A Clínica Espiritual (1946)
por T. Austin-Sparks

Capítulo 2 - A Paralisia de uma Irregularidade Espiritual

A partir da observação das enfermidades que vêm sobre o povo de Deus e aprisionam a Sua obra através deles, ficamos muito impressionados com o fato de que a violação de uma ordem Divina é a causa de muitos problemas. Se é verdade que o que Deus está fazendo nesta era não é apenas salvar indivíduos como tais, mas constituir um "Corpo" e construir uma "Casa" pela adição de cada um, então a posição correta dessas pessoas é vital para o perfeito funcionamento e a ordem celestial. Existe uma ordem e existe uma posição para cada membro. Não nos é dada a liberdade - digamos com ênfase - para designar o lugar ou manipular em posição de cada um. Essa é a obra do Espírito Santo. O que nós dizemos é que cada membro tem o seu lugar, e Deus sabe qual é. Sob a soberania do Espírito Santo, cada membro deve se posicionar nesse lugar. Se eles não o fizerem, ou estiverem em um lugar errado, perderão seu ministério essencial e perturbarão a eficácia do Corpo.

“Mas Deus dispôs os membros” (1 Co 12:18). Articulação essencial para a vida.

“E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo” (Ef 4:7).
“Tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada” (Rm 12:6).

Temos diversas ilustrações de irregularidade e desarticulação nas Escrituras:

Datã e Abirão e seu grupo (Nm 16).
Aarão e Miriã (Nm 12).
Saul passando por cima da autoridade de Samuel (1 Sm 13:9).
Uzias se infiltrando no serviço sacerdotal (2 Cr 26:16).

Paulo tem muito a dizer sobre assuntos relacionados à ordem na Igreja, e não é algo meramente relacionado à posição individual, que é de grande importância, mas também do fator e elemento relativo. Ação independente é uma desarticulação perigosa, roubando a cobertura, proteção, e expondo às forças inimigas. Existe uma ordem celestial, um sistema espiritual, e relacionamentos e ministérios dos crentes devem estar de acordo com esses princípios espirituais como um reflexo daquela ordem celestial.

O que Paulo diz sobre o lugar da mulher no ministério e relações domésticas dos santos pode ser apreciado e compreendido à luz disso.

Quando alguém chamado por Deus para a obra de evangelista assume o papel de mestre, ou vice-versa, ou alguém marcado para um função em particular tenta realizar outra, ou se estende além do escopo e assume qualquer prerrogativa que não é sua pela ordenação Divina, está seguindo um caminho na direção de um ministério aprisionado; e mais, desembarcará em séria confusão. Pessoas e coisas - que outrora ocupavam uma posição vital no plano Divino - colocada nos lugares errados, tem a unção Divina retirada delas. Isso se torna manifesto, e as pessoas sem discernimento espiritual concluem que aquela pessoa está fora do propósito Divino a tirando da posição. Assim muita confusão e perda se seguem.

Sem dúvida, nos tempos do Novo Testamento, havia o reconhecimento da natureza corporativa da Igreja, e a oração definitiva que seguia o batismo de todos que dessem testemunho de sua identificação com Cristo era o ponto de partida inicial dessa posição relativa e dessa verdade de articulação, ajuste e função. O Espírito Santo veio e tomou a superintendência a partir daquela época, e qualquer desordem a partir de então era diretamente contra Ele. Nessas poucas linhas, passamos por um campo muito amplo e importante da verdade e pleiteamos por um retorno passo a passo, com oração, para a Palavra. O método do Espírito Santo é colocar o Seu selo sobre nós à medida que nos movemos de acordo com Sua liderança, e não de acordo com nossa fantasia, escolha, aptidão, predileção ou ambição.


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