Vamos olhar para essas outras palavras: "A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele." (Lucas 16:16).

"E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus sofre violência, e os violentos o tomam por força" (Mateus 11:12). Ele "sofre violência." Isto não significa simplesmente que ele permite a violência. Significa realmente que ele requer força, e são homens destemidos que o tomam por força. Lucas coloca assim "entra violentamente".

Aqui está o espírito da cidadania deste Reino - "por força". Por quê? Isto não é simplesmente um apelo para ser determinado - embora certamente inclua isto, vendo que tremenda coisa é este Reino, e que perda imensa será sofrida se não o tomarmos seriamente. Mas, veja, o Senhor Jesus está falando como que no meio de coisas que estão constantemente em oposição. Há todo um sistema organizado, exercendo uma tremenda influência. Ele disse para eles na ocasião: "Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês fecham a porta do Reino do Céu para os outros, mas vocês mesmos não entram, nem deixam que entrem os que estão querendo entrar." (Mateus 23:13). Há tudo, da parte de Satanás e dos homens, para obstruir; para entrar requer violência. Se você puder ser estorvado, você ficará estorvado. Se você ficar despreocupado, irá dar às forças antagônicas todo o terreno que eles querem para colocar você para fora.

É por isso que saliento que não é apenas uma entrada definitiva no Reino, mas é uma entrada contínua. O Reino é muito mais do que conversão. Naturalmente, se você é salvo absolutamente - quero dizer salvo inicialmente - você terá que significar seriedade para isto. Você terá que fazer dessa salvação um assunto radical, porque haverá tudo para impedi-lo. Mas o Reino significa algo muito mais do que meramente entrar nele, muito mais do que ser convertido. Há muito mais no propósito de Deus para as nossas vidas do que jamais imaginamos, e, se é para entrarmos no Reino, a força tem que nos caracterizar. Precisamos desesperadamente demonstrar que falamos a sério e chegar a um lugar onde digamos: 'Senhor, estou determinado a tudo aquilo que Tu significa em Cristo. Estou determinado sobre isto, e não vou permitir que os preconceitos, suspeições e críticas de outras pessoas fiquem no caminho; não vou permitir que nenhum sistema humano me atrapalhe; irei até o fim contigo em todo o Teu propósito. Vou usar de força contra tudo que se colocar no caminho'. O Reino requer força, e nós precisamos usar de muita força para alcançar tudo o que Deus quer para nós.

Oh, quão facilmente muitas vidas ficam pelo caminho, simplesmente porque não são determinadas o suficiente! São apanhadas por coisas que limitam - coisas que podem até ser boas, que podem ter algo de Deus nelas, mas que não passam de coisas que limitam, e não representam uma maior abertura ao propósito de Deus. A única maneira de entrarmos em tudo aquilo que o Senhor deseja - não somente naquilo que temos visto, mas em tudo aquilo que Ele tem planejado - é sermos determinados, sermos homens que empregam força; sermos homens que digam: 'Pela graça de Deus, nada nem ninguém, embora seja bom, irá ficar no meu caminho; eu vou prosseguir com Deus'. Tenha esta postura com Deus, e você irá descobrir que Ele irá sustentá-lo neste terreno.

Nenhum homem, nem mesmo o próprio Paulo, conheceu tudo o que ele estava prosseguindo em conhecer. Paulo estava constantemente recebendo revelações mais plenas daquilo para o qual ele havia sido chamado. Ele havia recebido algo muito forte e rico no início; então, mais tarde, são reveladas a ele coisas indizíveis (II Coríntios 12:4). Ele estava crescendo em conhecimento. Mas por quê? Porque ele era um homem de violência. Deus nos quer desse jeito. "Para com o puro te mostras puro, e para com o perverso te mostras contrário." (salmo 18:26). Isto, em princípio, significa que Deus será para você aquilo que você for para Ele. Ele irá falar a sério se você também falar sério. Há uma grande vastidão no Reino da qual jamais suspeitamos. Pode crer nisso. Há mais para conhecermos do que qualquer pessoa nesta terra conhece - muito mais do que os homens mais santos, os cristãos mais avançados, conhecem do propósito de Deus.

Paulo assim exorta. Em sua carta aos Filipenses ele deixa claro que, mesmo no final de sua vida, ele ainda não tinha compreendido, ele ainda precisa conhecer. "Para que possa conhecer..." (Filipenses 3:10). Há muito mais para se conhecer. Você crê nisso? Irá você permitir que sua vida simplesmente fique encaixotada com certa medida que você conhece, ou com a medida de outra pessoa? Não - é a medida de Cristo que é o propósito de Deus. "Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo" (Efésios 4:13). Nenhum movimento, nenhuma sociedade, nenhuma organização evangélica, nenhuma igreja desta terra já chegou a isto, mas este é o objetivo em vista. Mas Deus requer, a fim de nos levar para a plenitude, que sejamos homens de violência, que realmente falemos a sério, que digamos a tudo que aparecer no caminho - e, oh, as vozes plausíveis, que não obstante estarem sutilmente influenciadas de preconceitos! - que digamos: 'Para trás: eu vou seguir com Deus, não vou permitir que nada fique no meu caminho.'

"O evangelho do Reino é pregado." Pode você imaginar aqueles judaizantes falando ao povo sobre Jesus? 'Cuidado; cuidado para não ser apanhado! Nosso conselho a vocês é que o evitem - não fiquem muito próximos dele!' Tudo isto estava acontecendo. Paulo se deparava com tudo isso o tempo todo. Ele era perseguido em suas jornadas por essas mesmas pessoas que, seguindo seus calcanhares, diziam: 'Cuidado - é perigoso!' O próprio Senhor experimentou o mesmo tipo de coisa; e Ele dizia: "o Reino ... sofre violência." Ele requer violência; você não irá entrar nele, e certamente não irá entrar nele alcançando o pleno crescimento, a menos que você seja como aqueles que usam de violência contra tudo que se interpõe no caminho do propósito pleno de Deus como revelado em Cristo. Você nem mesmo irá saber que propósito é este, Deus não será capaz de revelar a você a próxima parte do plano, exceto que Ele descubra que você é esse tipo de pessoa - que entra com violência.

Você gosta disto? Bem, se você for passivo, há tudo para ser perdido; se falarmos a sério, há tudo para ser ganho. O Senhor nos faça homens e mulheres deste tipo, para que não sejamos contados entre aqueles de quem está dito que 'têm ouvidos para ouvir, mas não ouvem' (Ezequiel 12:2).


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